Cultura

Reggae e o rastafarianismo

Alpha Blondy, Lucky Dube e Tiken Jah Fakoly, três das principais referências do Reggae africano não poderiam ficar de fora deste roteiro. Há que lembrar que a OUA (Organização de Unidade Africana), antecessora da União Africana, foi instituída em Adis-Abeba, capital da Etiópia, sendo anfitrião o imperador Hailé Selassié.

22/05/2022  Última atualização 14H50
© Fotografia por: DR
Lembrar ainda que o Reggae está muito associado ao movimento Rastafari, que cultiva os ideais do panafricanismo e tem (grande parte dos seus membros) Hailé Selassié como figura central. O jamaicano Bob Marley, Rei do Reggae e um dos principais responsáveis pela divulgação global do estilo, é autor de um outro quase hino do continente: "África Unite”.

De Alpha Blondy (Dimborokro, 1 de Janeiro de 1954) escolhemos "Bory Samory”, tema que fala dos principais nomes das independências africanas. O ivoiriense tem vários outros sucessos dignos de figurar em qualquer playlist.

Do sul-africano Lucky Dube (Ermelo, 3 de Agosto de 1964), activista anti-apartheid assassinado aos 18 de Outubro de 2007, a opção cai para "Differente Colours - One People”, um apelo à união racial, do álbum "Victims”, editado já numa South pós-apartheid.

Outro ivoiriense é Tiken Jah Fakoly (Odienne, 23 de Junho de 1968), actualmente considerado a voz dos sem voz e um dos que mais incomoda, principalmente, as lideranças políticas da África Ocidental e os satélites africanos da França. O artista, que já esteve exilado no Mali, actuou no cine Karl Marx, em Luanda, aquando da sua tournée de consagração pelo prémio Descoberta da Rádio France International. O seu tema "Françafrique” faz todo o sentido constar do nosso roteiro. Por causa dessa música Tiken Jah Fakoly chegou a ser indesejado em França, há quase uma década.

Nota importante: este roteiro é também uma singela homenagem aos jornalistas empenhados na divulgação da música africana em todas as vertentes. Maria Luísa Fançony (programas Reencontrar África e Afrikya), Ismael Mateus (Raízes), Sebastião Lino (Sons de África), Moisés Luís (Caminhos do Som), Reginaldo Silva (Música Austral), Tomás de Melo e José de Belém (Afribantu), Mário Santos (Sons de África), Irmãos Alves (Mix FM), Billy Pitó (Alta Frequência), Simão Souindoula in memoriam e outros entusiastas como Victor Hugo Guilherme, Helga Mandele, Donquel Paxe, Florita Telo, Agostinho Nunes e Hindhyra Mateta, sempre disponíveis a descobrir e a partilhar os ritmos e harmonias do continente.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Cultura