Opinião

Queda de avião

Li com bastante preocupação as notícias que apontavam para a queda do avião, numa zona residencial no Leste da República Democrática do Congo (RDC), um país a braços com problemas de despenhamento de aviões.

28/11/2019  Última atualização 09H06

A perda de quase trinta vidas humanas é uma tragédia para o país, famílias e pessoas próximas. É altura de corrigir essa situação. A RDC não pode continuar a ser um espaço de navegação para as aeronaves, com um percentual de probabilidade de despenhamento que ronda aos 70 ou 80 por cento. Não é exagero dizer que a RDC é dos piores locais para os aviões se fazerem ao ar, atendendo aos acidentes sucessivos de aviação e, para piorar, sem que as autoridades locais sejam capazes de corrigir o presente quadro. O país é extenso, em termos territoriais, e a via mais rápida para ligar o país tem sido a via aérea, mas infelizmente são as “máquinas voadoras” que mais se assemelham a “caixões voadores”. Se houvesse rigor e inspecção que determinasse quais as aeronaves que teriam condições para voar na RDC, não duvido, que 80 ou 90 por cento dos aviões que sobrevoam o espaço aéreo daquele país vizinho nunca mais deviam voar. Grande parte dessas aeronaves, além de não fazerem as manutenções técnicas regulares, já há muito deviam paralisar e fazer parte de museus, como sucede noutros países. As empresas de transportes aéreos deviam ser “passadas a pente fino” para que as mesmas não continuem a importar aeronaves envelhecidas, que acabam por ter um tempo de vida útil completamente de risco. Embora seja algo que se passa na RDC, na verdade, é bom que fiquemos vigilantes para que os efeitos do actual estado de coisas que ocorre na RDC, com aviões a voarem com um elevado grau de probabilidade de despenharem, não venham a acontecer aqui. Espero mesmo que as rotas desses “caixões voadores”, na RDC, não incluam o território angolano, a menos que sejamos capazes de nos certificar de outros pormenores que garantem segurança aeronáutica.
Maurício Kemba |Maquela do Zombo

Lixeira e consciência
Vivo em Luanda há mais de 50 anos e escrevo para o Jornal de Angola para falar sobre o lixo, que se está a tornar já num problema de consciência. Quando alguém na rua não se importa de deitar o lixo que produziu no chão, com a alegação de que o “chão já está sujo”, estamos mesmo perante um problema de consciência. O facto de o chão estar sujo não significa que o devamos sujar mais ainda. Quando há espaço no contentor e as pessoas preferem deitar o lixo no chão em vez de depositá-lo no contentor, estamos perante um problema de consciência. E problema de consciência é o que sucede em muitos bairros cujas casas abandonadas, becos e ruelas acabam como verdadeiros depósitos de lixo. Não pode ser e acho que a sensibilização deve ser uma arma a ser usada pelas entidades com responsabilidades acrescidas ao nível da governação. Tem de haver uma classe de profissionais, não sei bem se os assistentes sociais, que tenham como função, entre várias, a de sensibilizar as famílias e pessoas singulares no sentido de uma postura mais consentânea com os desafios que a sociedade enfrenta para lidar com o lixo.
António  Gonçalves|Cazenga

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