Economia

Quatro minas de ouro entram em exploração em Angola

Pelo menos quatro projectos de ouro começam a ser explorados, no decurso deste ano, em três províncias do país, com Cabinda a domiciliar dois, informou o administrador da Ferrangol, empresa pública que gere e controla a produção de metais ferrosos em Angola.

17/04/2019  Última atualização 19H20
Edições Novembro © Fotografia por: Projecto do Chipindo está em fase avançada, com o arranque previsto para este semestre

Kayaya Cahala, que falava em Luanda, na segunda-feira, numa palestra subordinada ao tema “Dados sobre a Actual Actividade do Ouro em Angola”, no âmbito da comemoração do Dia do Trabalhador Mineiro Angolano, que se assinala a 27 de Abril, adiantou que, no global, os quatro projectos vão garantir uma produção anual de 25 mil onças (mais de 700 quilogramas de ouro).
Segundo o responsável, o projecto do Chipindo, na província da Huíla, iniciado em 2011, é o mais importante e o mais avançado, estando a sua entrada em produção prevista para o primeiro semestre deste ano.
Com uma área de 664,30 quilómetros quadrados, a mina de Chipindo apresenta um tempo de vida útil de sete anos e vai criar 70 postos de trabalho directos. “Neste momento é o mais importante, porque já se pode ver o ouro, a actividade de extracção já iniciou e estamos numa fase de ensaios”, referiu.
Também em fase avançada, disse, estão os projectos de Buco-Zau, na provínciade Cabinda, numa área de 322,80 quilómetros quadrados, estimando-se um tempo de vida útil de 57 anos, tendo em conta o ritmo de produção lento a imprimir na primeira fase, com previsão de entrada em produção também no primeiro semestre deste ano, antes do final de Junho. “A mesma coisa vai acontecer com o projeto Lufo em Cabinda, que tem recursos médios de quase 150 mil onças”, disse Kayaya Cahala.
O projecto do Lufo, segundo o responsável, verifica um pouco mais de atraso, por isso o seu arranque está previsto para o segundo semestre deste ano, que terá a duração de 33 anos, devido também a uma produção pouco volumosa.
Também com arranque previsto para o segundo semestre deste ano, em Outubro, está o projecto Tiandai Mining, no município de Nambuangongo, província do Bengo, de depósitos primários, com reservas de 1,5 milhões de toneladas.
Com a entrada em funcionamento destes projectos, anunciou o director da Ferrangol, prevê-se a partir de 2019 uma produção de cerca de 29 mil onças, que deve atingir o pico, em 2022, passando para 35 mil onças, referiu.
O administrador da Ferrangol disse que são várias as intenções de investimento que o Estado recebe, mas a sua materialização é dificultada por questões financeiras.
“São várias intenções, mas o grande problema é que não é fácil os investidores comprovarem a capacidade. Vários vêm, mas depois não materializam aquilo que prometem, não vão ao âmago do problema, é o caso do Mpopo, que iniciou há muito tempo, mas que até agora não chega a uma fase de produção”, disse.
O projecto do Mpopo, na província do Huíla, um dos primeiros a ser desenvolvidos, em 2009, não atingiu ainda a fase de exploração, por questões financeiras, afirmou o responsável.
“Do ponto de vista técnico não há problema nenhum, o projecto tem estudo de viabilidade devidamente auditado, aprovado, mas a parte financeira impede o início dos trabalhos, neste momento estamos a desenvolver esforços para alocarmos fundos, contratando outros grupos empresariais
fortes, para poderem dar início aos trabalhos de exploração”, explicou.
Sobre o garimpo de ouro no país, Kayaya Cahala admitiu que se trata de uma realidade e que as autoridades têm criado condições para a segurança das áreas de actividade mineira.
“É uma questão a que não podemos fugir, evitar facilmente, porque são pessoas que na calada da noite actuam. O interesse desmedido é que faz com que as pessoas não meçam esforços, enfrentam as forças da Ordem Pública, vão para as áreas e desenvolvem as actividades”, disse.

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