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Ramaphosa favorito a reeleição na liderança do ANC

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, parece estar firmemente à frente na corrida para liderar o Congresso Nacional Africano (ANC) nos próximos cinco anos.

24/11/2022  Última atualização 08H10
Líder sul-africano luta por mais um mandato à frente do partido e consequentemente do país © Fotografia por: DR
Segundo a Reuters, o resultado das nomeações para as seis primeiras posições do ANC, anunciado na terça-feira, viu Ramaphosa conquistar mais que o dobro do seu rival mais próximo, Zweli Mkhize, ex-ministro da Saúde que renunciou durante a Covid-19 perante acusações de corrupção.

Ramaphosa obteve 2.037 indicações contra 916 de Mkhize, numa altura em se prepara para encarar a Justiça num processo que se encontra no Parlamento.

O tesoureiro-geral cessante do ANC, Paul Mashtile, lidera a corrida para vice-presidente, que o colocará contra dois outros concorrentes. Com as indicações finalizadas, os membros votarão nos seis primeiros cargos durante a 55ª Conferência Nacional Electiva do partido em Dezembro.

As indicações das filiais do partido são indicativas do resultado final, pois os votos serão dados pessoalmente pelos representantes das filiais no primeiro dia da conferência. O novo presidente do ANC será o futuro chefe de Estado da África do Sul, caso o partido vença as eleições de 2024.

Mas, nem tudo são sorrisos para Cyril Ramaphosa. Um relatório sobre um suposto escândalo de corrupção direccionado contra si será examinado a 6 de Dezembro por uma Comissão Parlamentar independente, que foi criada propositadamente em Setembro.

"A Comissão Parlamentar reuniu e decidiu adiar para o próximo dia 30 a apresentação do relatório, antes do Congresso do  ANC”, disse à AFP o porta-voz do Parlamento , Moloto Mothapo.

O ANC deve reunir-se a partir de 16 de Dezembro para escolher se quer ou não indicar Ramaphosa para um segundo mandato nas eleições presidenciais de 2024, reelegendo-o presidente do partido.

Sucessor de Jacob Zuma, que foi forçado a renunciar em 2018 após uma série de escândalos, o actual presidente deve enfrentar uma acusação de corrupção que ele prometeu erradicar.

De acordo com uma denúncia apresentada em Junho pelo ex-chefe de inteligência sul-africano Arthur Fraser, assaltantes invadiram uma fazenda de Ramaphosa no Nordeste do país, em Fevereiro de 2020, onde encontraram grandes somas de dinheiro.

Cyril Ramaphosa é acusado de omitir a acção dos assaltantes à sua propriedade à Polícia bem como os valores às autoridades fiscais. ́ ́E ainda acusado de subornar os  ladrões para silenciar o caso.

 O presidente do ANC, que  foi, repetidamente, atacado sobre o assunto durante sessões na Assembleia, negou as acusações, questionando os valores mencionados e sustentando que o dinheiro encontrado era, na verdade, proveniente da venda de gado. 

Na África do Sul, o "impeachment” do Chefe de Estado está sujeito a uma maioria de dois terços dos votos na Assembleia Nacional. O ANC liderado por Cyril Ramaphosa detém mais de dois terços dos assentos.

No fim-de- semana foi anunciado que o ANC vai vender bens imobiliários no estrangeiro para saldar uma dívida de 500 milhões de rands (27,9 milhões de euros).

 "A nossa abordagem é muito abrangente relativamente aos  activos, pois sabemos que o ANC esteve no exílio por muitos anos. Tomamos a decisão de avaliar alguns desses activos e vamos colocar todas as nossas propriedades numa empresa", declarou o tesoureiro-geral do partido, Paul Mashatile, aos jornalistas, segundo a Reuters.

O dirigente sul-africano, que falava a propósito de uma reunião da direcção do partido realizada no fim-de- semana, sublinhou que "há imóveis em outros países" que o ANC acredita que não terá mais necessidade de usar e por isso "serão vendidos".

 

  Janusz Walus beneficia de liberdade condicional


O Tribunal Constitucional da África do Sul anunciou, ontem, a liberdade condicional do imigrante polaco Janusz Walus, que matou o líder comunista sul-africano Chris Hani, após quase 30 anos de prisão.

Janusz Walus, 69 anos, cumpre pena de prisão perpétua na África do Sul pelo assassínio de Chris Hani, na altura líder do Partido Comunista da África do Sul (SACP) e dirigente da ala armada do ANC, em Abril 1993, à porta da sua casa, no subúrbio de Boksburg, leste de Joanesburgo.

O crime agravou as tensões raciais no país, ameaçando descarrilar por completo as negociações em curso entre o regime de minoria branca sul-africano e o ex-movimento de libertação liderado por Nelson Mandela, com vista às primeiras eleições democráticas e multi-raciais que se realizaram em Abril de 1994.

Segundo a Efe, na leitura do julgamento, o presidente do Tribunal Constitucional e chefe da Justiça sul-africana, Raymond Zondo, considerou que "já se passaram mais de 15 anos desde que Walus se tornou elegível para liberdade condicional", ordenando que a libertação seja feita em 10 dias.

 O juiz sul-africano, sublinhou que Walus "pediu desculpas à família mais de uma vez".

 

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