Sociedade

Províncias fronteiriças do país têm o maior índice de VIH/Sida

Carla Bumba

Jornalista

As províncias do Cunene, Cuando Cubango, Moxico e Lundas Norte e Sul continuam a ser as que apresentam as maiores taxas de prevalência de VIH/Sida no país, informou, ontem, o presidente da Rede Angolana de Serviços de Sida (ANASO).

12/08/2022  Última atualização 06H20
Diversas manifestações continuam a ser realizadas sobre a doença para sensibilizar, em particular os jovens © Fotografia por: DR

António Coelho disse, ao Jornal de Angola, que nestas províncias a epidemia está concentrada em áreas urbanas, com uma taxa superior a quatro porcento. "Angola tem actualmente 36 mil crianças e 190 mulheres infectadas com VIH”, destacou.

Com base nas estimativas apresentadas em 2021, explicou, a prevalência de infecção da doença tende a afectar mais a faixa etária dos 15 aos 39 anos. "A situação continua a ser preocupante e em alguns casos alarmantes, devido principalmente ao surgimento da pandemia da Covid-19, que reduziu a atenção dada às outras epidemias”.

O presidente da ANASO adiantou ainda que os anti-retrovirais continuam a ser gratuitos, "mas apenas 45 por cento das pessoas fazem o tratamento”. Devido a esta atitude, criticou, a taxa de abandono dos doentes infectados tem sido muito alta, "rondando os 48 por cento”. "Muitas pessoas iniciam o tratamento da doença e depois desistem, fundamentalmente por falta de apoio social”, disse.

A pobreza, adiantou, o saneamento básico e o analfabetismo são as grandes preocupações  da população e contribuem bastante para o aumento de novos casos em Angola. "O estigma e a discriminação estão entre os principais obstáculos para a prevenção e o combate da epidemia”, justificou, além de adiantar que mais de 30 por cento da população discrimina as pessoas infectadas e afectadas pelo VIH e Sida. "Não é algo que acontece só em Angola, mas sim no mundo”.

Apesar dos esforços contínuos do Executivo, disse, e o interesse de grande parte da sociedade civil, novas infecções por VIH e mortes relacionadas ao Sida continuam a aumentar todos os dias. "Diariamente ocorrem uma média de 20  novas infecções por VIH, entre os adolescentes e jovens, dos 15 aos 24 anos”, lamentou.

De 29 de Julho a 2 de Agosto deste ano, contou, foi realizada a Conferência Internacional sobre VIH/Sida, em Montreal, no Canadá, em que os líderes mundiais, principalmente os africanos e parceiros internacionais, foram encorajados a dar vida para uma "Aliança Global” capaz de acabar com a doença, especialmente entre as crianças.

Como um dos participantes, António Coelho exortou os governantes a aumentarem, urgentemente, o financiamento no combate ao Sida. "As recomendações saídas desta conferência devem ser aplicadas na prática, pois a liderança política é importante para acabar com esta epidemia e salvar milhões de pessoas”, aconselhou.

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