Política

Presidente encoraja mucubais a praticarem a agricultura

O Presidente da República, João Lourenço, deslocou-se, domingo (21), no último dia de trabalho à província do Namibe, à comuna de Forte de Santa Rita, a 20 quilómetros da cidade de Moçâmedes, para interagir, de perto, com uma população mucubal que passou a dedicar-se à prática da agricultura naquela zona.

22/11/2021  Última atualização 07H58
Presidente João Lourenço visitou a comunidade mucubal e aproveitou a ocasião para encorajar a prática da agricultura © Fotografia por: Dombele Bernardo | Edições Novembro
A agricultura não fazia parte dos seus hábitos, apenas a criação de gado. Mas, fruto da presença permanente, nos últimos anos, da seca na região, passou a dedicar-se a ela, tendo-a, agora, como outra fonte de subsistência.

Essa determinação chamou a atenção do Chefe de Estado, que decidiu deslocar-se àquela localidade, acompanhado da Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, e de vários membros do Executivo, para se inteirar dos trabalhos por eles desenvolvidos.

"O gado é importante, faz parte da vossa cultura, mas só o gado não é suficiente. É preciso, também, dentro do possível, fazer agricultura, para a vossa própria alimentação”, exortou o Presidente João Lourenço, quando interagia com a comunidade.

A zona em que se encontram a viver, há cerca de dois anos, está adjacente à ponte sobre o rio Giraul e os mesmos são provenientes de várias localidades do Namibe, de onde fugiram devido aos efeitos da seca. Até ao momento, já produziram vários produtos agrícolas, nomeadamente, batata-doce, tomate, cebola, trigo, mandioca e outros, que servem para o sustento próprio e escoar para outros pontos da província do Namibe.

"Estamos bastante satisfeitos com o facto de estarem, pouco a pouco, a transformar as vossas vidas, para não passarem a depender, apenas, do tratamento do gado”, destacou o Presidente.

Na conversa demorada que manteve com aquela população, o Presidente deu-lhes a conhecer que o Governo está a desenvolver políticas para mitigar os efeitos da seca nas suas vidas. "O Governo, e não só, está a trabalhar para diminuir o vosso sofrimento, procurando arranjar soluções de manter algumas fontes de água durante todo o ano ou agrupar as populações para junto dos pontos de água, que é o caso desta localidade, que, por ser o vale de um rio, tem alguma água praticamente em todo o ano”, salientou.

De modo a incentivá-los a continuarem com a agricultura, o Chefe de Estado ofereceu sementes e vários instrumentos necessários para a prática da agricultura. Também chamou a atenção do Presidente  o facto de a maioria daquela população estar já vacinada contra a Covid-19.

Sobre este particular, o Presidente lembrou que a melhor forma de se prevenir contra a doença é vacinar-se: "Por isso é que nós estamos aqui, porque, como estão vacinados, temos a confiança de que não há contaminação entre uns e outros”.
Destacou que não podia deixar a província sem manter este contacto com as populações autóctones do Namibe.

Na reunião sobre a governação local, realizada sábado, sob orientação do Presidente da República, João Lourenço, o governador da província do Namibe defendeu a implementação de soluções a curto prazo para acudir as populações afectadas pelos efeitos da seca.

Archer Mangueira apontou, entre outras saídas para o problema, a construção de pequenas chimpacas, represas e o reforço da assistência social, por via da concretização de um programa com carácter operacional, monitorizado por um comité piloto destacado na região Sul, sob comando da Casa de Segurança do Presidente da República, de modo a garantir o abastecimento regular e sistematizado de bens de primeira necessidade àquelas populações afectadas, por pelo menos os próximos seis meses.

Ressaltou, neste encontro, que nas zonas com maior vegetação a seca tende a agravar-se, devido ao abate indiscriminado de árvores, à ausência de mecanismos de retenção e canalização de água em zonas remotas, além da falta de alternativas de auto-resiliência nas comunidades agro-pastoris. "A transumância tem sido uma das saídas usadas pela população afectada pelos efeitos da seca, para garantir a sua sobrevivência e do gado”, destacou.

Da estimativa populacional da província, que ronda os 629 355 habitantes, o governador disse terem sido afectadas 202 472 pessoas, sendo que apenas 131 738 foram assistidas.

Portos vão  desenvolver região Sul de Angola

 As obras para a construção do novo Porto Mineraleiro do Sacomar e a ampliação do Porto Comercial do Namibe arrancam em Janeiro de 2022, informou, ontem, em Moçâmedes, o ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, na cerimónia de apresentação do projecto ao Presidente da República, João Lourenço.

Os trabalhos no Porto do Namibe, o terceiro maior do país, consubstanciam-se na construção de um terminal de contentores e a expansão do cais existente. Quando concluído, dentro de 32 meses, o empreendimento deverá ser o principal porto comercial de transhipping na região, servindo de porta de saída e entrada para os países vizinhos encravados como a Zâmbia, Botswana e Namíbia.

Mas a componente mais importante de todo o projecto, de acordo com o ministro, está voltada para a reabilitação do Porto Mineraleiro do Sacomar. "A prioridade está do lado do Sacomar, ou seja, do Terminal Mineraleiro, até porque estamos a sentir, ao longo dos últimos tempos, uma reanimação da economia mineral nesta região. Nesta altura, temos no terminal do Sacomar 65.000 toneladas de minério que vem do Cuando Cubango, sem falar do aporte que a Jamba Mineira poderá contribuir para esta região”, disse.

O ministro considerou que o investimento no Sacomar vai permitir a dinamização da economia do Sul de Angola, realçando que 2021 fica marcado pelo facto de ser o ano em que o Caminho-de-Ferro de Moçâmedes fez mais transporte de mercadorias a nível nacional.

O novo Porto Mineraleiro deverá ter 520 metros de cais linear e capacidade para atracar embarcações de 250.000 DWT, com uma capacidade máxima de 20 milhões de toneladas por ano.
O projecto conta com um investimento de, aproximadamente, 600 milhões de dólares, sendo 85 por cento financiado pelo Banco do Japão para a Cooperação Internacional (JBIC). Os outros 15 por cento têm financiamento do Banco de Desenvolvimento da África Austral (DBSA).

O contrato com o empreiteiro foi firmado em Janeiro de 2019, sendo este constituído pelo consórcio japonês Toyota Tsusho Corporation e TOA Corporation. Esta última empresa já teve uma participação exitosa na primeira fase da reabilitação do Porto do Namibe, em anos anteriores.

"Nesta altura, o projecto tem todas as condições. Do ponto de vista administrativo e financeiro, já está pago o down-timing para o seu arranque e as equipas já estão a trabalhar nas condições prévias para que, em Janeiro, iniciem os trabalhos que terão a duração de trinta meses”, disse.

Ricardo de Abreu referiu que, além da expansão do Porto Comercial e da total reabilitação do Porto Mineraleiro, existe a ideia de se requalificar a Baía de Moçâmedes, que surge como um subprojecto de todo esse investimento, cuja execução deverá ser desenvolvida numa lógica da parceria público-privada, aproveitando o potencial turístico da cidade e doutros serviços que podem ser criados na província.

A proposta prevê uma intervenção ao longo dos 7,2 quilómetros da baía, com a edificação de áreas como marginal dos pescadores, zonas de lazer, jardins, desportos e outras actividades lúdicas. "Estamos a criar condições, em parceria com o Governo local, para compatibilizar as ideias sobre este projecto, constituindo uma equipa conjunta entre os ministérios dos Transportes, Obras Públicas e Ordenamento do Território e o Governo da província, para dinamizar esta oportunidade”, disse.

O projecto integrado de desenvolvimento da Baía de Moçâmedes poderá resultar na criação de 500 postos de trabalho, todos destinados a quadros nacionais, além de outros 80 expatriados, entre japoneses e filipinos. As empresas subcontratadas, fornecedores e prestadores de serviços, bem como logística, envolvem mais de mil trabalhadores nacionais, segundo previsões.

  Instituto entregue ao Estado

O Complexo  Escolar Marítimo Hélder Neto, na cidade de Moçâmedes, foi, oficialmente, entregue ao Estado angolano, na presença do Presidente da República, João Lourenço, depois de receber obras de reabilitação e ampliação a cargo da empresa espanhola Kalam.

O edifício da instituição vocacionada ao ensino médio de ciências ligadas ao mar foi construído na década de 70 do século passado e apresentava degradação nas juntas de dilatação, além da necessidade de construírem novas oficinas.
Os trabalhos de reabilitação, avaliados em 25 milhões de dólares, permitiram a requalificação completa da estrutura, aumentando de 24 para 31 salas de aula. Conta agora também com uma sala de simulador e piscina para prática de aulas de salvamento.

Mais de 500 estudantes começam a formação no primeiro ciclo do ensino geral, ou seja, a partir da 7ª classe e terminam no 13º ano de escolaridade, com noções básicas sobre o Processamento de Pescado, Salvamento, Mecânica Naval, Biologia Marinha e Aquática, Mecânica Diesel, entre outros.


César Esteves|Moçâmedes  e Vladimir Prata | Moçâmedes

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