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Rebeldes são acusados de traficarem mulheres

Sob a ameaça de uma metralhadora, uma mulher teve de indicar aos rebeldes em Cabo Delgado, Norte de Moçambique, as casas da aldeia de Diaca onde moravam raparigas.

08/12/2021  Última atualização 09H55
Centenas de mulheres foram raptadas na região para serem usadas como escravas sexuais © Fotografia por: DR
Por entre cerca de 200 meninas com idades entre 12 e 17 anos, escolheram quem queriam sequestrar, enquanto as mães imploravam para que as levassem a elas próprias e deixassem as crianças e jovens para trás.

Mas os homens armados diziam que não queriam as mais velhas e investigações indicam porquê: as vítimas de Cabo Delgado terão servido a rebeldes para fornecer redes de tráfico de mulheres que se estendem da Europa ao Golfo Pérsico.

O relato de Diaca diz respeito a um dos ataques ao distrito de Mocímboa da Praia em 2020 e foi divulgado, on-tem, pela organização não-governamental  Human Rights Watch (HRW), num comunicado em que estima ainda haver 600 mulheres desaparecidas em Cabo Delgado.


Segundo relatos de sobreviventes à HRW, houve mulheres obrigadas a "casar” com os sequestradores, outras foram escravizadas e vítimas de abuso sexual, outras ainda foram vendidas a "combatentes estrangeiros” por valores equivalentes  entre 550 e 1.600 euros.


"Mulheres e meninas estrangeiras sequestradas, em particular, foram libertadas depois de as famílias pagarem resgates”, acrescentou a ONG.


A dimensão dos raptos ganhou visibilidade em Abril, com uma investigação do Observatório do Mundo Rural (OMR) de Moçambique: na altura, o investigador João Feijó disse à Lusa que centenas terão sido seleccionadas para redes de tráfico de mulheres internacionais, com um alcance tão vasto como da Europa até ao Golfo Pérsico.
O OMR ouviu testemunhos "das meninas mais bonitas” que "ao fim de uma sessão de doutrinação iam dizer às companheiras que tinham sido seleccionadas para ir estudar para a Tanzânia”.


Hoje, Mausi Segun, director para África da HRW, renova os apelos, dirigidos aos líderes dos grupos rebeldes, para "libertarem todas as mulheres e meninas em cativeiro”, e às autoridades moçambicanas, para que dêem um tratamento adequado às vítimas.


"As autoridades moçambicanas fizeram alguns progressos no resgate de centenas de vítimas de sequestro”, mas mantiveram-nas "incomunicáveis durante semanas, sem acesso às famílias, aparentemente para triagens de segurança”, relatou. A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.


Desde Julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Rwanda, a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), permitiu au-mentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, concretamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde Agosto de 2020.

 Forças de Segurança abatem  insurgentes

Forças locais de segurança no distrito de Macomia, Cabo Delgado, Norte de Moçambique, abateram, terça-feira (7), quatro pessoas que se presumem ser rebeldes após um tiroteio que se prolongou durante cinco horas, segundo testemunhos de residentes.


O confronto aconteceu de madrugada na zona de Nkoé, a 30 quilómetros da aldeia de Nova Zambézia, distrito de Macomia, ao longo da Estrada Nacional 380, referiram. O local foi o mesmo onde desconhecidos atacaram casas na semana  passada , queimando 15 habitações construídas com material precário.


"Hoje houve troca de tiros e nós já não temos medo de morrer”, disse fonte local na língua shimakonde, uma das faladas pela população atingida pela violência no centro de Cabo Delgado, acrescentando que "quatro terroristas foram mortos”.


Ainda de acordo com residentes, no local foram recuperadas quatro armas de fogo do tipo AK-47 e do lado do grupo abatido estava um jovem da aldeia de Nova Zambézia que a população classificava como espião.
"Abatemo-lo porque fomos descobrir que o jovem era usado como olheiro e matou muita gente nas matas”, acrescentou uma das fontes.



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