Cultura

Realizador Ery Claver estreia filme este ano

Matadi Makola

O cineasta angolano Ery Claver prevê lançar ainda este ano a primeira longa-metragem, “Nossa Senhora da Loja do Chinês”, garantiu, ontem, ao Jornal de Angola, num debate realizados no âmbito da produção da séti-ma edição do Fuckin’ Globo, que decorre de 19 de Agosto a 2 de Setembro, no Hotel Globo, em Luanda.

25/08/2021  Última atualização 10H15
Cineasta angolano anunciou a estreia ainda este ano da sua primeira longa-metragem © Fotografia por: DR
O filme, sustentou, aborda várias questões urbanas e destaca a presença chinesa no país. Rodado em vários pontos de Luanda, o filme conta a história de Domingas, uma senhora amargurada pela perda da única filha, que vê o marido Bessa, à beira da morte. Para reconstruir o lar abalado, aceita comprar a novidade do bairro: uma pequena estátua de plástico da Virgem Maria, vendida na loja de Zhang Wei. 

O cineasta explicou que "Nossa Senhora da Loja do Chinês” congrega elementos da junção de cinco curtas-metragens desenvolvidas em diferentes edições do Fuckin’ Globo, como "Lúcia no Céu com Semáforos”, apresentado em 2018, numa parceria com Gretel Marín, bem como "Enóquio que não tinha coração”, realizado em 2020, em parceria com Evan Cléver.

As produções previstas na programação do Fuckin’ Globo incluem ainda a curta-metragem "Há um zumbido, Há um mosquito, são dois”, em que o realizador "espreita a figura esquizofrénica do artista angolano Toy, que assume o papel de actor”. Nesta edição há, igualmente, a estreia da curta "A Luz no Quarto era Vermelha porque não Existia Amor”, um documentário que segue intimamente duas figuras femininas, observando de forma repetitiva a sua rotina laboral. Por fim, para fechar a programação está prevista a exibição da curta "A Love Story About Power”, uma compilação de curtas-metragens sobre as consequências trágicas do poder. 

"O Fuckin’ Globo  permitiu-me fazer coisas. Foi o espaço para experimentar coisas que não podia, porque sempre trabalhei no campo da televisão e publicidade, onde tive muitas delimitações estéticas, por causa dos formalismos”, disse o cineasta.


Estética

O ambiente nocturno está bastante presente em todo a produção artística de Ery Claver. o realizador define como um conjunto de factores que foi construindo e defendendo como estética para fazer filmes. Porém, revela, a razão é pessoal e é por ser uma pessoa que gosta da noite."É de noite que absorvo o melhor das pessoas e o ritmo da cidade aqui na baixa. Acho a noite muito mais interessante. Para quem é cineasta, ela oferece cenários dramáticos”, defendeu.

A produção do realizador, disse, toma a cidade de Luanda como o grande palco dos filmes, em especial a baixa da cidade, Mutamba e arredores.Realizador e director de fotografia, Ery Claver nasceu em 1986, em Luanda. Em 2006 participou da oficina de fotografia organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Ao longo da carreira participou como fotógrafo na exposição colectiva "Dipan-da Forever”, da Trienal de Luanda, e expôs, pela primeira vez a título individual, "Notas Sobre Aqui”, no Fórum de Arquitectura da Universidade Lusíada de Luanda.
Em 2008 regressou a Lisboa, onde fez um estágio como operador de câmara e assistente de realização, na produtora "Até o Fim do Mundo”, desempenhando também a função de assistente de câmara, na curta-metragem "Momentos de Glória” (2008), de António Duarte. De volta a Luanda, em 2010 participou como operador de câmara e director de fotografia em vários documentários. Em 2013 ingressou na Geração80 e aprofundou o estilo como director de fotografia, trabalhando nas curtas-metragens "Concrete Affection - Zopo Lady” (2014), e "Havemos de Voltar” (2017), ambas realizadas por Kiluanji Kia Henda, com produção da Geração 80, tornando-se num imprescindível membro da produtora.

Ery Claver produziu as curtas-metragens experimentais "A luz no quarto era vermelha porque não existia amor” e "Há um zumbido há um mosquito são dois”, como realizador e guionista. Ambas as obras foram exibidas nas edições de 2016 e 2017 da exposição colectiva "Fuckin’ Globo”, em Luanda.

O trabalho do realizador foi, também, exibido em diversos festivais internacionais, com destaque para o de Curta-Metragem de Clermont-Ferrand, na França, o International Experimental Filmand Video Festival, em Zurique e o de Cinema Africano, nas cidades de Tarifa e Tânger.O realizador também assina o guião da primeira longa-metragem da Geração 80, "Ar Condicionado”, em parceria com Fradique.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Cultura