Política

Recursos aquáticos de África estão sob “sérias ameaças”

A Comissária da União Africana, Josefa Sacko, assegurou ontem, na Ilha Mahé, na República das Seychelles, que os recursos aquáticos do continente estão “sob sérias ameaças”.

07/08/2021  Última atualização 08H00
Josefa Sacko discursou no evento dedicado ao Dia Africano dos Mares e Oceanos que decorreu na República das Seychelles © Fotografia por: Foto cedida
Falando no evento dedicado ao Dia Africano dos Mares e Oceanos, Josefa Sacko reforçou que, apesar dos  benefícios e oportunidades associados aos recursos aquáticos dos vastos oceanos, mares e águas interiores, o potencial da economia azul de África "ainda está vulnerável ao descarte descriminado de plásticos, derramamentos de óleo e à degradação ambiental do meio ambiente”.

Ainda em matéria de ameaças, referiu o rápido crescimento urbano e industrial, gerido de forma insustentável, resultando na forte poluição dos oceanos, incluindo o recente flagelo da poluição por plásticos e resíduos marítimos, causados por equipamentos de protecção individual, a perda da biodiversidade, tráfico ilegal e pesca ilegal indiscriminada.

Josefa Sacko disse que, apesar destes constrangimentos, existem no continente rios, lagos e pântanos transfronteiriços substanciais, "que são de importância estratégica, pois oferecem oportunidades para pesca, aquicultura, navegação, turismo costeiro, mobilização de petróleo e gás e outras actividades relacionadas à economia azul”.

Considerou que as enormes oportunidades dos 38 Estados costeiros e de outros insulares, que, em conjunto, abrangem uma estimativa de 13 milhões de quilómetros quadrados, "podem mudar a narrativa do continente como um motor para o desenvolvimento socio-económico e industrializado, criando empregos e a melhoria dos meios de subsistência para a grande população de África, em particular, para mulheres e jovens.

A União Africana, referiu, numa tentativa de enfrentar estes desafios, estabeleceu vários instrumentos e declarações pana-africanas, nomeadamente, a Estratégia Marítima Integrada 2050, adoptada em 2012, que  realçou a importância de os países africanos prestarem maior atenção aos seus interesses marítimos, O Quadro de Políticas e Estratégia de Reforma da Pesca e Aquicultura em África (PFRS) e  a Carta de Lomé, de 2016, que encorajou os Estados africanos a coordenar esforços para de abordarem a segurança marítima, protecção e desenvolvimento.

"Acima de todos estes instrumentos está o projeto e plano mestre da África para transformar o continente na potência global do futuro - a Agenda 2063 da União Africana: A África que queremos”, enfatizou.

Para apoiar os Estados-membros e instituições regionais a abordarem, efectivamente, os desafios críticos para o crescimento da economia azul, lembrou que a estratégia concentra-se em várias áreas temáticas, como pesca, aquicultura, conservação de ecossistemas, transportes e comércio, energia sustentável, minerais extrativos, gás, indústrias inovadoras, sustentabilidade ambiental, mudanças climáticas, infra-estruturas costeiras e governança.

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