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Protestos na Cidade do Cabo contra acto racista numa praia

Centenas de manifestantes ocuparam, ao final da tarde de sábado, uma praia na Cidade do Cabo, África do Sul, depois de um grupo de seguranças privados ter expulsado pessoas de raça negra do local.

31/12/2018  Última atualização 06H00
DR © Fotografia por: Empresa de segurança privada é acusada de acto racista numa praia da Cidade do Cabo

De acordo com a imprensa, que deu um grande destaque ao assunto, os seguranças da empresa PPA Security, contratados por moradores locais, expulsaram os turistas negros da praia de Clifton no final da tarde de sábado.
Enquanto os manifestantes dizem que os banhistas foram retirados da praia injustamente, a empresa defende-se e alega que agiu apenas para proteger os moradores do crime.
O presidente da Câmara da Cidade do Cabo, Dan Plato, ouvido pela imprensa sul-africana, garantiu que a empresa não tem autoridade para pedir a alguém que abandone a praia, adiantando que não permitirá que nenhuma organização privada “limite o acesso aos nossos espaços públicos”.
Dan Plato sublinhou que a referida empresa terá, no entanto, pedido a pessoas de todas as raças que saíssem da praia e não especificamente às pessoas de raça negra.
Por sua vez, Alwyn Landman, chefe da empresa de segurança, nega as acusações feitas à organização, dizendo que o trabalho dos seus funcionários é o de proteger os moradores da criminalidade, adiantando que a Polícia teria estado naquele dia no local depois de ter sido cometido um crime.
As autoridades policiais desmentem esta afirmação e garantem não terem recebido qualquer relato de actividade criminosa naquele local. Duas décadas e meia depois do fim do apartheid, a verdade é que os efeitos do regime segregacionista que vigorava na África do Sul desde 1948, com frequentes tensões entre brancos e negros, ainda se fazem sentir no país.

Prioridades políticas
Para os políticos sul-africanos, a questão do racismo nunca foi um problema que, no mínimo, os preocupasse. Ainda no sábado, isso ficou patente no discurso da ministra dos Negócios Estrangeiros, Lindiwe Sisulo, que preferiu apontar o aprofundamento dos laços com a África Austral e o continente no seu conjunto como prioridade da política externa do país para 2019.
Horas antes do incidente registado na Cidade do Cabo e ao fazer uma retrospectiva do que foi alcançado este ano e as projecções para o próximo, a governante sul-africana elogiou o trabalho dos diplomatas do seu país em todo o Mundo na promoção e protecção da imagem do país, ignorando que o reacender do racismo está a afectar a mensagem política que o país pretende fazer passar para lá das suas fronteiras.
É evidente que com eleições marcadas para o ano que se avizinha, a questão do racismo constitui um problema fracturante na sociedade sul-africana e que pode ser um factor decisivo na hora da atribuição do voto, sobretudo por parte dos eleitores que ainda não tenham candidatos perfeitamente definidos.
Talvez por isso, o actual discurso político privilegie o papel da África do Sul à frente de grupos como o BRICS e a Associação dos Países do Oceano Índico, bem como a realização neste território do Conselho de Ministros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
A ministra insistiu na importância da SADC para o desenvolvimento económico da África do Sul e do continente africano e garantiu que o seu país vai continuar a trabalhar para assegurar que a África esteja livre de conflitos e possa implementar o seu acordo da zona de livre comércio.
A titular da pasta das Relações Internacionais e Cooperação lembrou que a África do Sul assumirá um assento não permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas a partir de Janeiro, uma posição que vai aproveitar para apresentar as questões de interesse para esta organização internacional, incluindo os conflitos armados em África.
“Também vamos promover o confronto com o flagelo do extremismo e do terrorismo, bem como a importância de proteger mulheres, crianças e civis em situação de conflito”, acrescentou Lindiwe Sisulo.

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