Cultura

Quando o sonho de infância se torna realidade

Juliana Domingos| Huambo

Jornalista

O jovem acarretado com todos esses atributos profissionais e académicos é, por “disciplina e rigor”, como o próprio diz, Atanagildo Paulo, uma voz que ecoa potente nas manhãs de informação e nos principais blocos de notícias da Emissora Provincial do Huambo, do grupo Radiodifusão Nacional de Angola.

29/08/2021  Última atualização 10H27
© Fotografia por: Cedidas
"Quando fui admitido em 2002 na Rádio Nacional de Angola, como jornalista, era o concretizar de um sonho de infância. É que, desde miúdo, gostava de questionar tudo e todos, uma característica própria dos jornalistas, a de fazerem sempre perguntas, até as mais importunas, em busca da informação”.

Atanagildo Paulo recorda que começou a frequentar o estúdio da Rádio Huambo quando, por convite da Direcção de Informação, participou de um programa infantil. "Peguei de estaca, com toda a fé do mundo, esta oportunidade. Nunca mais saí deste fascínio de fazer rádio. É como se diz: cheguei, fiquei e conquistei o meu espaço”, regozija-se.

O exercício do jornalismo tem sido, para o também sociólogo, "uma escola onde se aprende todos os dias”, embora reconheça ser uma profissão que exige enormes sacrifícios, em nome do "dever de informar o público”, mesmo em ocasiões em que se tem um membro da família doente.

É no veterano radialista Mateus Gonçalves, da Rádio LAC - Luanda Antena Comercial, que encontrava inspiração na leitura dos factos, embora assegure que sempre procurou fazer o seu próprio caminho, enquanto "digno seguidor” dos que o antecederam na arte de comunicar com o público.

"A legião de referências, no radialismo, é infinita. Mas a maneira como o Mateus Gonçalves lê ajudou-me, profundamente, a articular a leitura das palavras, para não, por desatenção, ‘comer’ as vogais e as consoantes, o que é comum acontecer nesta profissão”. 


Há em franca ascensão, nas rádios no Huambo, um número razoável de jovens com "excelentes vozes”, pelo que, diz Atanagildo Paulo, a passagem de testemunho dos mais-velhos tem sido "bem conseguida”, sem os anteriores "ralhetes” de que "tens, ainda, de aprender muito para chegar ao meu nível”.

"A transição tem sido bem conseguida, bem pacífica. São, em muitas ocasiões, os veteranos que nos chamam, sem qualquer receio, para apresentarmos uma determinada matéria. Estamos, no sentido da mudança geracional, no bom caminho”, confessa.


Música, teatro e literatura na alma

Atanagildo Paulo de Castro, de seu nome completo, nasceu no dia 26 de Novembro de 1986, no Bairro São José, na província do Huambo. 


 "O casamento, com as melhores condições, vai sair para consagrar o amor que a minha mulher me dedica”, garante.
Se o jornalismo radiofónico é o seu "maior sonho'”, então, a música e o teatro fazem parte deste universo de paixões. "No ano 2000, comecei a fazer teatro. Encarei-o com normalidade, como aconteceu no jornalismo”.

O teatro, desvenda, ajudou-o bastante na trajectória de comunicar com o público, tendo feito parte, em 1999, do grupo União e, depois, do Vozes de África. "Foi uma obra de arte para mim. O teatro obedece à estruturação do material, bem como à ética e deontologia profissional”.

A representação facilitou a sua trajectória, pelo que, disse, abraçar a literatura "foi, apenas, mais um passo”, sendo actualmente membro da Associação de Literatura Angolana no Huambo.

É na pele de escritor e compositor das próprias músicas que Atanagildo Paulo diz sentir-se "um sonhador da beleza da vida”, que tem a sociologia como "repouso” de tudo que exprime nas suas criações.

Em 2013, lançou a sua primeira obra literária intitulada "O caçador sem carne”. Em seguida, em 2014, chega ao mercado "O prazer veneno”, um conjunto de histórias que retratam o quotidiano da juventude, os valores morais, a paciência e a perseverança.

A obra "Pétalas”, escrita em 2015, está, até ao momento, engavetada por dificuldades financeiras. "Está tudo pronto. Vamos lançar quando tivermos as condições criadas”, conta.


A 29 de Fevereiro último, o escritor comemorou 20 anos de carreira, com uma actividade bastante concorrida, realizada na Biblioteca Provincial.

Em Junho último, mostrou outra vertente da sua veia artística ao lançar a obra discográfica "A Honra”, com 10 faixas musicais. "Há um bom feedback por parte do público. É um ensaio do muito que tenho pela frente, para realizar”, assegura.


O disco surgiu por intermédio da sua produtora de eventos, criada em 2009 para auxiliar a distinguir os fazedores de cultura nas áreas da música, dança, literatura, teatro e artes plásticas na província do Huambo.

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