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Rebeldes do grupo Codeco matam 70 pessoas na RDC

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, pediu , esta terça-feira, às ao Governo da República Democrática do Congo (RDC) para investigar os ataques na província de Ituri, que fizeram 70 mortos domingo.

10/05/2022  Última atualização 06H00
Manifestantes exigem mais prudência do Governo no combate contra grupos rebeldes © Fotografia por: DR

Segundo a Reuters, Guterres apelou, através de um comunicado, às autoridades congolesas "para investigar e levar os responsáveis à Justiça”.
Os ataques aconteceram dois dias após a comemoração do primeiro ano da implementação do Estado de sítio em Ituri.

O Secretário-Geral da ONU pede ainda às autoridades congolesas para garantirem "acesso imediato, livre e desimpedido” da missão da ONU (Monosco) às áreas onde ocorreram os ataques "para facilitar os esforços de protecção dos civis”

 António Guterres exprimiu  "as mais profundas condolências às famílias das vítimas” e desejou "rápidas melhoras aos feridos”.

 Sublinhando o apoio da ONU à RDC, Guterres pede a todos os grupos armados que "ponham fim aos ataques cruéis” contra civis, ao mesmo tempo que insta-os a "participarem incondicionalmente no Processo Político no país, "depondo as armas através do Programa de Desarmamento, Desmobilização, Re-cuperação da Comunidade e Estabilização”.

 O comunicado da ONU faz referência ao ataque perpetrado no domingo pelo grupo rebelde Cooperativa para o Desenvolvimento do Congo (Codeco) numa mina próxima da cidade de Mambilidei, na província de Ituri.

 A nota da ONU diz ainda que, em consequência do ataque muitos civis estão desaparecidos.  "Os atacantes incendiaram a aldeia de Malika, onde também terão violado seis mulheres”, realça o documento.

 Depois do ataque, a Monusco, refere o comunicado,  transportou civis gravemente feridos para as suas instalações médicas na capital da província, Bunia.

A agência de notícias EFE informou, ontem, que 15 pessoas foram mortas na noite de segunda-feira num novo ataque imputado à Codeco, num campo de deslocados no Nordeste da RDC.

Desde meados de Novembro de 2021 têm ocorrido vários ataques mortais a campos de deslocados na província de Ituri, repetidamente condenados pela ONU.

 

Civis são as principais vítimas

A Codeco é um grupo rebelde pouco conhecido, que nasceu em 2018 com o objectivo de combater os abusos do Exército congolês. São-lhe imputados numerosos massacres de civis e têm multiplicado os ataques desde o ano passado na província de Ituri. Segundo o Gabinete do Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a Codeco matou mais de 400 pessoas em 2021 e tornou-se a segunda milícia mais mortífera da região.

 Confrontado com os ataques rebeldes em Ituri e na província vizinha do Kivu do Norte, principalmente pelas Forças Democráticas Aliadas (ADF), baseadas no Uganda, o Governo da RDC impôs um Estado de Sítio em ambas as províncias em Maio de 2021.

Os Exércitos da RDC e do Uganda lançaram uma operação conjunta no final de Novembro de 2021, que ainda está em curso, mas a situação no terreno não melhorou.

Desde 1998, o Leste da RDC é palco de conflitos alimentados por milícias rebeldes e ataques de soldados do Exército, não obstante a presença da Monusco que tem no país mais de 14 mil soldados .

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