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Presidente do Burkina Faso demite-se após golpe de Estado militar

O Presidente do Burkina Faso, Roch Kaboré, demitiu-se hoje após a tomada do poder pelos militares, na sequência do golpe de Estado de domingo.

25/01/2022  Última atualização 10H14
Presidente do Burkina Faso, Roch Kaboré © Fotografia por: DR

Numa carta divulgada pela televisão estatal RTB , Kaboré, de 64 anos, disse que se demitia numa carta dirigida ao novo homem forte do país, o tenente-coronel Paul Henri Sandaogo Damiba.

"No interesse da nação, na sequência dos acontecimentos de domingo, decidi demitir-me das minhas funções de Presidente (...), chefe de governo e comandante supremo das Forças Armadas Nacionais. Deus abençoe o Burkina Faso", escreveu.

A carta de Kaboré, governou aquele país da África Ocidental desde 2015, foi divulgada após os militares terem confirmado na segunda-feira à noite na televisão estatal, através da leitura de dois comunicados, a tomada do poder e anunciado tanto a dissolução do Governo e do parlamento, como a suspensão da Constituição.

Em nome do Movimento Patriótico para a Salvaguarda e Restauração (MPSR), um porta-voz disse que a decisão de derrubar Kaboré foi tomada "com o único objetivo de permitir ao país regressar ao caminho certo e reunir todas as forças para lutar pela sua integridade territorial (...) e soberania".

"Face à contínua deterioração da situação de segurança que ameaça as fundações da nossa nação, à manifesta incapacidade de Roch Marc Christian Kaboré de unir o Burkina Fase para lidar eficazmente com a situação, e seguindo as aspirações dos diferentes estratos sociais da nação, o MPSR decidiu assumir as suas responsabilidades perante a história", acrescentou.

Os golpistas também anunciaram o encerramento das fronteiras aéreas e terrestres e o estabelecimento de um recolher obrigatório das 21:00 às 05:00 em todo o país "até nova ordem".

Por outro lado, asseguraram que tinham tomado o poder "sem derramamento de sangue e sem qualquer violência física contra os detidos, que se encontram num lugar seguro e com respeito pela sua dignidade".

Os militares, cujo golpe foi condenado pela União Africana (UA) e pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), comprometeram-se a propor, "dentro de um prazo razoável, após consulta das forças vivas da nação, um calendário para o regresso à ordem constitucional".

O Burkina Faso viveu uma situação tensa no domingo após tiros disparados de manhã cedo em vários quartéis militares na capital e noutras partes do país (Ouahigouya e Kaya), incidentes descritos como o início de um alegado motim para exigir melhorias nas Forças Armadas.

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