Política

Presidente defende venda de vacinas aos países africanos

O Presidente João Lourenço voltou a defender, sexta-feira(23), que se dê a possibilidade a Angola e outros países africanos de comprarem vacinas contra a Covid-19 com recursos próprios, considerando que há “imensas” dificuldades no acesso ao mercado.

23/10/2021  Última atualização 08H45
O debate entre os Presidentes de Angola e Portugal, em formato digital, foi o ponto alto da 4ª edição do Fórum Euro-África © Fotografia por: DR
O Chefe de Estado falava num debate virtual com o homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa, que decorreu no âmbito do Fórum Euro-África.
João Lourenço reconheceu que Angola e, de uma forma geral, o continente africano, têm beneficiado da solidariedade dos países com maior capacidade, sobretudo de produção e compra de vacinas, que têm doado vacinas, via iniciativa Covax ou de forma bilateral.

No entender do Presidente João Lourenço, essa solidariedade deve ir mais longe. "A solidariedade manifestada até aqui tem-se limitado à doação de vacinas, o que nós consideramos insuficiente. O que nós queremos dizer é que outra forma de manifestação da solidariedade será abrir aos nossos países a possibilidade de nós, com os nossos recursos, adquirirmos as vacinas de que necessitamos. Essa parte está a falhar”, frisou o Chefe de Estado.

"Estamos a ter imensas dificuldades em ter acesso ao mercado das vacinas. Eu não diria já que devemos ser ajudados no sentido de criarmos capacidade para a produção própria das vacinas, porque isso é um processo que leva ao seu tempo - não será com certeza para esta pandemia, talvez para outras futuras, mas o que pretendemos é que nos seja aberta a possibilidade de nós próprios, paralelamente ao que temos recebido gratuitamente, podermos adquirir com recursos nossos as vacinas que deviam estar disponíveis no mercado”, defendeu.

O Presidente sublinhou que Angola estaria disponível para comprar vacinas contra a Covid-19, acrescentando que o país instalou uma grande capacidade de frio necessária para a conservação dos imunizantes.

"Instalamos, a nível de todo o país, uma capacidade boa de testagem, mas sobretudo uma boa capacidade de frio para a conservação das vacinas”, afirmou.Segundo João Lourenço, o país tem capacidade de conservar vacinas quer na modalidade de conservação, quer de congelação ou mesmo de ultracongelação.

Assim, tem uma capacidade de armazenagem, "no seu conjunto, de cerca de 70 milhões de doses de vacinas, concentrada sobretudo na cidade de Luanda”, mas que facilmente podem ser colocadas "em qualquer ponto do país”, realçou. "Portanto em termos de logística não estamos mal”, afirmou.

O debate entre os Presidentes de Angola e Portugal, em formato digital, foi o ponto alto da 4ª edição do Fórum Euro-África, que começou na quarta-feira e terminou ontem, numa iniciativa do Conselho da Diáspora Portuguesa.

O debate centrou-se na cooperação entre Europa e África, e nas relações económicas entre os dois continentes.

A agenda do fórum incluiu sete painéis: Perspectivas sobre Economia para a Europa e África após o Acordo de Comércio Livre, Trabalho Digital e Plataformas e Tecnologias Digitais, A Revolução da ID Digital, Abrir caminho para o Crescimento Verde e Transições Inclusivas, Cultura e Mercado, e Media e Digitalização.

Entre os oradores estiveram empresários, activistas, líderes, decisores públicos e privados e outros agentes que deram o contributo para o diálogo entre a África e a Europa.

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