Política

Presidente orienta a contratação para empresas têxteis

O Presidente da República, João Lourenço, orientou, ontem, os sectores ligados à indústria têxtil a começarem a trabalhar no processo de contratação, pela via legal, de empresas idóneas, nacionais ou estrangeiras, que ponham a funcionar, o mais rapidamente possível, a Nova Textang II, a África Têxtil e a ex-Satec, enquanto não se conclui o processo de privatização.

20/02/2020  Última atualização 09H53
Mota Ambrósio | Edições Novembro

O Titular do Poder Executivo deixou essa orientação no final de uma visita de cerca de uma hora à Nova Textang II, localizada no município do Cazenga, em Luanda. “A orientação, a partir de hoje, é que se procure abrir um concurso público para se encontrar gestores para estas unidades, que continuarão no sector público enquanto não se conclui o processo de privatização”, declarou. 

Entretanto, como a privatização é um processo um pouco moroso, como primeiro passo, João Lourenço defendeu que as três unidades fabris continuem a funcionar no sector público. “Eu considero um crime deixar essas unidades paradas no estado em que estão”, considerou o Presidente da Re-pública, realçando, mais adiante, o facto de o funcionamento da Nova Textang II, África Têxtil e a Satec gerar mais empregos, sobretudo para a juventude.
Como primeiro passo, o Titular do Poder Executivo orientou os sectores da Energia e Águas e das Finanças a ligarem as unidades fabris à rede eléctrica, de forma a terem os geradores de energia apenas como fonte alternativa.
“É incompreensível que unidades que existem há cerca de sete anos trabalhem exclusivamente com geradores. Os geradores devem ser fontes alternativas. Em cidades como Luanda, Benguela (onde se localiza a África Têxtil) e até mesmo o Dondo (onde está a Satec) não faz sentido algum que unidades desta dimensão trabalhem exclusivamente com geradores”, exemplificou.
No caso particular da Nova Textang II, que considerou estratégica para a economia nacional, o Chefe de Estado admitiu que, no actual cenário, não estão criadas as condições para que a mesma atinja o potencial máximo de produção, daí ter baixado as orientações atrás referidas. O passo seguinte, segundo o Presidente João Lourenço, será a privatização das unidades fabris. Em 2009, sob proposta do Ministério da Indústria, foi aprovado o programa Executivo do Sector da Indústria para o período 2009-2012, que contempla a reabilitação da Textang II, África Têxtil e a ex-Satec.
À luz deste programa, o custo de reabilitação de cada uma das fábricas ascenderia a 50 milhões de dólares. O financiamento foi concedido por uma instituição financeira japonesa, mas, contrariamente ao estabelecido no programa, o valor final dos três projectos superou dez vezes os montantes inicialmente previstos, divulgou, no ano passado, o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE).
Até Junho do ano passa-do, a África Têxtil, em Benguela, produziu menos de 10 por cento da sua capacida-de, enquanto a Textang II não ultrapassou os cinco por cento. A ex-Satec esteve sempre paralisada.
O Presidente da República admitiu a hipótese de ser instruído um processo-crime contra as pessoas envolvidas na gestão danosa das três fábricas. “O processo está na Justiça e daí para frente vamos deixar que faça o seu trabalho”, disse João Lourenço, para quem o arresto em curso contra a Nova Textang II é o primeiro passo que pode sempre evoluir para um processo-crime.
A Textang II tem uma capacidade instalada de produção de nove milhões de metros lineares de tecido por ano, para a qual necessita de cerca de 3.300 toneladas de algodão e 700 toneladas de poliéster, ou seja, cerca de quatro mil toneladas de matéria-prima por ano.
Para o suporte da sua actividade, necessita ainda de 74 mil metros cúbicos de água por mês, 8.8 megawatts de electricidade por mês (neste momento estão instalados grupos de geradores com 9.6 megawatts), 1.650 metros cúbicos de diesel (combustível) por mês, 4.500 metros cúbicos de gás por mês, seis milhões e 700 mil quilos de vapor por mês e 5.500 metros cúbicos de ar por hora.

País gasta 65 milhões de dólares em roupa usada

Angola gastou, no ano passado, 170 milhões de dólares em roupa nova importada e 65 milhões em usada (fardo), recursos que poderiam ser poupados, se as indústrias têxteis do país estivessem a funcionar em pleno.
A informação foi prestada, ontem, pelo secretário de Estado da Indústria, Ivan do Prado, durante a visita que o Presidente da República efectuou à fábrica Nova Textang II, no município do Cazenga.
Segundo Ivan do Prado, com a reabilitação das três principais fábricas do país, as empresas privadas têxteis têm condições para produzir 20 milhões de peças de roupa por ano.
A Nova Textang II tem uma capacidade de produção mensal de 250 mil metros lineares de tecido, resultado de um investimento de 235 milhões de dólares, usados na reabilitação das infra-estruturas e maquinaria.
Com a recuperação dessa unidade fabril no período de 2009 a 2013, cerca de 300 postos de trabalho directo foram criados, segundo o secretário de Estado.

Posse do presidente da CNE obedeceu aos ditames da lei

Nas breves declarações à imprensa, o Presidente da República foi convidado a fazer um comentário sobre à contestação à tomada de posse do novo presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), Manuel Pereira da Silva.
O Chefe de Estado disse que a indicação de Manuel Pereira da Silva obedeceu à Lei. “O que a Lei diz é que é competência do Conselho Superior da Magistratura Judicial indicar, pelo processo apropriado, o presidente da Comissão Nacional Eleitoral”, lembrou o Presidente João Lourenço, sublinhando que, no caso em apreço, o Parlamento limitou-se a dar posse ao escolhido pelo Conselho Superior da Magistratura Judicial.
“A Assembleia Nacional, à luz da legislação em vigor, não tem outra acção a fazer senão limitar-se a dar posse ao candidato”, acrescentou.

Caso Isabel dos Santos
O Presidente da República negou-se a fazer comentários sobre se terá ou não recebido uma carta da empresária Isabel dos Santos a solicitar uma negociação sobre o processo judicial que pesa contra si.
“No Palácio Presidencial entram centenas, senão milhares, de cartas de cidadãos. Se tiver de falar de cada uma delas, não faço outra coisa se-não tratar deste assunto. Não tenho comentário a fazer”, disse João Lourenço, quando questionado sobre o assunto, no final da visita.

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