Economia

Projectos de azeitonas aguardam pela chegada de “bons tempos”

A província do Namibe registou, nos últimos anos, avultados investimentos privados, alguns com o apoio institucional do Estado, com a finalidade de relançar a produção de azeitona de mesa e azeite, para reduzir a importação destes produtos muito, mas nem tudo corre como previsto até aqui.

26/10/2021  Última atualização 08H45
Projectos de azeitonas © Fotografia por: DR
Além do projecto da Soazeites Lda, lançado em 2006, nascia, também há 15 anos, no vale do rio Bero, um outro levado a cabo pela empresa M. Múrias-Agricultura e Indústria Lda. O desafio era a produção de 23 hectares de olival para fornecer azeite e azeitona de mesa ao mercado nacional, num investimento de 1,5 milhões de dólares.


Entretanto, o mesmo não avançou, segundo um dos responsáveis, por ausência de um estudo preciso das características vegetativas e do ciclo vegetativo.


A empresa passou a apostar na produção de uvas de mesa e de vinha, mas os responsáveis garantem que não baixaram os braços e que tarde ou cedo as oliveiras vão produzir frutos.


Em 2016, um outro projecto foi lançado nos arredores da capital do Namibe. Trata-se da fazenda "Simão Cruz”, que contava com um espaço de 20 hectares para o cultivo de oliveiras.


Segundo apurou o Jornal de Angola, a fazenda importou da África do Sul oliveiras de origem italiana, num total de 14.400 árvores, mas nenhuma delas ter-se-á adaptado ao clima local, produzindo apenas lenha.


A empresa diz ter tido prejuízos de 72 mil dólares na compra das plantas (cada planta terá custado cinco dólares norte-americanos). Fez ainda investimentos na ordem de 1,5 milhão de dólares para a compra dum sistema de rega gota a gota.


O projecto previa que cada oliveira devesse produzir 20 quilos de azeitona/ano, e cerca de 25 por cento da produção seria destinada a transformação para azeite doce.


Na fazenda do centro prisional do Bentiaba, pertencente ao Serviço Penitenciário do Namibe, a produção de azeitona foi interrompida há alguns anos, segundo o director provincial, subcomissário prisional José Teixeira, devido a um erro de poda.


"Neste momento, estamos a fazer um trabalho de recuperação de 980 árvores de olival que já dura dois anos, mas até ao momento ainda não estamos a ter frutos”, disse, referindo que uma equipa deverá se deslocar a Portugal, nos próximos tempos, para especializar-se neste tipo de cultura.


Vladimir Prata | Moçâmedes

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