Economia

Projecto em Cabinda aponta a auto-suficiência das famílias beneficiárias

Ana Paulo

Jornalista

O projecto de desenvolvimento da cadeia de valor agrícola na província de Cabinda (PDACVPC) atingiu mais de 50 mil famílias camponesas.

15/06/2024  Última atualização 12H01
Dados indicam que um total de 1.350 quilos de cacau está a ser colhido por ano, numa extensão de 450 hectares cultivados © Fotografia por: Edições Novembro

A iniciativa está a ser implementada com o objectivo de garantir a auto-suficiência, bem como o acesso à proteína animal e o desenvolvimento das culturas alimentares, para além de alcançar altos níveis de rendimento na produção agro-alimentar.

O projecto está orçado em 123 milhões de dólares, co-financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que disponibilizou 101 milhões, e pelo Governo angolano, que atribuiu 22 milhões.

Em declarações ao Jornal de Angola, à margem da apresentação do Manual de Diversificação Curricular de Escolas de Campo Agrícolas (ECAS), acto realizado em Luanda, o coordenador nacional de Projectos da Cadeia de Valor Agrícola na província de Cabinda, José Fernandes, realçou que, o projecto tem surtido resultados positivos, principalmente nas culturas de milho, soja, mandioca, banana e hortícolas.

Outra cadeia de valor que teve resultados positivos, destacou, José Fernandes é a classe do gado de pequeno porte, com realce para o caprino, suíno e aves.

Um dos casos de sucesso do projecto e que impactou as perspectivas de produção de várias cooperativas, segundo sublinhou José Fernandes é o grupo de mulheres pertencente à cooperativa Cuvata, que beneficiou de um Centro de Treinamento de Produção de compotas e chips.

Para o aumento da cadeia de valor da cultura da mandioca está em curso, a montagem de um Centro de Formação de Treinamento e Produção de Mandioca, que tem como beneficiários uma associação das mulheres composta por 90 membros.

O centro terá uma capacidade para produzir 500 quilos de diversas variedades, nomeadamente processamento da chincuanga, farinha musseque, fuba e farinha de mandioca para a produção de pão.

"O pão de mandioca é uma das inovações que pretendemos implementar neste processo", frisou José Fernandes realçando que, existe ainda a fábrica de farinha de peixe que também está a ser implementado em Cabinda, um projecto que envolve 80 por cento de mulheres como membros, desde revendedoras, esposas de pescadores.

O aumento dos níveis da cadeia de valor na província de Cabinda, reconhece José Fernandes resulta da parceria entre o Governo angolano e o BAD, que para além do financiamento, o PDACVPC permitiu o envolvimento de 80 técnicos do Ministério da Agricultura e Florestas, distribuídos nos quatro municípios e comunas da região.

"A dinâmica e as infra-estruturas executadas influenciaram a compilação do Manual Diversificado de Escolas de Campo", frisou destacando que, um dos grandes impulsionadores do projecto foi a criação de Escolas de Campo, que permite às famílias receberem formação, um exemplo que o Executivo pretende atingir em todas as regiões do país.

Culturas comerciais

Outro sector de actividade que regista crescimento com a implementação do projecto, é a cadeia de valor das culturas comerciais, nomeadamente o café, cacau e palmar.

José Fernandes destacou que, a cultura do cacau tem efeitos positivos no que toca ao investimento, com um registo em média de produção anual de 450 quilos por hectare.

Ainda sobre a cultura de cacau, José Fernandes explicou que, um agricultor consegue colher três vezes por ano.

"Estamos a falar em média de uma colheita de 1.350 quilos de cacau por ano, isto é, se um quilo ronda nos 450 hectares, o produtor  pode ter, anualmente, um rendimento líquido de 650 mil kwanzas", frisou.

A produção de cacau tem contribuído para que Cabinda se destaque no empoderamento das famílias agrícolas, principalmente das mulheres empenhadas no processo.

"O chocolate produzido na província de Luanda, o cacau é proveniente de Cabinda", informou.

Aposta nas Escolas de Campo

O Censo Agrário realizado pelo Instituto Nacional de Estatística demonstrou que, reforçou José Fernandes, as Escolas de Campo estão centralizadas em seis províncias, sobretudo, no Planalto Central (Huambo e Bié), e no Sul de Angola, assim como no litoral. As Escolas de Campo estão igualmente em Cabinda, Zaire, Uíge, Malanje e Cuanza-Norte.

"O maior défice da implementação centra-se nas províncias do Norte e Leste do país, nomeadamente Lunda-Sul, Lunda-Norte, Moxico e Cuando Cubango", frisou.

O gestor defende a institucionalização da metodologia nas 18 províncias, e reforça o financiamento na zona Leste, Norte, Sul e no Planalto Central.

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