Economia

Previsão de queda da inflação leva BNA a manter os juros

O Banco Nacional de Angola (BNA) manteve a taxa básica de juro em 20 por cento, pela expectativa de uma inflação acumulada de 18 por cento este ano, anunciou o governador José de Lima Massano, sexta-feira (28), no final da primeira reunião do Comité de Política Monetária de 2022.

29/01/2022  Última atualização 07H20
Governador do Banco central (ao centro), ao falar à imprensa © Fotografia por: Dombele Bernardo| Edições Novembro
À luz das decisões do Comité de Política Monetária (CPM), as  taxas de juro da Facilidade Permanente da Cedência de Liquidez e da Absorção de Liquidez a sete dias permanecem em 25 e 15 por cento, respectivamente, enquanto o coeficiente de reservas obrigatórias dos bancos comerciais mantém-se em 22 por cento.
O "abrandamento dos preços, que se regista desde Setembro passado, o curso ajustado dos agregados monetários, as medidas de desagravamento fiscal a bens e produtos de consumo e o comportamento do curso do preço do petróleo no mercado internacional” constituem alguns dos fundamentos para a manutenção das referidas taxas.

Para o ano de 2022, o CPM prevê uma taxa anual de inflação de 18 por cento, "que apesar de relativamente mais branda do que a observada nos dois últimos anos, manter-se-á ainda assim acima do objectivo de médio prazo em que se persegue uma taxa de inflação de apenas um dígito”, notou o governador.
O alcance de uma taxa de inflação inferior a 10  por cento "requer um quadro de política monetária restritivo capaz de influenciar de forma positiva a preservação do poder de compra da moeda nacional”, assinalou.

"A política monetária do BNA vai continuar restritiva visando a queda da inflação para um dígito e continuar o processo para a banda de convergência estabelecida pela SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, na sigla inglesa) que é de 4,0 por cento”, afirmou o governador do BNA em resposta aos jornalistas.

Segundo José de Lima Massano, o CPM decidiu ainda renovar o programa de apoio ao sector real da economia "permitindo que o cumprimento de reservas obrigatórias pelos bancos comerciais possa ser efectuado pelo montante de crédito concedido e desembolsado aos operadores da cadeia de produção de alimentos”.

A renovação do programa de crédito ao sector real da economia surge porque os bens alimentares "continuam a representar a classe que mais influencia negativamente a estabilidade de preços na economia angolana, sendo evidente a necessidade de reforço de estímulos visando o aumento da oferta de bens essenciais de consumo”, realçou o responsável.

No âmbito do Aviso nº 10 do BNA, que aprova créditos ao sector real da economia, foram aprovados, em 2021, financiamentos para 471 projectos de crédito no valor global de 634,32 mil milhões de kwanzas, correspondendo a 358 por cento do valor mínimo a conceder.

José de Lima Massano assinalou a "estabilidade do mercado cambial” em Dezembro de 2021, período em que os bancos comerciais adquiriram no mercado um total de mil milhões de dólares e o kwanza manteve o seu curso de apreciação”, que, no mês de Dezembro, foi de 4,61 por cento em relação do dólar, elevando a apreciação anual, no ano de 2021, para 18,24 por cento”, realçou.

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