Economia

Reabilitação da estrada Bibala ao Camucuio alenta a população

João Upale | Moçâmedes

Jornalista

A construção da rodovia de 95 quilómetros retomou este ano, depois de interrompida, em 2016, trazendo empregos de remuneração considerada recompensadora para os operários e expectativas de crescimento económico da região de eminente vocação agro-pecuária.

16/09/2022  Última atualização 07H10
Obras na província do Namibe © Fotografia por: António Soares | Edições Novembro | Cabinda
A principal via de comunicação que liga o município do Camucuio ao da Bibala,  a norte da província do Namibe, está  a ganhar um novo rosto e maior segurança na mobilidade de pessoas e bens, em decorrência de obras de reabilitação  que continuam a galgar terreno.

Numa extensão de 95 quilómetros  está a ser reabilitada a Estrada Nacional (EN) 103, que atravessa o trajecto entre Bibala, Caitou e Camucuio. Máquinas quantitativa e qualitativamente seleccionadas "roncam” ao longo do percurso e, tripuladas por jovens maioritariamente nacionais, alguns oriundos de Luanda, Cuanza-Sul e de outras paragens de Angola, esmeram-se no trabalho que, a olhos nus, pode vir a conceder maior confiança quanto à durabilidade dos pavimentos, tão logo as obras forem concluídas, provavelmente, no próximo ano.

A reportagem do Jornal de Angola que no local constatou estes factos soube do encarregado da frente-de-obra, da Telhabel, empresa encarregue da execução, José Abílio Jai Kawele, terem já sido asfaltados cerca de quatro quilómetros, na direcção Bibala-Camucuio, que presumivelmente podem estender-se para 30, até Dezembro deste ano.

O traçado é uma obra de continuidade e está inscrito no quadro do Programa de Investimentos Públicos (PIP), sendo dono da obra o Governo Provincial do Namibe, que projecta "garantir a confortável circulação e segurança aos cidadãos, mercadorias e bens”, segundo uma fonte do Governo local.

Ao longo do percurso, a nossa reportagem verificou que, da Bibala à comuna do Caitou, ao longo de 50 quilómetros, o processo inicial de terraplanagem, drenagem e pavimentação, seguido do leito de pavimento, sub-base, base e mistura betuminosa em camada de desgaste, quase que superou as expectativas, adivinhando-se um reduzido espaço de tempo até que emerja o tapete negro, tal é a "performance” na compactação da camada (a base) que antecede o asfalto.

No início da obra, foram priorizadas a sinalização vertical e horizontal, bem como a protecção ambiental que se seguiu à drenagem, de acordo com José Jai Kawele. A fonte lembrou que as obras iniciaram em 2014 (em coincidência com a crise da queda do preço e da produção de petróleo), mas, paralisaram em 2016, sendo reatadas em 2021. Desta até à presente data "nunca mais parámos”, estando agora a obedecer um duplo critério, ou seja, as acções são realizadas nos dois sentidos.

Partindo do Camucuio (sede municipal) à Bibala, a execução dos aterros terminou no dia 20 de Agosto, e, neste momento, é feito o lançamento do sub-leito, informou José Jai Kawele, que revelou ter a empresa concluído com a aplicação da sub-base, ao longo de mais de 40 quilómetros, na direcção Bibala-Caitou.

Referiu que os trabalhos paralisaram num curto espaço de tempo, em Agosto, para permitir aos trabalhadores exercerem o voto nas eleições. O engenheiro, responsável pela empreitada,  pediu aos trabalhadores dispensados para votarem e regressarem às obras no  dia 29 do mês passado, a fim de darem sequência ao lançamento do sub-leito do Camucuio ao Caitou.

"Já removemos a camada dura e o que falta é pouco. São agora as camadas muito leves e corridas que não vão levar por mais tempo”, disse, para explicar que a construção de uma estrada começa pelo fundo de caixa, seguida de aterros, sub-leitos, sub-base, base e asfalto.

A subcontratação pela Telhabel, da Prefangol, outra empresa responsável pela implantação nas imediações da sede comunal de Caitou, de uma central de betão, constitui um ganho para a aquisição de inertes como as britas e pó de pedra, úteis para trabalhos que impõem durabilidade, considerou  José Jai Kawele.

Em termos de aquisição do material adicional para a construção, José Abílio Jai Kawele diz haver total disponibilidade, mas lamenta a carência da água em lugares próximos, o que custa à construtora transportá-la a partir de Tchimpopilo e outros rios intermitentes, num perímetro de cerca de quatro quilómetros, para auxiliar no borrifar do chão e não só. A remoção de "pontecos” do tempo colonial dá lugar a obras de engenharia mais complexa, envolvendo tubos em arco metálico reforçado com uma massa em betão, para facilitar a drenagem das águas da chuva.

A fonte notou que a Telhabel está encarregue apenas da construção da estrada asfaltada, sendo a reposição das pontes da responsabilidade do dono da obra (Governo Provincial),  salvo se houver outros acordos para dar continuidade a esta necessidade tão incontornável. "Se o Governo achar conveniente que a Telhabel possa dar prosseguimento ao trabalho quanto à colocação das pontes, nós estamos capacitados para o fazer”, assegurou.

O responsável entende que a asfaltagem pode ser concluída, mas sem pontes e havendo muita chuva, "quase que foi feito nada”. Com chuva, o trabalho pára, dando seguimento nos dias em que não cai, isto para evitar o deslize das máquinas em pavimentos escorregadios, explicou. Para facilitar o trabalho, foi feita uma via alternativa e em condições para permitir que os utentes circulem à vontade, sem criar constrangimentos aos operadores das máquinas.

Recompensados pelo trabalho

Um total de 34 trabalhadores, dos 80 concentrados no Camucuio, no sentido Norte-Sul, não mede a esforços no cumprimento das tarefas que lhes foram confiadas, uma vez que os salários, situados entre os 80 e os 400 mil kwanzas, são garantidos sem atraso. Jai Kawele confirmou isso mesmo, considerando que o que ganham "já é bom” para sustentar as famílias.

Munícipes e aldeões interpelados  manifestaram expectativas quanto à evolução da obra, projectando o progresso e o desenvolvimento que a estrada, bem asfaltada, poderá promover no seio das comunidades, trazendo consigo a prosperidade, como o disse o jovem Ndandi Komundija Xapalalo, 31 anos, que circulava a reboque de uma motorizada.

À estrada, a população junta outras aspirações, como a implantação de serviços de telefonia móvel, antenas parabólicas, mais escolas e infra-estruturas comerciais na sua zona de origem. "Quando a construção desta estrada for concluída, daqui para a Bibala só vai ser um passo”, disse.

Cientes das vantagens que a estrada asfaltada traz, principalmente no seio das comunidades rurais, no que toca à dinamização das trocas comerciais numa região com forte potencial agro-pecuário, a expectativa é grande por parte dos camponeses ouvidos pela nossa reportagem. Convidam  empresários a estabelecerem contactos com as administrações municipais locais, a formalização e consequente implementação de mais estabelecimentos.

Por sua vez, a estudante Isabel Pedro manifestou satisfação pela empreitada em curso. Na ânsia de aumentar o nível de escolaridade, já pensa em instituições académicas que vão ao encontro às suas preferências. "Prefiro continuar os meus estudos entre a Bibala e Camucuio, embora poderei, às vezes, fazer o vai e vem, porque o tempo a percorrer será curto”, declarou, prevendo que o movimento rodoviário vai triplicar neste corredor, por causa das transacções comerciais e o escoamento de produtos das zonas de produção para os principais centros de consumo. Com isso, pensa poder vir a ter conforto nas suas deslocações.

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