Economia

Províncias anunciam a produção de quase dois milhões de toneladas

As colheitas combinadas do Bengo, Huíla e Cuanza-Norte no ano agrícola 2019-2020 atingem 1.988.711de toneladas, de acordo com estimativas anunciadas pelas autoridades das três províncias na sexta-feira, quando foram realizados actos formais de abertura da campanha, que decorre entre Outubro e Março.

10/11/2019  Última atualização 07H07
Jaimagens/fotógrafo © Fotografia por: Governadora do Bengo (à direita) incentiva camponeses para a campanha em que produzem cerca de um milhão de toneladas

As previsões da colheita no Bengo situam-se em 960 mil toneladas durante o ano agrícola, envolvendo cerca de 138 mil hectares e 25 mil famílias, declarou, no município de Bula Atumba, a governadora provincial.
Mara Quiosa acrescentou que o ano agrícola decorre sob o lema “Desafio da produção agropecuária e florestal como garante da segurança familiar”, com a famílias envolvidas na campanha a receberem cerca de 70 toneladas de sementes de milho e feijão, bem como 200 mil estacas de mandioca, alfaias e pequenos instrumentos de trabalho como catanas, enxadas e outros inputs agrícolas.
A governadora destacou o papel da agricultura para a diversificação da economia e combate à fome e pobreza, mas mostrou-se preocupada com as condições de acesso às zonas produtivas. “Não basta produzir grandes quantidades: é preciso ter condições de escoamento da produção para os grandes centros comerciais”, sublinhou.
Garantiu, no entanto, que as vias serão melhoradas, como resultado de um programa do Ministério de Construção e Obras Públicas que prevê a distribuição de equipamentos aos municípios, para a terraplanagem.

De recordar que o ano agrícola de 2018-2019 envolveu, no Bengo, 36.972 famílias, que produziram 986.066 toneladas, sobretudo mandioca e banana.

Domínio dos cereais

As previsões apontam para uma colheita de 514.579 toneladas durante o ano agrícola na Huíla, em que 417.579 são constituídas por cereais, de acordo com números obtidos pelo Jornal de Angola durante a deslocação do governador Luís Nunes e outros responsáveis provinciais á Chicomba, onde na sexta-feira se realizou a abertura do ano agrícola.
Estão envolvidas 314.604 famílias camponesas, tendo disponíveis 605 mil hectares, além da assistência do Governo Provincial com seis mil charruas, 2.700 toneladas de adubos, 90 toneladas de sementes de milho e 1.300 de calcário dolomítico para a correcção de solo, alem “inputs” a serem distribuídos a pelo menos 210 mil famílias.
Os agricultores do município de Chicomba defendem a intervenção de uma brigada de mecanização agrícola constituída por quatro tractores e respectivas alfaias, para o aumento da produção de cereais como milho, massango e massambala.
A preocupação foi manifestada à margem do Conselho Auscultação e Concertação Social do município de Chicomba, onde o director municipal da Agricultura, Wilson Cabral, explicou que a disponibilização desse equipamento visa apoiar e incentivar o aumento da produção.

Tractores no Cuanza Norte

Dados do Departamento da Agricultura do Cuanza-Norte indicam estimativas de produção de 514.132 toneladas, fundamentalmente milho, feijão manteiga, feijão macunde, amendoim, mandioca, batata-doce, batata-rena e hortícolas, culturas a serem desenvolvidas numa área total de 43.530 hectares.
O governador do Cuanza-Norte, Adriano Mendes de Carvalho, referiu este números no acto da abertura do ano agrícola realizado no município do Ambaca, onde anunciou o reforço da campanha com a entrega de 40 tractores com alfaias e 20 charruas, para reverter a situação actual, em que apenas 1.688 hectares dos 46.232 disponíveis foram preparados com recursos à mecanização.
Para o ano agrícola 2019-2020, o sector empresarial agrícola desenvolveu esforços para a produção e melhoria de culturas como feijão, soja, palmar, café, ovos e carne.

Massango e Massambala

A província do Uíge introduz, este ano, a produção de massango e massambala, revelou, sexta-feira, no município do Songo, o director da Agricultura, Eduardo Gomes, na abertura do ano agrícola 2019-2020, indicando que essa é uma aposta do Governo, que pretende ver estimulada essa cultura não tradicional no Norte de Angola.
Eduardo Gomes revelou o Governo Provincial adquiriu cinco toneladas de sementes, sendo três de massango e duas de massambala, para intoduzir o cultivo dos dois cereais, assinalando, também, a manutenção dos esforços para estimular a produção de café.
A área disponível para a agricultura aumentou 20 por cento este ano, passando de 571.291 hectares, no ano anterior, para 652.766 hectares, contando-se com 21.268 explorações familiares (868 associações, 51 cooperativas e 3.339 pequenos agricultores). Foram, também, criadas 10 brigadas técnicas de mecanização agrícola.

Esperança está nos pólos

A colheita esperada no Namibe é de cerca de 144 mil toneladas, sobretudo de cereais, havendo uma grande aposta no Pólo Agrícola de Vitchapi-Tchapi (Caitou), a cerca de 200 quilómetro da cidade de Moçamedes, onde foi realizado o acto de abertura do ano agrícola.
Informações obtidas pela nossa reportagem indicam que além dos cereais, está prevista a produção de 410 mil plantas em viveiro e o envolvimento de 40 mil famílias camponesas na campanha.
As perspectivas para a campanha agrícola 2019-2020 são mais modestas em relação às outras províncias, devido às características desérticas da região, ao que se soma a seca severa que afectou quase todo o Sul de Angola.
A criação de pólos agrícolas foi a resposta das autoridades à baixa considerável dos níveis de produção verificada nos últimos tempos. O Governo Provincial do Namibe apoia com tractores e respectivas alfaias, sementes, moto-bombas, pulverizadores e meios de transporte para a viabilizar o escoamento da produção.
O Pólo de Vitchapi-Tchapi escoou, o ano passado, para as cidades do Lubango e Moçâmedes, cerca de 60 toneladas de produtos diversos, nomeadamente, 18 toneladas de limão, 17 de tomate, 15 de cana-de-açúcar e nove de laranja.

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