Economia

Privados lideram novo ciclo de crescimento

Maximiano Filipe | Benguela

Jornalista

O ciclo iniciado por Angola em 2021, quando o Produto Interno Bruto (PIB) registou uma expansão de 0,7 por cento, com a previsão de, este ano, acelerar para 2,7 por cento, deve-se a um novo modelo de crescimento, assente no sector não petrolífero e no capital privado, considerou o ministro de Estado para a Coordenação Económica, quarta-feira(25), na cidade de Benguela.

26/05/2022  Última atualização 08H40
Ministro Manuel Nunes Júnior (ao centro) na abertura da Feira Internacional de Benguela © Fotografia por: JOSÉ DE OLIVEIRA | EDIÇÕES NOVEMBRO | BENGUELA

Manuel Nunes Júnior, que falava na abertura da 11ª Feira Internacional de Benguela (FIB), um certame que se prolonga até sábado, notou, para ilustrar a preponderância do sector não-petrolífero, que, apesar de, em 2021, ter havido um crescimento negativo do sector petrolífero na ordem de 11,6 por cento, de forma global, o crescimento foi positivo.

Programas institucionais em curso, como o de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações; de Privatizações (PROPRIV, iniciado em 2019); e de Reconversão da Economia Informal; bem como os planos Integrados de Aceleração da Agricultura e Pesca Familiar; e de Acção para a Empregabilidade, figuram entre os impulsionadores do desempenho económico do país, apontou.

Manuel Nunes Júnior reafirmou a manutenção destas e de outras medidas que têm estado a contribuir para uma redução dos preços dos produtos de amplo consumo, para a mitigação dos efeitos do aumento dos preços no mercado internacional, em decorrência da pandemia a Covid-19 e do conflito militar na Ucrânia, atingindo as economias mais desenvolvidas do mundo com taxas de inflação elevadas.

O responsável prometeu a manutenção das medidas imediatamente pelo Governo tomadas para  minimizar os efeitos da evolução altista dos preços no mercado internacional, como a isenção do pagamento de direitos aduaneiros para produtos de amplo consumo e a redução a taxa do IVA de 14 para 7,0 por cento assim, bem como a constituição de uma Reserva Estratégica Alimentar baseada nesses produtos.

Por dentro do certame

Espera-se que a 11ª FIB, organizada com a participação de 224 expositores para promover o potencial económico e industrial da região Sul de Angola, consida atrair investimentos para o desenvolvimento e reunir os principais agentes económicos e sociais, , resultando num volume de negócios de 500 milhões de kwanzas, o dobro dos 250 milhões da exposição de 2021, segundo Bruno Albernaz, o presidente do Conselho de Administração da Eventos Arena, a empresa organizadora do certame.

Realizada sob o lema "O agronegócio como suporte ao desenvolvimento da região sul de Angola”, a 11ª FIB também duplicou em termos de participação de empresas expositoras, contando, além do mais, com três representações estrangeiras, nomeadamente, as Câmaras do Comércio e Indústria do Reino Unido e da Holanda, bem como uma firma da Turquia.

Apesar da reduzida participação estrangeira, Bruno Albernaz salienta a vantagem competitiva que estas empresas levaram à FIB, sobretudo no domínio do apoio ao agronegócio e na implementação de projectos, novas técnicas e partilha do seu know-how com as congéneres angolanas.

O comércio e serviços, indústria e o agronegócio são os sectores mais representados na FIB, para onde está prevista, a partir de hoje, uma conferência designada Talk Summit, para abordar temas como o "Agronegócio, turismo, transição energética e o meio ambiente em Angola”, "Ensino, saúde pública e cultura”, "O ecossistema da tecnologia em Angola” e "O impacto da revolução industrial em Angola”.

Para além deste fórum, hoje também está prevista a realização de um debate com os operadores do sector da construção, numa organização do Instituto Regulador da Construção e Obras Públicas (IRCOP), e conferências subordinadas aos temas "Cenários da agricultura familiar e os desafios do sector agro-industrial”, "Auto-suficiência alimentar em Angola e a visão para a exportação”.

*Com a Angop

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