Opinião

Projectos e certezas

Luciano Rocha

Jornalista

Os projectos, sejam quais forem, apenas podem ser importantes após passarem da letra à forma, pois antes são propósitos sob o risco de quem os anuncia faltar à palavra e ser tratado como tal.

23/07/2021  Última atualização 04H10
A imprudência sempre foi má companhia, porque sendo, frequentemente, movida pela pressa, torna-se, muitas vezes, desaconselhável conselheira, que leva a dar como concretizadas simples intenções sem serem tidas em conta determinadas circunstâncias. É como anunciar à família que vai haver omeleta no prato antes da galinha ter posto ovos. O mesmo se passa, por exemplo, com a possibilidade de, a breve trecho, começarmos a dar maior e melhor aproveitamento à mandioca e contribuirmos, com isso, para o equilíbrio da balança comercial.

O objectivo para atingir tal desiderato é mais difícil do que possa parecer à primeira vista, a começar pelos hábitos, interesses e preconceitos, muitas vezes interligados, de consumidores e comerciantes.

Luanda - espaço de visão deste periscópio - abunda em exemplos daqueles maus costumes, que se avolumam, demonstrando que, mesmo a nível da alimentação, o apelo ao que vem de fora, em detrimento do que é feito cá dentro, é descaradamente evidente.

Quantas áreas comerciais - independentemente dos tamanhos - de venda a retalho de artigos de alimentação têm à venda produtos angolanos? E, quando os têm, a que preços? E em que locais de exposição? Há honrosas excepções? Claro, mas são isso mesmo, minorias escondidas. Na restauração passa-se o mesmo. Em quantos cardápios diários figuram pratos da diversificada gastronomia angolana? É mais fácil encontrar ementas preenchidas de sabores importados do que com os nossos. 

Neste tempo de tantas pandemias e restrições, inclusive de afectos físicos, é importante não deixar que nos roubem paladares, pequenos prazeres, que dispensam importações e aliviam saudades. Projectos, mesmo bem intencionados, são uma coisa, certezas, outras.

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