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Primeiro-Ministro promete “destruir” a insurgência

O Primeiro -Ministro etíope, declarou, domingo (28), num vídeo supostamente gravado no campo de batalha, que o Exército vai "destruir" os rebeldes do Tigray, contra quem seu Governo luta há mais de um ano.

29/11/2021  Última atualização 05H00
Alguns orgãos de informação dizem que Ahmed Abiy está a dirigir os combates no terreno © Fotografia por: DR
"Estamos prestes a destruir completamente o inimigo, não há mais como voltar sem vitória", declarou Ahmed Abiy num vídeo de 34 minutos dirigido às tropas e publicado no Twitter  e citado pela France Press (AFP).

O anúncio da partida de Ahmed Abiy  para comandar directamente as operações militares no terreno, gerou o apoio de vários atletas e artistas, como a lenda da maratona Haile Gebreselassie. Na quarta-feira, as autoridades anunciaram num jornal estatal que Abiy deixou a gestão dos "assuntos corriqueiros" com seu vice-Primeiro-Ministro, Demeke Mekonnen.
Ainda ontem, artistas em trajes tradicionais e atletas reuniram-se em Addis Ababa, para dançar e cantar temas patrióticos antes de uma visita às tropas na linha de frente. O ex-atleta olímpico Haile Gebrselassie disse estar pronto para lutar.

"Quero repetidamente assegurar a eles (TPLF) que me vou  sacrificar e defender a Etiópia.Entretanto, o Programa Alimentar Mundial (PAM) anunciou, sábado, que mais de nove milhões de pessoas necessitam ,agora, de ajuda alimentar no Norte do país, atingido por uma guerra civil há mais de um ano.

Num relatório divulgado em Nova Iorque, a organização reiterou a preocupação considerando que a situação humanitária deteriorou-se rapidamente nos últimos meses no Tigray, mas também nas regiões de Amhara e Afar, onde o conflito se alastrou.

Os recentes desenvolvimentos do conflito na Etiópia, onde os separatistas do Tigray ameaçam marchar sobre a capital, Addis Abeba, preocupam a comunidade internacional, que está a tentar obter um cessar-fogo. Vários países, incluindo o Reino Unido, a França, Canadá e os Estados Unidos, apelaram aos seus cidadãos para que deixassem o país.

O conflito, em curso há mais de um ano, tem sido marcado por atrocidades e fome, tendo já causado milhares de mortes e mais de dois milhões de deslocados, de acordo com a ONU que revelou, em comunicado,  que  9,4 milhões de pessoas sofrem de fome "como resultado directo do conflito em curso”, em comparação com cerca de sete milhões em Setembro.
 "A região de Amhara registou o maior aumento em número, com 3,7 milhões de pessoas a necessitarem agora de ajuda alimentar urgente”, declarou o PAM.

Esta semana, foi distribuída comida em Dessie e Kombolcha pela primeira vez desde que estas cidades de Amhara foram capturadas pelos rebeldes há quase um mês, disse a organização. A subnutrição também aumentou nas três regiões, afectando entre 16 e 28% das crianças, de acordo com dados do PAM. Em Amhara e Tigray, 50% das mulheres grávidas e lactantes são subalimentadas.

Os combates danificaram mais de 500 estruturas sanitárias em Amhara, declarou, sábado, o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA). Esta sexta-feira, a Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF) e um funcionário de um hospital relataram dois ataques aéreos em Mekele, a capital de Tigray, com a TPLF a referir-se pela primeira vez a um "drone.

  Confrontos com  o Exército do Sudão


O Exército sudanês anunciou, domingo , ter "respondido", sábado, a um ataque das forças etíopes na região agrícola de al-Fashaqa, uma zona disputada pelo Sudão e Etiópia, em confrontos que provocaram vários mortos aos dois lados.
"As nossas forças foram destacadas para proteger as plantações de al-Fashaqa al-Soghra, na área de Baraket Noreen, onde foram atacadas por grupos e milícias pertencentes ao Exército etíope", informou, num comunicado, as Forças Armadas sudanesas, citadas pela agência noticiosa oficial local SUNA.

Segundo o comunicado, o ataque de sábado "visa intimidar os agricultores, sabotar a colheita e fazer incursões" na área em disputa. O Exército sudanês reivindicou que as suas forças repeliram o ataque, causando "muitas perdas humanas e materiais nas fileiras dos atacantes", assumindo também que as Forças Armadas do país sofreram, igualmente, baixas nas suas fileiras, sem avançar um número preciso de mortos em ambos os lados.


A zona de al-Fashaqa, no Sudeste da província sudanesa de Qadarif, é disputada entre Cartum e Addis Abeba, onde ocorrem confrontos esporádicos entre militares e agricultores de ambos os países sobre a exploração dessas terras férteis e abundantes em recursos hídricos.

 Os confrontos intensificaram-se em 2020 com a guerra entre o Governo federal da Etiópia e as autoridades da província de Tigray, de onde dezenas de milhares de etíopes fugiram para se refugiar no Leste do Sudão.

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