Cultura

Realizador Dito dramatiza a pandemia em mini-série

“Covid 19 - O inimigo invisível” é o título de uma série televisiva, do realizador Henrique Narciso “Dito”, em fase de gravação, em Luanda, do terceiro de cinco episódios, a ser exibida brevemente, na Televisão Pública de Angola (TPA).

21/04/2020  Última atualização 21H24
DR © Fotografia por: Gravação de uma das cenas da mini série a ser emitada em breve pela televisão pública

Escrita e realizada por Henrique Narciso “Dito”, a série, um projecto da TPA, retrata cenas de contaminação do novo coronavírus numa zona urbana de Luanda, proliferando-se depois para os bairros suburbanos e rurais.
O primeiro capítulo, “Contaminação” faz um retrato de contágio involuntário que começa com um jovem vendedor de água fresca, nas ruas de Luanda, que contrai o vírus de um comprador, transmitindo depois à família, vizinhos e amigos, criando um contágio comunitário, ao ponto de dizimar quase toda a população do seu bairro.
O segundo episódio, intitulado “O inimigo invisível”, narra a estória de um jovem que não obedece aos cuidados a ter para não ser infectado com a Covid 19. No serviço o jovem desobedece as normas de biossegurança, ignorando o uso de máscaras, luvas e materiais de desinfecção, preferindo conviver com colegas e amigos do bairro. O jovem revela total imprudência perante o perigo da pandemia, ao ponto de contaminar a família e pessoas próximas.
“Contaminação 2”, o terceiro episódio da série, começa a ser gravado amanhã e vai ficcionar as diferentes formas de contaminação da Covid 19 na periferia. A série começou a ser rodada em finais de Março, depois do Ministério da Saúde ter publicado os primeiros casos de contaminação importada do novo coronavírus no país.
De acordo com o realizador, a série de cinco episódios aborda assuntos ligados ao comportamento menos correcto e perigoso de alguns cidadãos, quanto aos cuidados a ter para não ser infectado e não transmitir a Covid 19.
O objectivo da série, disse o cineasta, é sensibilizar e chamar a atenção sobre os perigos de transmissão do vírus, que tem uma capacidade letal em termos de mortalidade, no local de serviço e nas famílias.
Para o realizador, a dramatização de forma pedagógica de um determinado assunto na televisão é uma das melhores formas de fazer passar a mensagem para indivíduos de todos estratos sociais. “Infelizmente, as pessoas só consideram o perigo depois de o azar lhes bater a porta. Levar um assunto deste na forma de imagem em movimento associada ao som, as pessoas percebem facilmente” disse, acrescentando ser predominante, nos cinco episódios, a mensagem do cumprimento do Decreto Presidencial que orienta as pessoas a ficarem em casa, como melhor forma de se prevenir do inimigo invisível. Questionado se não estaria a quebrar as regras do confinamento e distanciamento social com a produção da série, Dito justifica estar a usar a técnica de “perspectiva de imagem”, que embora no plano fotográfico, as personagens parecerem estarem próximas nas filmagens, salvaguardam o distanciamento social recomendado entre os actores. Quantos aos objectos partilhados, o realizador disse que embora na série o cigarro que é trocado entre actores parecer o mesmo, ao longo das gravações têm sido usadas técnicas que permitem o uso de vários outros objectos, no sentido de se evitar contacto entre os actores.
“Temos usado rigor, profissionalismo e todos os cuidados possíveis das medidas de protecção contra o contágio da Covid 19, para transmitirmos da melhor forma possível nas telas da TPA o apelo a população angolana, no sentido de se evitar o menor número de contágio em Angola”, disse.

Perfil do realizador
Henrique Narciso “Dito” é formado nas escolas da Televisão Pública de Angola, na área de ficção, onde começou como assistente de câmara aos 16 anos de idade. É considerado um dos precursores do cinema da nova geração. Entre os anos de 2005 e 2012 marcou consideravelmente o ressurgir da produção de filmes nacionais e, consequentemente, proporcionou o surgimento do Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda), em 2008. Em 2007, produziu o primeiro longa-metragem “Assaltos em Luanda I ”, ao que se seguiram “Assaltos em Luanda II”, “A Guerra do Kuduro”, “O Emigrante”, “O Destinado”, “Moamba da China”, “Socorro África” e “Manga de 10”. Dito venceu, em 2004, o Festival de um minuto, realizado pela Alliance Française, o Prémio 35 Graus, na categoria das artes, em 2009, e foi menção honrosa na quinzena de cinema em Abidjan, em 2009. Participou em vários festivais internacionais de cinemas.

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