Política

Primeira-Dama da República envia mensagem de amor e esperança

Edna Dala

Jornalista

A Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, garantiu, ontem, tudo fazer para proporcionar um futuro melhor às crianças angolanas.

17/06/2021  Última atualização 07H52
© Fotografia por: Alberto Pedro | Edições Novembro
À imprensa, depois de uma visita guiada ao Centro de Acolhimento "Vivência Feliz”, localizado no bairro da Estalagem, em Viana, Ana Dias Lourenço endereçou uma mensagem de amor a todas as crianças.

Durante o encontro, que aconteceu no Dia da Criança Africana, celebrado ontem, a Primeira Dama disse: "Gosto muito de crianças e neste dia gostaria de dar um abraço muito grande e apertado a todas as crianças de Angola com muito amor”.
Durante a visita, Ana Dias Lourenço ofereceu violinos à instituição.

No fim da actividade, a presidente do Grupo da Mulher Africana (GMA), detentora do Centro, disse que um dos grandes desafios é transformá-lo num centro de referência do país.

Sobre a visita da Primeira- Dama, Josefa Ferreira considerou "uma honra, um incentivo e um carinho para as crianças”.
O Centro "Vivência Feliz”, disse,  alberga 22 crianças do sexo masculino, com idades entre 11 e 18 anos. Tão logo atingem a maioridade deixam o  Centro.

Depois dos 18, explicou, os meninos, de forma opcional, vão para uma casa de autonomia da Fundação Arte e Cultura, que mantém uma parceria com o Centro neste sentido. A casa de autonomia, acrescentou,  tem a finalidade de recolher esses meninos e orientá-los até conseguirem o primeiro emprego.

"Apesar da nova fase, o centro vai continuar a apoiá-los, porque não queremos que os mesmos voltem para as ruas, até porque são nossos filhos e queremos dar-lhes a oportunidade de um futuro brilhante”, sublinhou.
Josefa Ferreira recordou que o centro oferece cursos de Informática, Corte e Costura, Serralharia, Marcenaria e Música, para saírem do centro aptos para desenvolver o país e enfrentar a sociedade.

O Centro conta com o apoio de várias instituições que têm feito doações de meios técnicos para cursos e não só, entre as quais se destacam o BFA, AGT Solidária, Embaixada da Suíça, Agência Nacional de Petróleo e Gás, Sonangol e Total.
Durante a visita da Primeira-Dama, foi feita uma exposição com os produtos criados pelos meninos com matéria-prima local ( mobília de quarto, forros, candeeiros, mesas de jantar, bases, travessas, quadros, suporte para arranjos de jardinagem, quadros, entre outros).

Os produtos, explicou a responsável, serão comercializados para garantir a auto-sustentabilidade do Centro.
O Centro só alberga rapazes porque na primeira experiência com raparigas todas acabaram por fugir, assim como alguns rapazes, mas a maioria prevaleceu.
"Os meus pais sentem orgulho do filho que me tornei”

Paulo Jorge Bumba, 16 anos, é inquilino do centro há um ano e apesar do olhar tímido, reconheceu que o novo lar transformou radicalmente a sua vida e da família.

De estatura média, Paulinho disse ao Jornal de Angola que entrou no centro a convite de um cidadão francês que o interpelou na rua,  onde passava a maior parte do tempo para lutas de grupos. "Ele me disse que eu podia mudar de vida, não na forma de ser rico, mas ser obediente, disciplinado, respeitar as pessoas e aprender uma profissão, foi aí que aceitei e entrei no centro".

Paulo Bumba nem sequer frequentava a escola e hoje está a concluir a sexta classe. Aprendeu também o curso de marcenaria, costura e frequenta o curso de mecânica.

Com um brilho nos olhos e orgulhoso de si, Paulinho, como é também conhecido, prosseguiu: "Hoje me considero um bom cidadão e os meus pais já sentem muito orgulho do filho que me tornei, porque antes dava mesmo muito trabalho".
Chelson da Cruz Lima, 12 anos, é dos novos inquilinos do Centro e ainda não está muito familiarizado com a nova casa.
O pequeno transmite uma serenidade no olhar e diz ter saudades de casa e da mamã que infelizmente não tem condições para o criar. Apesar da saudade que o corrói, mostra-se muito feliz por aprender novos ofícios.

Há duas semanas no "Vivência Feliz", Chelson disse que tem aprendido aulas de música, costura e artes pintura. Mas a música é a sua grande paixão.

Chelson confidenciou que foi parar ao Centro porque a tia com quem vivia teve que viajar para Portugal e não tinha com quem deixar o sobrinho.

Questionado sobre o paradeiro da progenitora, Chelson disse que a mesma vive no bairro da Fofoca e não tem condições de ser criado por ela, que tem mais quatro filhos. "Não vim aqui por causa de  vícios. Eu me comporto bem. Sinto saudades da minha família e gosto muito de estar com a minha mãe. Estou aqui para ter formação e ser alguém no futuro. Nos dias de dispensa, sempre que posso visito a minha família".

O Dia da Criança Africana no centro de acolhimento, ficou marcado pelo aniversário de 13 anos do Tonilson, que ganhou a primeira festa de aniversário com direito a bolos, balões, música e parabéns da Primeira Dama, Ana Dias Lourenço.
Tonilson, que sonha ser um engenheiro, recebeu um abraço da Primeira Dama e mostrou-se bastante satisfeito com a festa.

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