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Projecto pode ajudar a ligação aquática entre Cabinda e Zaire

O sonho de Mavuide Victor, 18 anos, não está muito longe de se concretizar: quer participar da construção de um túnel aquático. E já começa a dar os primeiros passos, ao constar da lista de estudantes do Instituto Politécnico Alda Lara que expõem arte na “Feira Tecnológica de Construção Civil”.

05/09/2019  Última atualização 15H29
Alberto Pedro | Edições Novembroo © Fotografia por: É a primeira vez que o jovem Mavuide Victor expõe numa feira tecnológica de construção civil, tal como os colegas

Estudante da 12ª classe do curso de Construção Civil, o jovem sempre alimentou o desejo de um dia vir a tornar-se um excelente desenhador projectista ou técnico de obras e fazer parte da construção de grandes projectos arquitectónicos.

É a primeira vez que Ma-vuide Victor e colegas expõem trabalhos na “Feira Tecnológica de Construção Civil”, que já vai na sua 19ª edição. “Quero participar na construção da maqueta de um túnel aquático. Se acontecer será o meu maior orgulho”, conta o estudante visivelmente emocionado por participar na feira, e recorda ter trabalhado arduamente durante 30 dias para a construção do projecto.
Mavuide Victor explica que o túnel aquático foi construído com base em cimento, vidro, areia, pedrinhas, estuque, silicone e cola. Na visão do estudante, o projecto pode servir como meio de ligação para o transporte de passageiros entre as províncias de Cabinda e Zaire.
O estudante conta que o projecto foi idealizado olhando para as dificuldades de deslocação entre as duas províncias.
“Sabemos que para chegar à província de Cabinda temos de, necessariamente, passar pelo rio Zaire, mas se for construído um túnel aquático de betão, com sapatas e pilares assentes no fundo do rio, pode-se viajar tranquilamente de um ponto para o outro”, disse.
O estudante explica que o túnel deve comportar duas faixas de rodagem para ligeiros e pesados, e as cargas transportadas não devem estar acima das 200 toneladas.
Para a conclusão do projecto, Mavuide teve de sacrificar os seus dias de férias. “Vínhamos todos os dias à escola, incluído aos domingos, e ficávamos largas horas a trabalhar. Houve dias em que chegávamos no período da manhã e só saíamos às 20h00 ou até mesmo às 22h00”.
Em companhia de outros colegas, que também vivem no bairro Rocha Pinto, o jovem, diariamente, não gastava em táxis menos de 600 a 800 kwanzas, de casa para a escola e vice-versa.
“Muitas vezes os meus pais reclamavam na hora de dar o dinheiro para o táxi, mas procurava convencê-los, porque estava determinado a trabalhar neste projecto e nunca pensei em desistir”, esclareceu.
Por dificuldades financeiras, disse, alguns colegas tiveram de passar para a noite na escola e por isso considerou-os heróis, porque não foi fácil trabalhar no projecto.
O estudante espera que o projecto venha um dia a ser implementado e quer fazer parte do grupo de técnicos para a construção do túnel. “Desta forma, estarei orgulhoso e, com isso, posso valorizar os esforços dos meus pais”, precisou.
Mavuide quer ver uma Angola diferente em termos de arquitectura, com a construção de mais infra-estruturas, como escolas, hospitais e habitações modernas.

Residências unifamiliares

Como Mavuide Victor, há também outros estudantes do mesmo curso que trabalharam na construção de maquetas de residências de primeiro andar unifamiliares. Edimiro José, Leonido Ganga e Esmeralda Luís têm todos 17 anose são “apaixonados” por desenho, maquetas e plantas arquitectónicas.
Para a construção dos seus projectos foram usados materiais comprados e outros reciclados, como palitos de madeira, lajes, cartão, cola e folhas A4. Os estudantes contam que cada um levou quatro a cinco dias para elaborar o seu trabalho. Os projectos, que apresentam uma arquitectura sustentável, são de baixa, média e alta renda.
Leonido Ganga considera a área de formação de Construção Civil muito competitiva e que requer muita técnica para atrair clientes, o que passa pela elaboração de uma boa maqueta.
A 19ª “Feira Tecnológica de Construção Civil” encerra amanhã e as obras vão estar expostas no pátio do Futungo de Belas 2. Nos dias 25, 26 e 27 deste mês, estarão patentes na Baía de Luanda.

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