Política

Presidente da República convida Macky Sall a visitar Angola

César Esteves

Jornalista

O processo de relançamento das relações diplomáticas entre Angola e Senegal pode atingir o ponto mais alto a qualquer momento. O Presidente da República, João Lourenço, endereçou, esta quinta-feira (20), a partir de Luanda, o convite para o homólogo Macky Sall visitar Angola nos próximos tempos. O estadista angolano convidou através da ministra dos Negócios Estrangeiros daquele país, Aissata Taal Sall, durante a audiência que lhe concedeu na Cidade Alta.

21/01/2022  Última atualização 06H45
Aissata Taal Sall disse ser a vez do Senegal abrir a sua representação diplomática em Angola © Fotografia por: Dombele Bernardo| Edições Novembro
 Em declarações à imprensa, à saída do encontro, a chefe da diplomacia senegalesa considerou o convite um passo importante para o processo de relançamento das relações entre os dois países. "Isso já é um passo importante para o aprofundamento e o melhoramento da cooperação que nós queremos construir a partir de agora”, realçou.

 Disse que, durante o encontro, o Chefe de Estado defendeu a necessidade de se acelerar o processo, para recuperar o tempo perdido. "O Presidente João Lourenço disse-me que temos 46 anos de atraso na nossa cooperação e, em função disso, disse que não devemos caminhar, mas correr, para ganhar o tempo perdido”, salientou. 

Depois da abertura da Embaixada angolana no Senegal, cujo nomeado para a missão é Adão Pinto, Aissata Taal Sall referiu ser, também, a vez do Senegal abrir a missão diplomática em Angola, além de lamentar o tempo que as duas diplomacias ficaram sem se relacionar, mas disse não ser tarde para o relançamento.

 "Não há atraso que não pode ser recuperado. Basta que haja vontade dos dois Chefes de Estado, isso vai acontecer”, frisou. Sem precisar os motivos que levaram os dois países a ficar 46 anos sem relações diplomáticas, Aissata Taal Sall aventou, apenas, a possibilidade de tal ter ocorrido pelo facto de Angola e Senegal estarem em zonas distintas do continente africano e por falarem línguas diferentes. "Talvez tenha acontecido devido a essas limitações”, frisou.
 
Posição nas sub-regiões

Tendo em conta o papel que Angola e Senegal representam nas suas sub-regiões, Aissata Taal Sall defendeu o uso dessas vantagens para a reintegração do continente. "Se não houver integração a nível da CEDEAO e da África Central, não haverá integração em África”, sublinhou a diplomata, considerando que ambos os países podem desempenhar um papel central também nas suas regiões.
Exploração de petróleo

A ministra dos Negócios Estrangeiros do Senegal anunciou que o seu país vai começar a explorar petróleo a partir do próximo ano e, nessa matéria, disse que é preciso "beber” da experiência angolana. "Angola já explora o petróleo há décadas. Por isso, nós estamos mais do que interessados em aprender com Angola sobre exploração de petróleo, bem como, também, aprender os erros cometidos nesse âmbito, para os evitarmos”, concluiu.

 Durante a cerimónia em que conferia posse a Adão Pinto, como embaixador do Senegal, o Presidente da República destacou o papel influenciador daquele país na região da África Ocidental.”O Senegal é um país importante pela sua cultura, história, mas, sobretudo, pela influência que tem naquela região onde está inserido, na África Ocidental. Espero que o senhor embaixador faça tudo para compensarmos a oportunidade perdida ao longo deste tempo”, perspectivou.


  Isenção de Vistos em passaportes de serviço entre os instrumentos assinados


Angola e a República do Senegal rubricaram, ontem, quatro instrumentos jurídicos que vão, entre vários aspectos, reforçar as relações bilaterais entre os dois países e criar bases fundamentais para futuras áreas de cooperação.

 Assinaram, também, um Acordo Geral de Cooperação Económica, Técnica, Social e Científica, um instrumento jurídico sobre a criação de uma Comissão Bilateral, além de um Acordo para Isenção de Vistos em Passaportes diplomáticos, oficial e de serviço, e um Memorando de Entendimento sobre o estabelecimento de mecanismos de consultas políticas.

Os acordos foram assinados pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, e pela ministra  dos Negócios Estrangeiros e Senegaleses no Exterior, Aïssata Taal Sall, no fim da segunda reunião de consultas políticas.

 Antes da assinatura dos acordos que decorreu no Ministério das Relações Exteriores, o chefe da diplomacia angolana disse estar convicto que os quatro instrumentos jurídicos vão estimular as múltiplas vertentes da cooperação com  vantagens mútuas.

 Téte António considerou prioritário o estabelecimento de uma cooperação sólida e efectiva nos domínios político-diplomático, Agricultura, Transportes, Petróleo e Gás, Educação, Cultura, Indústria, Comércio, Saúde, Telecomunicações e Tecnologia de Informação e Comunicação Social, entre outros.

 "É com esse espírito que a República de Angola pretende dinamizar, ampliar e consolidar as relações políticas, económicas, culturais e comerciais com o Senegal, em diferentes áreas de interesse mútuo, correspondendo assim a uma nova estratégia de cooperação bilateral”, reafirmou, lembrando que as relações entre os dois países são históricas e sempre concretizadas num ambiente de amizade,
fraternidade e irmandade.          


Edna Dala                        



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