Mundo

Presidente de Cabo Verde regressa da ONU optimista sobre alívio da dívida

O Presidente de Cabo Verde disse à agência Lusa estar “relativamente optimista” sobre o alívio da dívida, após conversas com outros países na semana anual mais importante da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.

25/09/2021  Última atualização 07H15
© Fotografia por: DR
O Chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, adiantou que o alívio da dívida do país foi um tema sempre presente nas reuniões bilaterais que manteve com dignitários de outros países ou instituições, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, com reacções "relativamente optimistas”, especialmente para a possibilidade de transformação da dívida em investimentos.

"Nós falamos sempre do perdão ou o alívio da dívida, porque estamos num contexto complicado. Somos o país em África que sofreu os impactos mais fortes da pandemia. Somos um país de rendimento médio, mas somos também um pequeno país insular em desenvolvimento”, afirmou Jorge Carlos Fonseca à Lusa.

O Presidente cabo-verdiano defendeu que "todas essas condições devem sugerir e favorecer posições de perdão de dívida ou de alívio da dívida”.

"Portanto, temos feito esse apelo, discutindo isso com as instituições internacionais, mas também bilateralmente com alguns dos países amigos e outros parceiros”, acrescentou."Não é fácil, mas, sobretudo quando nós propomos a transformação de dívida em investimento, eu creio que é mais fácil de obtermos, digamos, uma solução a nosso contento”, sublinhou.

Aos seus homólogos internacionais, relatou a situação da pandemia no arquipélago e o facto de "Cabo Verde ser o país africano que, comprovadamente, sofreu os impactos económicos e sociais de uma forma mais brutal”.

Como indicou no seu discurso perante a Assembleia Geral da ONU, na quarta-feira, a pandemia de Covid-19 gerou "uma recessão nunca antes experimentada, traduzindo-se numa redução de 14,8%” do Produto Interno Bruto (PIB).

O Presidente cabo-verdiano explicou à Lusa que, "com o turismo parado, os impactos são tremendos”, um sector que representa 25% da economia nacional, "67% da balança de pagamentos com o exterior e 20% da empregabilidade”.

O sector tem dado "alguns sinais de uma retoma tímida”, nomeadamente nas ilhas turísticas como o Sal e Boavista, durante o alívio das medidas restritivas impostas por causa da Covid-19, considerou.
Estados insulares

O Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, afirmou que a "primeira prioridade” do arquipélago é "combater” a pandemia de Covid-19 e pediu mais atenção aos problemas dos pequenos Estados insulares.

"Na presente conjuntura, a primeira prioridade de Cabo Verde é combater a pandemia de Covid-19. Ganhos importantes e consistentes têm sido registados, tanto na redução das taxas de transmissão, quanto na taxa de vacinação da população elegível, que já atingiu os 74%, com pelo menos uma dose, sendo nossa meta atingir 85%, da população elegível, totalmente imunizada, até ao final de Outubro”, afirmou.

"Este sucesso não seria possível sem a perseverança e determinação que caracterizam os dirigentes e o povo cabo-verdianos, bem assim como o reforço da solidariedade mundial de todos os parceiros, designadamente do Covax. O nosso mais vivo agradecimento a todos”, disse ainda Jorge Carlos Fonseca.

O mecanismo Covax é uma iniciativa fundada pela Organização Mundial da Saúde (OMS, agência das Nações Unidas), que visa garantir uma vacinação equitativa global contra o novo coronavírus.Paralelamente, reconheceu, a recuperação económica continua a ser uma prioridade para Cabo Verde, "principalmente através da retoma do sector do turismo e das economias conexas”.

"O reconhecimento recíproco dos certificados de vacinação e a revisão dos avisos de viagens são medidas em relação às quais Cabo Verde tem vindo a trabalhar com os parceiros públicos e privados e orientações internacionais, nesse sentido, só poderão apoiar e encorajar o retorno do turismo”, apelou Jorge Carlos Fonseca.

Segundo o Presidente, Cabo Verde "tem estruturalmente todas as características” de um Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento (SIDS, na sigla em inglês), nomeadamente, "a pequenez física e a dispersão em ilhas, a imersão em grandes espaços oceânicos e o afastamento dos principais mercados”, que "fragilizam a sua base económica, acentuam a sua exposição às mudanças climáticas e a outros fenómenos ambientais, como a seca”, reduzindo a "resiliência face aos fenómenos naturais e a outros choques externos”.

"Nesse âmbito, as manifestações e impacto da Covid-19 somente exacerbaram as condições preexistentes, fazendo dos SIDS os mais afectados pela pandemia”, enfatizou.

"Os SIDS, seus problemas, desafios e soluções, deverão estar presentes na Cimeira do Futuro, anunciada pelo Secretário-Geral (da ONU, António Guterres), como parte dos problemas, mas também como parte das soluções. E a oportunidade se nos oferece para a tomada de decisões que venham ao encontro das especificidades e dos legítimos interesses e aspirações deste grupo de países, de entre os mais vulneráveis da família das Nações Unidas, não deixando nenhum para trás”, apelou.

Ainda sobre o impacto da pandemia, Jorge Carlos Fonseca recordou que "desconstruiu de forma brutal” a economia de Cabo Verde, devido à ausência total de turismo, após um crescimento económico anual a rondar os 6%, nos últimos anos.

"Causando desprotecção social, desemprego e aumento da pobreza. Desregulando os fundamentos da macroeconomia, como a inflação, o défice orçamental, a dívida e a queda vertiginosa do crescimento económico, em suma, gerando uma recessão nunca antes experimentada, traduzindo-se numa redução de 14,8%”, sublinhou.

Disse, no entanto, que Cabo Verde "não reagiu com resignação, mas com determinação, tomando de imediato, e a curto prazo, todas as medidas anticrise recomendadas internacionalmente”.

"Para o médio e longo prazos, fizemos um exercício participativo de planificação estratégica, para definir uma visão comum para o horizonte 2030, intitulado Cabo Verde Ambição 2030, para retomarmos o processo do desenvolvimento sustentável e reconstruirmos melhor, a partir dos ensinamentos e oportunidades surgidas da crise, incluindo, no plano do acesso ao financiamento concessional e da atração do investimento directo externo, que continuam a ser os maiores obstáculos nessa direcção”, acrescentou Jorge Carlos Fonseca.

É urgente melhorar eficiência da organização

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, defendeu que é urgente melhorar a eficiência da ONU, para revitalizar a organização na sua globalidade.

"Num mundo cada vez mais globalizado, a relevância da existência da Organização das Nações Unidas e das suas agências tornou-se de extrema importância”, afirmou Umaro Sissoco Embaló.

O Chefe de Estado guineense discursava, quarta-feira, na 76ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que decorre na sede da ONU, em Nova Iorque.

"Perante esta realidade, é urgente melhorar a eficiência da nossa organização e adoptar as necessárias reformas, em todos os seus órgãos, incluindo o Conselho de Segurança, com vista à revitalização do Sistema das Nações Unidas na sua globalidade”, disse. 

Para Umaro Sissoco Embaló, só assim se poderá implementar a agenda 2030, "destinada a promover o desenvolvimento humano em todos os seus aspectos” e promover a "igualdade do género” e o "respeito pelos direitos humanos”.

"É preciso apoiar os mais vulneráveis, promover a criação de sistemas de saúde adequados e garantir a todos os países, sem distinção, um acesso rápido e equitativo às vacinas contra a Covid-19, afirmou.O Presidente da Guiné-Bissau manifestou também disponibilidade para trabalhar com os vários parceiros de desenvolvimento, para encontrar "soluções inovadoras e viáveis face aos actuais desafios da pandemia da Covid-19”.

Umaro Sissoco Embaló salientou que as alterações climáticas são uma "realidade irrefutável” e que têm impacto e se fazem sentir "com mais frequência” nos Países Insulares em Desenvolvimento, grupo do qual a Guiné-Bissau faz parte.

As alterações climáticas são um "desafio permanente para todos”, disse, salientando que a Guiné-Bissau elaborou planos de Adaptação às Alterações Climáticas e aumentou o sistema nacional das áreas protegidas terrestres e marinhas para mais de 26% do território nacional.

Sobre o fim da missão de consolidação de paz da ONU no país, em Dezembro de 2020, Umaro Sissoco Embaló agradeceu o apoio dado por todos os parceiros e disse que hoje a Guiné-Bissau está a assumir com os seus "próprios esforços as principais responsabilidades inerentes a um Estado” e a garantir a "estabilidade política e o normal funcionamento das instituições do país”.

A Guiné-Bissau está "empenhada na realização concreta de objectivos endógenos, tais como a consolidação da paz no país e na criação de melhores condições de vida para a sua população, dando  uma renovada esperança à sociedade guineense”, salientou. 

Vinte países da UE propõem recondução de Tedros na OMS

Cerca de 20 países da União Europeia (UE) propuseram a candidatura de Tedros Adhanom Ghebreyesus à sua própria sucessão na liderança da Organização Mundial da Saúde (OMS), pouco antes do final do prazo limite.

Os Estados-membros da OMS deveriam designar os candidatos até às 18h00 locais (17h00 em Angola). Na quarta-feira a Alemanha tinha oficialmente anunciado que proporia a recondução de Tedros, que parece surgir como o único candidato.

Apesar de Tedros ainda não ter oficializado a sua candidatura, o apelo de Berlim foi atendido, e, quinta-feira, cerca de 20 países da UE propuseram a candidatura do médico etíope, indicaram fontes diplomáticas citadas pela agência noticiosa AFP.Cada um destes países, onde se inclui Portugal, e ainda a Áustria, França ou Espanha, entregaram ontem um envelope selado à OMS.

Estes envelopes não serão abertos pela OMS antes de 1 de Outubro. De seguida, e passadas algumas semanas, a lista de candidatos será transmitida aos Estados-membros da organização, antes de ser divulgada publicamente.

Tedros Adhanom Ghebreyesus tornou-se, em 2017, o primeiro africano a assumir a chefia desta poderosa agência da ONU, na primeira linha desde o início da pandemia, e tornando-o numa das figuras mais familiares da luta contra a Covid-19.
Cyril Ramaphosa pede fim ao racismo e à discriminação

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, instou os líderes mundiais a redobrarem esforços na luta contra o racismo e a discriminação e a confrontar a sub-representação do continente africano no sistema da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Comemorámos ontem (quarta-feira) o 20º aniversário da adopção da Declaração e Programa de Acção de Durban na Conferência Mundial contra o Racismo que se realizou na África do Sul”, referiu Ramaphosa, sublinhando que continua a ser o "plano de acção” da comunidade internacional para combater "o racismo e outras formas de intolerância”.

O Chefe de Estado sul-africano falava numa mensagem de vídeo transmitida na sede das Nações Unidas, por ocasião da 76ª Assembleia Geral da organização, que decorre em Nova Iorque, Estados Unidos da América.

"Temos a responsabilidade comum de combater tanto o legado do racismo do passado como a manifestação do racismo no presente”, frisou Ramaphosa, que acrescentou: "O racismo, assim como o sexismo, a xenofobia e a homofobia, rebaixa-nos a todos”.

"Mina a nossa humanidade e sufoca os nossos esforços para construir um mundo enraizado na tolerância, no respeito e nos direitos humanos”, salientou, instando a comunidade internacional a usar o aniversário da Declaração de Durban para renovar o "compromisso no combate ao racismo, para eliminar a discriminação racial, a xenofobia e as intolerâncias onde quer que se encontrem”.

Na sua intervenção, Ramaphosa instou ainda a comunidade internacional a "enfrentar” as mudanças climáticas, manter a paz e a segurança e a proteger os mais marginalizados da sociedade."Acima de tudo, devemos fechar as feridas da pobreza, da desigualdade e do subdesenvolvimento que estão a impedir as sociedades de realizarem todo o seu potencial”, frisou o líder sul-africano, defendendo nesse sentido a reforma "urgente” da ONU.

No seu entendimento, "isso só pode ser feito no âmbito de um sistema multilateral revitalizado e reformado, com uma ONU forte e capaz no seu centro”."Devemos abordar a sub-representação do continente africano no sistema das Nações Unidas e garantir que a voz de África, onde residem 1,3 biliões de pessoas e do Sul global em geral, fortaleça o sistema multilateral”, frisou.

Cyril Ramaphosa, que é também presidente do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), no poder na África do Sul desde o fim do sistema de segregação racial do ‘apartheid’, em 1994, reiterou a posição de Pretória para com o direito do povo do Sahara Ocidental à autodeterminação, "de acordo com as decisões relevantes da União Africana e as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas”.

"A África do Sul afirma ainda a sua solidariedade para com o povo cubano e apela ao levantamento do embargo económico que causou danos incalculáveis ao desenvolvimento económico do país. Também pedimos o levantamento das sanções que estão a paralisar o Zimbabwe e a sua economia”, adiantou."Reiteramos hoje, não porque sejamos obrigados por prática ou hábito a fazê-lo, mas porque acreditamos firmemente que não haverá paz nem justiça até que o povo palestiniano esteja livre da ocupação e seja capaz de exercer os direitos pelos quais esta organização das Nações Unidas se bate”, declarou Ramaphosa.

O Presidente sul-africano apelou ainda à redução da dívida das economias africanas, reiterando que sejam disponibilizados cerca de 165 mil milhões de dólares ao continente africano.Ramaphosa defendeu também a distribuição "justa e equitativa” de vacinas contra a Covid-19 pelos países ocidentais.

"É uma acusação contra a humanidade que mais de 82% das doses de vacinas do mundo foram adquiridas por países ricos, enquanto menos de 1% foi para países de baixo rendimento”, sublinhou.

"ONU não se pode conformar com as vítimas do racismo”


O Presidente da Guiné Equatorial afirmou, numa reunião de alto nível da Organização das Nações Unidas (ONU), que, enquanto houver vítimas de racismo, não pode haver conformismo e pediu o redobrar dos esforços internacionais.

"Não podemos conformar-nos com a adopção da declaração, enquanto continuam a existir vítimas”, afirmou Obiang Nguema Mbasogo, através de uma mensagem de vídeo na reunião de alto nível da ONU para comemoração do 20.º aniversário da Declaração de Durban e Programa de Acção Contra o Racismo.

O Presidente da Guiné Equatorial avaliou como "êxitos” diversas acções, programas e medidas pela ONU, União Africana e sociedade civil, para combater a discriminação, racismo e xenofobia, mas pediu o redobrar de esforços.

No contexto da pandemia de Covid-19, Nguema Mbasogo considerou que se viu um "aumento da segmentação, insegurança, exclusão social, isolamento e estigmatização” contra pessoas em situação de vulnerabilidade.

"Infelizmente, as causas multifacetadas, bem como as consequências atrozes de actos de discriminação, racismo, xenofobia e intolerâncias relacionadas a pessoas em situação vulnerável foram exacerbadas pela Covid-19”, considerou o Chefe de Estado.

"Agora mais do que nunca, devemos redobrar os nossos esforços e continuar a trabalhar juntos como uma comunidade global, para combater o flagelo do racismo, a discriminação sistemática e estrutural e a xenofobia”, acrescentou.

Defendendo a responsabilização, prestação de contas e o combate à impunidade dos perpetradores de discriminação racial, o Presidente equato-guineense apelou a uma "parceria fortalecida” entre governos, Nações Unidas, instituições de direitos humanos, sociedade civil e sector privado, com especial atenção para a inclusão de mulheres e jovens.

"A todas as vítimas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância em todas as partes do mundo, devemos este verdadeiro esforço conjunto”, determinou Obiang Nguema Mbasogo.

Ainda sobre a Covid-19, o Presidente da Guiné Equatorial pediu a eliminação de todas as barreiras que existem na distribuição de vacinas contra a Covid-19 a minorias "com base na raça, cor, nacionalidade, deficiência, idade, sexo, exercício da liberdade de consciência e religião”.

Antiga colónia espanhola, a Guiné Equatorial integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde 2014.




Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo