Política

Presidente Marcelo Rebelo de Sousa quer investimento luso no interior

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, apelou aos empresários portugueses a alinharem com os objectivos de crescimento de Angola e acelerarem os investimentos por todo o país, principalmente no interior, e a não se concentrarem apenas num ponto do território nacional.

09/03/2019  Última atualização 08H55
Kindala Manuel | Edições Novembro © Fotografia por: Chefe de Estado português afirmou em Benguela que há vontade política para impulsionar as iniciativas de investimento

Ao discursar na quinta-feira no Fórum Empresarial Angola-Portugal, em Benguela, Marcelo Rebelo de Sousa destacou o facto de haver vontade política e empresarial capaz de dar impulso às iniciativas de investimento.
Num discurso em que o acento tónico recaiu para o investimento, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que “cada minuto em Angola hoje é crucial” e que se está “numa corrida contra-relógio na qual tem vantagem a cooperação e a conjugação de esforços de quem já conhece, trabalha no terreno, que não ensaia nem experimenta”.
“Isso é uma vantagem comparativa que sabemos que existe. Os empresários portugueses não estão à espera de descobrir o que propõem, sabem o que propõem”, disse, para acrescentar Angola e Portugal são dois grandes países, dois grandes irmãos. “É bom que tenham a noção disso”, disse o Chefe de Estado português, sublinhando que Angola vive um período de afirmação a todos os níveis, político, diplomático, económico e financeiro, social, cultural e a nível regional, continental e mundial.
Marcelo Rebelo de Sousa, que cumpre hoje três anos como Presidente de Portugal, destacou a “amizade fraternal” entre os dois países, que atingiu o plano da excelência e, neste momento, está traduzida em mais de três dezenas de acordos, que cobrem tudo o que se possa conceber como fundamental, como é da língua à cultura, da educação à saúde, da política à diplomacia e da economia às finanças, bem como da justiça à administração pública e poder local”.
Mas mais do que isso, realçou o Chefe de Estado português, o fundamental é que já se começou a executar aquilo que foi firmado, como é o caso de se dar continuidade ao processo de regularização da dívida, que, como disse, vem trazer um elemento adicional na afirmação da confiança, combustível para o crescimento do investimento, do emprego e da justiça social.
“Há pessoas aqui com os pés assentes no terreno para trabalharem para o progresso e a felicidade de ambos os países. Este fórum olha para o futuro, mas não é um fórum experimental, pois olha para o futuro e não chega sem conhecer a terra que pisa e não promete investimentos para daqui a anos”, disse.

Sem compasso de espera

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que o actual sentido da cooperação entre Angola e Portugal contraria o prognóstico daqueles que “pensaram que Angola e Portugal teriam de aguardar até ao reencontro das vontades políticas, da vontade empresarial e subestimaram” o nível das relações.
“Angola é muito melhor do que tinham pensado e Portugal é muito melhor do que tinham pensado e a nossa fraternidade é muito melhor do que imaginamos”, disse, para questionar: “por que não compreenderam Angola?”. “Para compreender é preciso conhecer e amar e isso não se aprende nos manuais. Ninguém se ama em teoria, só se ama em concreto e pessoas concretas de carne e osso”, disse o Presidente português, bastante aplaudido.
Marcelo Rebelo de Sousa saudou todos aqueles que permitiram que o dia tivesse lugar, com realce para o Presidente João Lourenço, que pela sua vontade política tornou tudo isso possível. Mas também do Primeiro-Ministro português, António Costa, do ministro das Relações Exteriores e da conjugação de vontades. “Vocês sabem que é difícil conjugar vontades em sete meses. E esta não vai parar. Este é um processo que apenas começou e vai continuar em todos os domínios”, assegurou, realçando que deve continuar na aplicação da Convenção da Dupla Tributação, na Segurança Social, nos projectos e na disponibilização de meios e no acompanhamento de projectos importantes para a economia, bem como na formação de professores e na cooperação na área da Saúde.

Confiança no mercado

O ministro-adjunto da Economia de Portugal, Pedro Sisa Vieira, defendeu a criação de condições de confiança no mercado angolano, de modo a atrair investimento estrangeiro, fundamentalmente no quadro das relações que se têm solidificado entre os dois países. “Estes sete meses desde a visita do Primeiro-Ministro de Portugal a Angola, a que se seguiu a visita do Presidente da República de Angola, João Lourenço, em Novembro do ano passado, e agora a visita do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, deram-se passos significativos na concretização das relações em todos os planos”. Segundo o ministro, os passos dados até agora são muito concretos, destacando os acordos assinados para evitar a dupla tributação. “Estamos também a falar da capacidade de concretizar-se, a curto prazo, a celebração de protecção recíproca de investimento, um acordo celebrado já há bastante tempo, mas que na verdade não tinham sido dados passos para a sua ratificação”, lembrou.

Tornar o país auto-suficiente

O ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, disse, na abertura do Fórum Empresarial Angola - Portugal, que o país tem de ser auto-suficiente na produção de alimentos e deixar de importar bens de grande consumo, passando a produzi-los localmente.
Manuel Nunes Júnior afirmou que esta é a forma de garantir menor pressão sobre as divisas, sendo que a poupança proveniente dos recursos externos servirá para investir em áreas reservadas ao desenvolvimento estratégico do país, como a Educação, Saúde, a Ciência e Tecnologia. “Só com o aumento da produção nacional poderemos criar riqueza”, disse o ministro de Estado, que reafirmou o desejo de Angola ver Portugal a ajudar na edificação de uma economia cada vez menos dependente do petróleo.
O fórum debateu “As Oportunidades de Investimento em Angola”, “Disposição de Espaços, Política Monetária e Cambial para a Facilitação na Realização do Investimento Privado, Políticas Alfandegárias para Facilitação das Importações e Exportações”. O ministro angolano disse que o país conta com empresários portugueses para edificar em Angola uma economia sustentável, forte e competitiva, capaz de gerar prosperidade aos dois povos. “Contamos convosco para edificar em Angola uma sociedade que seja um modelo de sucesso e que seja uma referência nos mais diversos domínios não só em África, mas também para o mundo”, concluiu.
Manuel Nunes Júnior lembrou que o Estado angolano já pagou cerca de 176 milhões de euros da dívida reclamada por empresas lusas, da qual mais de 66 por cento já se encontra certificada pelo Ministério das Finanças. O montante disponibilizado equivale a cerca de 60 por cento da dívida certificada, cerca de 280 milhões de euros.
O ministro garantiu que estão a ser tomadas medidas para evitar um novo ciclo de acumulação de atrasados no futuro. Sublinhou que todos esses factos, aliadàs às medidas que têm sido tomadas no sentido de se instaurar em Angola um verdadeiro Estado de Direito, em que ninguém está acima da lei, têm permitido o aumento da confiança dos agentes económicos no mercado nacional. “A confiança na lei e nas instituições têm estado a aumentar em Angola”, afirmou.
Manuel Nunes Júnior disse que o país vive hoje um ambiente muito diferente no domínio da Justiça, o que é bom para os angolanos e para os estrangeiros que querem investir no país. O ministro de Estado falou do papel do Estado, que é de agente regulador e coordenador de todo o processo, criando condições para que o investimento encontre um ambiente que assegure um retorno satisfatório e adequado do capital investido.

 

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