Política

Presidente quer mudança radical nos órgãos de Defesa e Segurança

César Esteves

Jornalista

O Chefe de Estado, João Lourenço, exortou ontem, em Luanda, o novo ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, Francisco Pereira Furtado, “a mudar, radicalmente, o estado das coisas” nos órgãos de Defesa e Segurança, para que os últimos acontecimentos ocorridos - alusão ao caso do major Pedro Lussaty, afecto à Casa de Segurança do Presidente da República, detido com elevadas somas de dinheiro, pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) - não voltem a repetir-se.

02/06/2021  Última atualização 06H10
A adequação da estrutura da Casa de Segurança é uma das metas de Francisco Pereira Furtado, empossado ontem © Fotografia por: Santos Pedro| Edições Novembro
"Quero dizer não apenas nas Forças Armadas, mas em todos os órgão de Defesa e Segurança, como nas Forças Armadas, na Polícia Nacional e nos Serviços”, destacou.
Outra recomendação deixada pelo Presidente da República a Francisco Furtado, enquanto era empossado nas funções, em cerimónia no Palácio Presidencial, à Cidade Alta, foi a limpeza de todos os efectivos fantasmas que encontrar nos Órgão de Defesa e Segurança, "porque os últimos acontecimentos vêm demonstrar que é por aí que, com dinheiros públicos, estamos a engordar o Caranguejo”.


Em função disso, João Lourenço disse ao novo ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, a quem desejou muita coragem, que outra das suas missões passará por travar esta prática "o quanto antes”. Tal como acontece no quartel, na parada, em que depois de chamado o soldado responde presente, prosseguiu o Chefe de Estado, Francisco Furtado deverá usar, também, do mesmo exercício, para identificar os fantasmas. "Todos aqueles que recebem salários do Estado têm de, necessariamente, responder presente”, frisou o Presidente, para quem, a não acontecer, deverá concluir-se, imediatamente, que se está perante um efectivo fantasma.
Atenção particular aos bancos

O Presidente da República disse ser necessário prestar, igualmente, uma atenção particular aos bancos, pelo facto de tudo isto passar por lá. Disse haver comportamentos e procedimentos anormais na banca, razão pela qual defendeu mudança imediata deste quadro.
"Daí eu esperar, também, que possa haver uma acção mais forte e contundente da parte do Banco Central e da Unidade de Informação Financeira (UIF), não apenas para punir ou castigar os bancos prevaricadores, mas, sobretudo, para montar um mecanismo que garanta a prevenção do crime”, frisou.

A ideia, esclareceu o Presidente da República, não passa por tornar esta acção impossível, mas, pelo menos, difícil, "de modo que as práticas que assistimos não tenham continuidade”. João Lourenço pediu a colaboração da sociedade no combate a essas práticas.

Adequar a estrutura da Casa de Segurança
O novo homem forte da Casa de Segurança do Presidente da República apontou como uma das metas a alcançar durante o seu consulado a adequação da estrutura da própria Casa de Segurança.
Francisco Furtado disse que esta acção vai passar pela realização de um trabalho profundo de cadastramento físico de todos os efectivos dos órgãos de Defesa e Segurança Nacional, de forma a proporcionar mais dignidade àqueles órgãos que, como sublinhou, devem estar adequados à realidade do que o país realmente precisa. "Acima de tudo, a moralização da sociedade castrense e os órgãos de segurança, em si, para que sejam vistos pela sociedade no âmbito daquilo que são os seus deveres e suas obrigações funcionais”, frisou.

 Francisco Furtado, que admitiu estar diante de uma grande responsabilidade, disse não existir ainda um horizonte temporal para o término deste trabalho, mas prometeu dar início, a fim de começar já a apresentar resultados. "Com a ajuda dos meus colaboradores dos diferentes órgãos de Defesa e Segurança Nacional, podemos realizar este trabalho com a profundidade e a dimensão que se pretende dos órgãos de Segurança e Defesa Nacional do país”, declarou o ex-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas.

A uma pergunta se está preparado para o desafio que se lhe espera, Francisco Furtado respondeu: "os órgãos têm que estar preparados, acima de tudo com rigor, disciplina, organização e competência”, acentuou.  
Francisco Furtado, no-meado pelo Presidente da República na segunda-feira, substitui nas funções Pedro Sebastião, que estava no cargo desde 28 de Setembro de 2017.

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