Economia

Quase 500 mil toneladas de carne são produzidas no Cuanza-Norte

Marcelo Manuel | Ndalatando

Jornalista

Uma produção de 463 toneladas de carne foi realizada, no ano passado, no Cuanza-Norte, com incidência para 358,5 toneladas de carne bovina obtidas de produtores tradicionais e empresariais, afirmou, quinta-feira, em Ndalatando, o chefe do Departamento Provincial do Instituto de Veterinária local.

15/01/2022  Última atualização 08H15
Cuanza-Norte tem produção robusta de frango, apesar de a oferta de carne bovina ser maioritária © Fotografia por: nilo mateus | edições novembro | ndalatando
João Alfredo indicou à nossa reportagem que, em 2021, o Matadouro Industrial do Dondo (Unicarnes), em pleno funcionamento depois de ter arrancado em 2019 com uma capacidade instalada para o abate de 30 bovinos e 40 caprinos por hora, forneceu a maior cifra, com uma oferta de 323,9 toneladas de carne de vaca.

O potencial da província foi reforçado com a reabertura do Matadouro de Camabatela, onde a capacidade de abate é de 250 bovinos e 150 caprinos por dia, numa operação que pode ser favorecida pela região em que está implantado.

A região conta com um efectivo pecuário de 30 131 bovinos, com o município de Cambambe a deter 18 918 cabeças, 18 520 das quais na Fazenda Pamado, um efectivo constituído por diversas raças, incluindo búfalos,

O município de Ambaca possui 8 179 bovinos (1 224 ligados ao sector familiar), 14 768 suínos, 14 146 ovinos, 53 767 caprinos, 202 equinos e 100 154 aves, com tendência para o crescimento.


Gado do Chade

João Alfredo considera que a situação zoossanitária do Cuanza-Norte manteve-se estável, apesar da existência de focos de dermatofilose (DPH) e de ocorrências parasitárias e respiratórias bovinas que vitimaram 747 animais provenientes do Chade. Também foram registados 11 roubos de gado em Ambaca.

A fonte afirmou que a situação sanitária foi controlada com intervenção medicamentosa baseada em antibióticos e desenvolvida por técnicos do Departamento Provincial da Agricultura.

O Cuanza-Norte detém um total de 1 125 bovinos provenientes do Chade, depois de ter controlado a mortandade inicial ligada ao gado dessa proveniência. "Não existe mais mortalidade por DPH, nem por tristeza parasitária bovina e nem por casos respiratórios”, disse.

Destacou a existência de criadores que praticam o melhoramento de pastos, facto que, no ano passado, permitiu a criação de 252 hectares de superfícies de capim aperfeiçoado, dispondo-se de um espaço de pasto natural de cerca de 121 394 hectares.
De acordo com o responsável, no período em análise, foram imunizados 743 animais contra a PPCB, raiva, dermatite nodular, carbúnculos hemáticos e sintomáticos.

Salientou que, em tempo de chuva regista-se, em Ambaca, uma acentuada mortalidade entre o gado suíno e aves dos criadores familiares, algo que está a ser solucionado depois do Instituto de Veterinária ter criado um projecto de apoio técnico focado na adopção de medidas de prevenção sanitária.

João Alfredo revelou, como parte da actividade dos serviços que dirige, o registo de 120 casos de mordedura canina, três dos quais com diagnóstico clínico de raiva.


Um milhão de ovos 

O chefe de Departamento do Instituto de Veterinária do Cuanza-Norte anunciou que, em 2021, a produção de ovos atingiu a cifra de 1 052 584 unidades, o que inclui contributos da criação de patos, avestruzes e gansos.

Das três unidades avícolas privadas de produção de ovos implantadas na província, uma encontra-se paralisada, com o Cuanza-Norte a deter capacidade para a produção de seis mil pintos por mês.

O Matadouro de Aves do Lucala, com a capacidade instalada para o abate de 32 mil  aves por dia, encontra-se paralisado há mais de 5 anos, enquanto a fábrica de ração animal, situada na região da Pamba do Sector, está em pleno funcionamento, com a produção de 400 toneladas mês.

João Alfredo anunciou que o Departamento Provincial do Instituto de Veterinária arrecadou para a Conta Única do Tesouro, no ano passado, 11,89 milhões de kwanzas em operações de vacinação, tratamento, inspecção, fiscalização e licenciamento de estabelecimentos comerciais e fazendeiros.

A insuficiência de pessoal técnico, administrativo e de meios de transporte constam entre os principais constrangimentos do sector. "O nosso Departamento possui apenas 12 técnicos e quatro trabalhadores administrativos, dos 48 funcionários possíveis”, lamentou.
O chefe do Departamento do Instituto de Veterinária no Cuanza-Norte propõe a criação,  a curto prazo, de postos de fiscalização veterinária nas três principais entradas da província, para melhor controlo na entrada de animais.

Com dez 10 municípios, clima tropical húmido, pasto misto e uma área de 24 110 quilómetros quadrados de superfície, o Cuanza-Norte tem uma densidade  de um bovino por quilómetro quadrado e vários rios permanentes, como o caso do Kwanza, Lucala, Cuso, Samba, Quiongwa, Cajú, Mandambela e  Luinga.

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