Economia

Privatizações: Quase 20,2 mil milhões obtidos com alienação parcial do Caixa Angola

A alienação de 25 por cento do capital de forma indirecta detido pelo Estado do Banco Caixa Geral de Angola (BCGA) resultou num encaixe de 20.197 milhões de kwanzas (49 milhões de dólares), no desfecho da Oferta Pública Inicial lançada a 2 de Setembro último na Bolsa da Dívida de Valores de Angola (BODIVA), onde se prevê que, a partir de quinta-feira, as acções passam a ser negociadas.

23/09/2022  Última atualização 17H32
Caixa Geral começa a negociar acções da Bolsa da Dívida de Valores de Angola na quinta-feira © Fotografia por: DR

A liquidação financeira das acções ocorre hoje, nos termos da operação em que o banco alienou cinco milhões de acções, com três milhões vendidas a accionistas residentes ao preço de 3,399 kwanzas e dois milhões ao público em geral ao preço fixado de cinco mil kwanzas, de acordo com os resultados da Oferta Pública Inicial da Caixa Angola divulgados, ontem, pela BODIVA.

Ao publicar os resultados, o BCGA disse que a procura excedeu as ofertas, situando em algo mais de 7,101 milhões de acções, com a dirigida ao público em geral a ascender a 4.037.775 acções ou mais 2,5 vezes a oferta, à qual se acresceram 336.655 acções remanescentes do lote reservado aos trabalhadores do banco, o qual registou uma procura de apenas 16 por cento ou 63.345 acções.

O despacho com o que, em Abril, o Governo aprovou a privatização da participação social que o Estado no BCGA, estabelece a observação do direito de preferência, a favor dos demais accionistas, sobre os 15 por cento das acções representativas do capital social do banco, ao mesmo tempo que reserva aos trabalhadores uma percentagem de 2,0 por cento das acções representativas do capital social.

A participação do Estado era detida pelo Sonangol, em 24 por cento, e a Endiama, em 1,0 por cento. Em Junho, as duas empresas venderam por 40,1 mil milhões de kwanzas uma participação total de 10 por cento no Banco BAI, o maior credor do país, na primeira Oferta Pública Inicial de Acções em Angola.

Os dois bancos figuram entre as maiores participações e activos dos 195 que o Governo seleccionou, inicialmente, para alienação entre 2019 e este ano, mas, o curso da pandemia do novo coronavírus atrasou o processo e o número de activos para o processo foi revisto em baixa, para 178.

Até Junho, o Governo obteve um encaixe do equivalente a 1,25 mil milhões de dólares com a  alienação de 92 activos, num processo em que os compradores constituem, em 70 por cento, empresas sediadas em Angola, exactamente por muitos desses activos serem pequenas unidades industriais e fazendas, mais atraentes para investidores locais.

Segundo declarações naquele mês proferidas pelo presidente do Conselho de Administração do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE, a agência governamental que administra as privatizações), Patrício Vilar, as reformas levadas a cabo pelo Governo no âmbito de um programa financiado pelo Fundo Monetário Internacional, que terminou em 2021, reforçaram o valor do Kwanza e também ajudaram a atrair investidores estrangeiros, com capitais que vitalizaram empresas industriais obsoletas.

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