Opinião

Proteger a vida selvagem

Apesar da legislação que proíbe o comércio da vida selvagem, continuamos a assistir a venda pública de animais vivos ou abatidos ao longo das estradas nacionais ou terciárias e em mercados, pondo em risco a existência de várias espécies.

21/07/2021  Última atualização 04H00
O assunto já foi debatido em fóruns nacionais e internacionais, e  ainda hoje continua a fazer correr muita tinta, mas o quadro mantém-se inalterável.
No mundo, o comércio ilegal da vida selvagem, a terceira maior actividade clandestina depois do tráfico de drogas e de armas, movimenta milhões de dólares. Trata-se de um crime organizado que  põe em risco a sobrevivência das espécies e aumenta o desequilíbrio ambiental. 

Em Angola, existem os caçadores de pequena dimensão, que exercem a actividade apenas para a sobrevivência das famílias, mas também há os de grande porte, se assim se pode considerar,  que fazem da caça e do comércio ilegal um grande negócio, pondo em causa a segurança da natureza.  

Ao apresentar ontem o Projecto Combate ao Comércio Ilegal da Vida Selvagem, Angola pretende fortalecer a política, o quadro legal e institucional, assim como  a capacidade de gestão da vida selvagem. Em última instância, pretende diminuir a caça furtiva e o comércio ilegal, a taxa de desmatamento e a frequência dos incêndios provocados pelo homem e reduzir a degradação do habitat. Trata-se de um desafio que  requer o envolvimento das comunidades locais, o que exigirá das autoridades uma forte campanha de sensibilização.

Angola assinou e ratificou a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies, da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção. Além disso, elaborou vários instrumentos legais, entre os quais um Decreto Executivo sobre a lista vermelha das espécies ameaçadas e vulneráveis ou endémicas, que merecem a atenção e protecção de todos. É fundamental que todos entendam a importância de cada ser vivo e compreendam que a sua destruição afecta directamente a vida no planeta.
 
O Estado tem a legislação e não se deve coibir de aplicar os mecanismos que detém, visando proteger a fauna e a floresta, sob pena de vermos ameaçada a biodiversidade, com todas as consequências que isto acarreta.  
As informações sobre apreensão de peças de elefantes e de outros animais que frequentemente nos chegam, devem ser motivo de preocupação e de um redobrar da vigilância. E isto não deve ser apenas tarefa do Estado, mas de todos os cidadãos.

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