Política

Presidente da República fez a descrição do país real

Ismael Botelho

Jornalista

O académico e deputado do MPLA Mário Pinto de Andrade afirmou, sexta-feira (15), que o Presidente João Lourenço fez um balanço realista e positivo da actual situação do país, durante o discurso sobre a estado da Nação.

17/10/2021  Última atualização 07H37
Mário Pinto de Andrade considerou que o discurso do Chefe de Estado reflectiu a vida nacional © Fotografia por: Kindala Manuel | Edições Novembro
Em declarações à imprensa, no final do acto solene de abertura do ano parlamentar, durante o qual o Chefe de Estado proferiu a mensagem sobre o estado da Nação, Mário Pinto de Andrade referiu que apesar do actual contexto de pandemia,”o Presidente da República trouxe um discurso alinhado à realidade política, económica e social real”.


"Temos que entender que a pandemia veio prejudicar não só Angola, mas também o mundo. Até os grandes países ficaram prejudicados. Portanto, o Presidente teve a coragem de fazer um balanço real da sua actividade e mostrou o seu pensamento, isso é de extrema importância”, considerou. 


Mário Pinto de Andrade referiu que o discurso do Presidente da República representa, no fundo, os quatro anos de mandato, porque nele estão reflectidos os sectores prioritários da vida nacional, mostrando, principalmente, o que foi feito em todo o país.

No seu entender, compete, agora, a cada cidadão, extrair e fazer uma apreciação crítica sobre o que foi dito, mas, afirmou, no geral, apesar da pandemia, o Governo trabalhou de forma positiva para que a situação não fosse desastrosa.


Combate à corrupção


O deputado João Pinto, do MPLA, reconheceu que quando o Presidente João Lourenço assumiu o poder tinha a noção que havia corrupção, mas não a dimensão real dos tentáculos, as consequências, o impacto, o volume, as relações e os interesses instalados. Acrescentou que só agora é que o Chefe de Estado percebe melhor a sensibilidade da situação, resultante da maturidade moldada pelo tempo que está na Presidência.


Ao aperceber-se que o combate à corrupção tem tentáculos internacionais e interesses instalados, segundo João Pinto, o Presidente João Lourenço "foi coerente ao querer mostrar aos angolanos que precisamos de uma cultura de responsabilização, da cultura da transparência e da prestação de contas”.

Para João Pinto, o Presidente da República deixa claro, ao falar das dezenas de cartas rogatórias e ao anunciar a dimensão dos valores envolvidos, que esse combate não se faz com políticas de curto e médio prazos, mas de longo prazo.
O parlamentar reconheceu, ainda, que o combate à corrupção "não é um processo fácil” e que nem todas as medidas vão ter impacto imediato. "Essa coragem do Presidente de combater a corrupção e a impunidade terá efeitos a médio e longo prazos”, concluiu.

  UNITA: discurso evitou alguns assuntos


A deputada e antiga vice-presidente da UNITA, Arlete Chimbinda, considerou que o Chefe de Estado falou de vários assuntos, que são de extrema importância, mas evitou outros, que deviam ser aflorados na mensagem à Nação.

No seu entender, o Presidente da República não falou das questões de grande importância da vida nacional, considerando ser "a leitura de um relatório das actividades do Executivo levadas a cabo durante o ano civil”.

A questão da Lei Eleitoral, que foi devolvida pelo Chefe de Estado à Assembleia Nacional, e o pacote legislativo da comunicação social, disse, não estiveram na agenda do Presidente.

"Temos estado a apontar o dedo à comunicação social, que não desempenha o seu papel de uma forma isenta, não dá as mesmas oportunidades a todos os actores políticos, e o Presidente podia ter clarificado isso”, sublinhou.
Outro aspecto relevante, segundo a parlamentar, é a questão da definição do poder judicial que estaria, segundo a UNITA, a sofrer interferência política.

"Acho que este ponto merecia uma atenção do mais alto dignitário da Nação, para que as pessoas saibam o que ele pensa e para podermos fazer a separação das águas. O Presidente ignorou esses aspectos”, disse Arlete Chimbinda, concluindo que o discurso do Chefe de Estado "ficou aquém das expectativas.

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