Economia

Produção de café regista queda de 300 toneladas

A produção de café, na província do Uíge, registou uma redução de 300 toneladas, este ano, passando de 2.000 colhidas em 2019, para as actuais 1.700 toneladas.

13/07/2020  Última atualização 21H58
Edições Novembro © Fotografia por: A província do Uíge controla 10 mil produtores de café

Os altos custos de produção, associados ao preço baixo da compra e das dificuldades de escoamento são apontados como os principais constrangimentos.

É neste cenário de grandes dificuldades que o governador provincial do Uíge, Sérgio Luther Rescova, procedeu ao lançamento da época de colheita do café.

Na ocasião, o governante exortou os cafeicultores a não baixarem a guarda, apesar das dificuldades.

O governante constatou as condições das infra-estruturas de produção de mudas, talhões económicos, assim como o projecto que visa o relançamento do palmar e cacau, localizados na estação experimental do Uíge.

Em declarações ao Jornal de Angola, o chefe da Estação do Instituto Nacional do Café (INCA) no Úíge, Vasco Gonçalves Joaquim Gomes, disse que os cafeicultores locais continuam a enfrentar várias dificuldades para aumentarem a produção. Para esta época, prevê-se colher 1.700 toneladas, contra as 2.000 do ano transacto.

A falta de crédito bancário para a produção, os altos custos para o asseguramento da mão-de-obra, a fraca produção de mudas para renovação das plantas, o baixo preço de compra do café no mercado e as dificuldades da transportação do produto das fazendas para as zonas de descasque são apontados como preocupações dos cafeicultores da região, que anteriormente já foi considerada a maior produtora de Angola.

Esses problemas, precisou, fazem com que a produção se torne lenta e regressiva, o que tem provocado gradualmente os fazendeiros a optar por outras culturas, com destaque para a mandioca e a banana, em detrimento da produção do café.

O sector controla 10 mil produtores, dos quais cinco mil produzem em pequena escala com muitas dificuldades.O responsável informou que a província possui 141.836 hectares com plantações de café, distribuídos em mais de nove mil fazendas, das quais apenas 25.701 hectares são explorados, correspondendo a 18 por cento.

No domínio da comercialização, Vasco Gonçalves sublinhou que o baixo preço de compra, as dificuldades de acesso, além da desarticulação dos mercados rurais bem como a falta de indústria de descasque nos municípios onde se produz, têm contribuído para a fraca produção.

Actualmente, revelou, a actividade comercial do café a nível da província é assegurada por 18 comerciantes, que compram aos produtores a preços que variam entre 140 e 150 kwanzas por quilograma (kg) de café mabuba, e 350 kwanzas por Kg, o café comercial. O café torrado e moído é vendido ao preço que varia entre 1.000 e 1.200 kwanzas.

Os cafeicultores, segundo o responsável, defendem o aumento do preço do quilo do café mabuba, que deve passar a custar entre 200 a 250 kwanzas.

Instalação de fábricas
Existem na província do Uíge 12 fábricas para o descasque, das quais apenas três estão com capacidade para descascar três a oito toneladas por dia.

Informou que todo o café adquirido nos municípios de Bungo, Buengas, Mucaba, Damba, Songo, Quitexe, Sanza Pombo, Ambuila e outros é descascado na cidade do Uíge, com elevados prejuízos para os produtores e compradores que para compensar esta situação, acrescido ao mau estado das estradas nas zonas de produção, “tendem a pagar menos por Kg de café aos produtores”.

Face a este défice, o responsável do INCA no Uíge defendeu a necessidade de se reabrir e construir mais fábricas para o descasque nos municípios da província onde existe grande produção do café.

Defende, igualmente, o reforço das brigadas técnicas nestas zonas para o acompanhamento de todo o processo.

Quanto à torrefacção, existem apenas três unidades (município do Uíge e Negage), com capacidade para 36 toneladas de café comercial.

Multiplicação de plantas
No quadro do processo de revitalização da produção do café, Vasco Gonçalves assegurou que a província do Uíge possui uma estação experimental de café, que tem vindo a multiplicar e distribuir plantas aos produtores.

No ano passado, foram distribuídas 80 mil plantas de café e no presente ano já foram entregues 50 mil, numa altura em que estão a ser preparadas mais de 120 mil mudas de café.

O sector está a seleccionar plantas com alto potencial, que produzem no mínimo 10 Kg de café cereja por planta, contra os actuais um 1,5 Kg .
“Estão a ser produzidos as variedades de café Ambriz, Amboim, Macocola e Cacau", precisou, depois de frisar que a estação experimental está a ser assegurada por 17 técnicos.

Por outro lado, o responsável salientou que são necessários 60 novos técnicos para assegurar o funcionamento do INCA no Uíge, bem como equipamentos modernos para aumentar os níveis de produção nas próximas épocas agrícolas na região.

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