Economia

Recomendadas acções para evitar perdas com a transição energética

Hélder Jeremias

Jornalista

A Organização dos Países Africanos Produtores de Petróleo (APPO) recomendou que a indústria petrolífera africana acelere uma estratégia de autonomia financeira, para evitar o desperdício das reservas estimadas em 125 biliões de barris de petróleo e 600 triliões de toneladas métricas de gás natural, devido à transição energética.

20/05/2022  Última atualização 07H55
© Fotografia por: Alberto Pedro | Edições Novembro

O secretário-geral da APPO, Omar Farouk Ibrahim, anunciou a decisão ao apresentar as recomendações do 8º Congresso Africano do Petróleo e Exposição (CAPE), que encerrou, em Luanda, onde decorria desde segunda-feira sob o lema "Transição Energética e o Futuro da Indústria de Petróleo e Gás em África: Oportunidades, Desafios e Desenvolvimento”.

O encontro contou com a presença de 467 participantes de 34 países e 10 delegações de observadores, à margem do qual decorreu uma exposição com o total de 46 "stands” em que empresas dos países-membros exibiram o potencial para o intercâmbio necessário para a sustentabilidade do sector, no continente.

Omar Farouk Ibrahim considerou que os Estados-membros só podem sobreviver às consequências da transição energética, com um programa bem estruturado, assente na cooperação e partilha de experiência nos vários domínios, de modo a criarem valências para que o mercado continental seja capaz de transformar todos os produtos na cadeia de valor e consumir a sua produção.

A ameaça da retirada das habituais fontes de financiamento, a descontinuidade nos níveis de consumo pelos principais compradores de combustíveis fósseis e consequente acesso aos mercados para as matérias-primas, advertiu o responsável, constituem uma realidade que exigirá maior união, sob pena de as reservas disponíveis nos nossos países e os investimentos feitos na construção de infra-estruturas ficarem inutilizádos.

"A nossa união deve ter como finalidade a provisão de finanças, tecnologia e conhecimento técnico que nos permitem estabelecer um mercado para toda a cadeia de valor, enquanto o petróleo continuar a ser fundamental, de forma a que o irreversível processo de transição energética não coloque em causa os nossos países”, frisou

As deliberações incluem, além da criação de um Banco Africano de Energia, a implantação de instituições regionais de cariz técnico e tecnológico, operações conjuntas no domínio de pesquisas, protecção do meio ambiente e valorização do conteúdo local.

 Expansão é crucial

O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, apontou a necessidade de expansão  da APPO, com a entrada de novos membros, como um dos principais desafios para a consolidação do projecto de constituição do Banco Africano de Energia, cujo memorando foi rubricado, segunda -feira, em Luanda

Diamantino de Azevedo prestou estas declarações, ontem, à imprensa, no final do 8º CAPE, revelando que a organização dá início aos preparativos da Conferência de Chefes de Estado, na qual são apresentadas as conclusões sobre a parceria entre os membro da APPO e o Afreximbank, bem como de uma proposta de estudo sobre a criação de um sistema de oleodutos.

O ministro, que também é presidente da APPO, considera a criação da instituição bancária continental e o sistema de oleodutos "um passo importante na concretização do mercado interno de derivados de petróleo bruto para a África”, sendo objectivos que Angola pretende impulsionar durante a vigência do seu mandato.

"Existem várias instituições que actuam no financiamento de projectos de energia, mas o que fizemos neste congresso foi impulsionar um projecto que já existe  há bastante tempo, de criação de um fundo africano para apoiar”. um objectivo que evoluiu "com a assinatura do memorando com a Afreximbank, de forma a darmos os passos seguintes para a concretização deste banco africano de energia”, disse.

O ministro acrescentou que, no actual momento, não se pode falar de valores a serem empregues na criação do referido banco, dada a recente assinatura do memorando”, mas   equipas a constituir vão trabalhar para averiguar todos os detalhes para a materialização do projecto.

Diamantino de Azevedo reiterou a posição angolana partilhada por outros produtores de que a transição energética não pode ser imposta, devendo obedecer um  diálogo para que beneficie de todos e não sujeite à pobreza energética as regiões que ainda se deparam com escassez.

"Entendemos, compreendemos e respeitamos, mas temos que olhar com atenção às questões da poluição, emissão de gases  de estufa, de forma a que esta transição energética não ocorra  somente a custa dos países africanos produtores de petróleo”, concluiu.


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