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Ramaphosa recebeu doação de organização sob suspeita

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, comprometeu-se este fim-de-sema-na em devolver os 35 mil dólares, doados por uma em-presa privada, para a campanha em que se empenhou quando participou na última corrida para a liderança do seu partido, o ANC.

21/11/2018  Última atualização 08H06
DR © Fotografia por: Cyril Ramaphosa diz ter sido induzido em erro durante a campanha para a liderança do ANC

A empresa doadora foi a “Bosasa”, que está sob investigação judicial, depois de  acusada de diversos crimes de fraude e corrupção, que envolvem membros do actual e do antigo Governo, para a alegada concessão de facilidades em contratos milionários com o Estado.
Inicialmente, Cyril Ramaphosa disse que esses 35 mil dólares teriam sido pagos directamente ao seu filho, Andile, por alegados serviços de consultoria por este prestados. Mais tarde admitiu tratar-se de uma doação para a sua campanha, feita através do filho, e negou, contudo, admitir que isso  enfraqueça ou comprometa a sua luta contra a corrupção.
Para tornar a situação mais transparente, Cyril Ramaphosa anunciou, publicamente, que tinha ordenado aos coordenadores da sua campanha para fazerem uma “revisão exaustiva” sobre a proveniência de todas as doações.
O Presidente sul-africano disse, ter sido induzido em erro, quando no passado dia 6 respondia no Parlamento a perguntas sobre a doação feita pela “Bosasa”, o que o levou a dizer tratar-se de um “pagamento legítimo” ao seu filho Andile, que foi um dos principais responsáveis pela recolha de doações, du-rante a campanha, para a liderança do ANC.
De acordo com a imprensa sul-africana, a meio da se-mana passada, numa carta enviada ao Parlamento, Ra-maphosa disse ter sido informado que a doação dos 35 mil dólares entrou num fundo, usado na campanha, para a sua liderança do ANC.
Para fechar o assunto, no início desta semana, um porta-voz do ANC, Zizi Kodwa, anunciou que o Presidente decidiu, voluntariamente, devolver do seu bolso os 35 mil dólares recebidos da “Bosasa”.
A oposição parece não ter ficado satisfeita com as explicações e o modo como Ramaphosa lidou com o problema, disse que essa doação é “tão suspeita de corrupção, como o são outros contratos feitos pelo Governo do ANC”.
Mmusi Maimane, líder do principal partido da oposição, a Aliança Democrática, considerou que a doação da “Bosasa” e as “atrapalhadas” explicações do ANC, deviam ter uma consequência política com a “indiciação judicial”de todos os envolvidos.

“Caso Zuma”
Prossegue na África do Sul a audição de testemunhas envolvidas no processo ju-dicial em que o antigo Presidente Jacob Zuma respon-
de por diversos crimes de corrupção.
Ontem, foi a vez do ex -ministro das Finanças, Pravin Gordhan, responder perante uma comissão de inquérito especial, afirmou que em 2017 o Governo de Jacob Zuma “foi manipulado e abusado para o benefício de algumas famílias”.
Considerou-se “um membro involuntário” do Governo de Zuma, Pravin Gordhan afirmou que o então Presidente da África do Sul “autorizou um clima de impunidade que permitiu a corrupção”.
De acordo com a imprensa sul-africana, Pravin Gordhan não apontou qualquer nome, mas referiu o facto de Zuma, ter concedido lucrativos contratos públicos e vantagens indevidas à família Gupta.
Actual ministro das Empresas Públicas, Pravin Gordhan, sublinhou que o desvio de verbas do erário público, na parte final do mandato de Jacob Zuma, que terminou no início do ano, foi de 6,3 biliões de dólares.
Gordhan salientou, ainda, que os crimes tiveram “impacto muito significativo no crescimento económico” na África do Sul, com uma economia, actualmente, em recessão.

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