Opinião

Que nada se estrague nos campos agrícolas

Com a aquisição de 500 viaturas de carga, com capacidade média de 6,5 toneladas, que serão depois vendidas aos operadores de transporte de mercadorias para pagamento em regime de prestações, o Executivo acaba de dar um passo importante no reforço do comércio rural e de escoamento dos produtos do campo para os grandes centros de consumo.

22/12/2020  Última atualização 10H09
Trata-se de veículos com capacidade de tracção que permite chegar a zonas de difícil acesso.
O Governo pretende, com essas acções, fazer com que os produtos agrícolas não se estraguem no campo e cheguem à mesa das famílias a preços acessíveis.

Os liberais dirão que não é função do Governo comprar viaturas de carga para depois as vender aos operadores de transporte de mercadorias para pagamento em regime de prestações. Dirão mesmo que é competência das concessionárias comprar viaturas e colocá-las no mercado para venda livre e a preços competitivos. O Estado deve apenas regular o mercado e não ter uma intervenção directa no processo de compra e venda de viaturas.

São preocupações legítimas, mas face ao actual momento de incremento rápido da produção nacional e substituição das importações, esta intervenção do Governo faz todo o sentido. O que se pretende é que nada mais se estrague no campo. E as concessionárias, como se sabe, têm como objectivo o lucro. Não são instituições de caridade.

A propósito, o Ministério da Indústria e Comércio fez saber que há um plano bem estruturado de apoio aos operadores de transporte de mercadorias no quadro do comércio rural, documento que define as regras de aquisição e gestão dos meios de transporte, que passam pela realização de concursos públicos.

Não se trata de oferta aos operadores de transportes. O Estado não vai adquirir viaturas para oferecer. Trata-se, efectivamente, de uma aquisição para acelerar o comércio rural. Ao contrário do que acontecia no passado, em que o Estado era o eterno Pai Natal, a dar presentes a meia dúzia de ungidos, nesse processo as responsabilidades são repartidas com os operadores privados.

As 500 viaturas serão, em regime de concurso público, passadas para os operadores de transporte de mercadorias com a obrigação de serem pagas dentro de regras pré-estabelecidas. Nada será a custo zero, embora as modalidades de pagamento sejam flexíveis. Numa primeira fase, vão ser privilegiadas as sete províncias que estão no plano piloto para o desenvolvimento do comércio rural. Pela sua assinalável capacidade produtiva, são, nomeadamente, as províncias do Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Benguela, Bié, Huambo, Malanje e Namibe.

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