Economia

Proibido consumo de carne proveniente da zona do Calai

Ana Paulo

Jornalista

O Ministério da Agricultura e Florestas proibiu, temporariamente, o movimento e comercialização do gado bovino, caprino, ovino, suíno, búfalos e antílopes e produtos para dentro e fora do município do Calai, província do Cuando Cubango, como medida de prevenção ao surto de febre aftosa que assola a região.

01/10/2022  Última atualização 08H05
© Fotografia por: DR

Segundo o director-geral do Instituto dos Serviços Veterinários, Henrique Gime, a iniciativa surge em resposta ao surto que está a assolar a zona de Cassoneca, no município do Calai, na província do Cuando Cubango, confirmado pelo Laboratório Central de Veterinária de Windhoek, República da Namíbia.

Explicou que foram recolhidas 200 amostras na província do Cuando Cubango, e enviadas para a Namíbia, tendo resultado em 13 positivos com as estirpes SAT-1 e SAT-2, vírus menos agressivo  para os animais, já que a mais contagiosa é o SAT-O, que integra a febre aftosa.

Angola, através da Organização Mundial da Saúde, teve o conhecimento no mês de Julho sobre a existência da febre aftosa que está a assolar o Botswana, tendo aberto agora a campanha de prevenção.

Como medida de acautelar o vírus, o Instituto dos Serviços Veterinários iniciou, esta semana, a vacinação de mais de cinco mil cabeças de gado com o objectivo de prevenir a febre aftosa. Para a campanha de vacinação de animais, o Instituto adquiriu 40 mil lotes que servirão para imunizar as zonas do Calai e Rivungo, no Cuando Cubango.

A febre aftosa, disse o responsável, é uma doença viral e contagiosa que afecta, principalmente o gado bovino, caprino, suíno, antílope entre outros, com um impacto negativo para a economia, "ameaçando de forma grave a segurança alimentar”.

Foram intensificadas, em todo o território nacional, as medidas de controlo sanitário em todos os postos fronteiriços, em especial ao longo da fronteira com a Namíbia. Segundo o director-geral dos Serviços Veterinários, a doença é provocada por um vírus constituído por três estripes, nomeada mente SAT-1, SAT-2 , SAT-3 e SAT-O.

No caso específico de Angola, esclareceu Henrique Gime, apenas o SAT-1 e 2, "porque das amostras colhidas fez-se o rastreio e não se registou a presença do SAT-O, o vírus mais agressivo que no país é inexistente por ter sido erradicado há vários anos”.

Doença fronteiriça

O gestor informou ainda que a doença é fronteiriça, com origem nos búfalos que circulam na região, principalmente na área do Okavango/ Zambeze, entre Angola, Namíbia e Botswana. "Como os búfalos são os reservatórios dessa doença, às vezes eclode, e como única medida de prevenção demos início à campanha de vacinação aos nossos animais, nestas regiões”, frisou.

Destacou que Angola, como é membro da OMS, recebe "informações privilegiadas”, o que tem permitido acautelar e prevenir a doença, impedindo a circulação do vírus nas zonas vulneráveis, com realce para a província do Cuando Cubango. Como medida preventiva, os Serviços Veterinários efectuaram a recolha de amostra de animais na orla fronteiriça da província do Cunene, que já se encontram em laboratório.

Processo de importação

Quanto ao processo de importação de carne oriunda de países com a estirpe da febre aftosa nos animais, a OMS tem estado a informar aos Estados membros, com medidas que visam interditar o uso. No caso específico da carne proveniente do Botswana, Henrique Gime garantiu que actualmente há pouca solicitação. Adiantou que o Ministério da Agricultura e Florestas  fez sair uma circular, no dia 19 de Julho, na qual realça a necessidade de se adoptar medidas "zoossanitárias nos termos previstos na Lei de Sanidade Animal nº 4/04 de 13 de Agosto, no Decreto nº 40/08, de 11 de Agosto, Regulamento da Lei de Sanidade Vegetal e no código sanitário dos animais terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal (CMSA)”.

Produção pecuária

Dados do Ministério da Agricultura e Florestas indicam que, o efectivo pecuário controlado na campanha agrícola 2020/2021 atingiu um total de 3.859.401 de bovinos, 6.658.057 de caprinos, 1.089.696 suínos e 13.509.223 aves de capoeiras. A produção de carne de vaca foi de 62.084 toneladas, caprino (138.912), ovino (9.109), suínos (8.998) e aves (36.348).

O Ministério da Agricultura e Florestas tem estado a criar capacidade local, em todo o território nacional, para a execução dos factores de produção para explorações agro-pecuárias.

Entre os factores de produção destacam-se as vacinas, material sanitário, medicamentos de uso animal, ração animal, bem como balanças, equipamento de captação de água para abeberamento do gado. Entre os desafios, destacam-se a cobertura vacinal abrangente e periódica, Vigilância Epidemiológica, Produção de pastos apetecíveis ao gado, vulgarização da produção da ração animal e de técnicas de criação confinada de gado.

 

 

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