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Presidente Buhari demite juiz do Tribunal Supremo

Na véspera das eleições, onde concorre a um segundo mandato, o Chefe de Estado da Nigéria, Muhammadu Buhari, decidiu suspender o presidente do Supremo Tribunal na sequência de uma longa polémica sobre um processo por corrupção onde está supostamente envolvido, uma opção que a oposição já considerou ser “inconstitucional”.

27/01/2019  Última atualização 10H37
DR © Fotografia por: Chefe de Estado da Nigéria foi acusado de envolvimento em casos de corrupção no país

“O Presidente Buhari decidiu suspender Walter Samuel Nkanu Onnoghen do cargo de mais alto magistrado do país e nomear Ibrahim Tanko Muhammad como presidente interino do Supremo Tribunal”, anunciou ontem Bashir Ahmad, um dos porta-vozes da Presidência nigeriana, através da rede Twitter.
O novo líder do Supremo Tribunal, Ibrahim Tanko Muhammad, é originário do Norte, tal como o Presidente Buhari, que vem sendo acusado de favorecer os muçulmanos provenientes daquela região promovendo-os para cargos importantes no país e de conduzir uma continuada campanha contra os adversários políticos, a pretexto da luta contra a corrupção.
Na base da decisão do Presidente, segundo o porta-voz, está uma “ordem do Tribunal do Código de Conduta” que estava a julgar Onnoghen por, alegadamente, não ter declarado várias contas bancárias que possui em dólares, euros e libras. A oposição acusou de imediato o Governo de querer neutralizar o juiz,  muito crítico do poder actual, devido ao facto do Supremo Tribunal ter competência para decidir sobre eventuais litígios relacionados com o processo eleitoral.
Há uma semana, o principal adversário do Presiden-
te Buahri para as eleições de Fevereiro, o antigo vice-presidente Atiku Abubakar, acusou o Chefe de Estado de “fa-
zer pressão sobre uma instituição governamental independente e autónoma para demitir o presidente do Su-premo Tribunal.
A Constituição nigeriana prevê que o Chefe de Estado só pode demitir o presidente do Supremo Tribunal medi-ante a aprovação de dois terços do Senado, mas neste caso Onnoghen não foi demitido, mas apenas “suspenso” pelo Chefe de Estado.
Os nigerianos vão às urnas a 16 de Fevereiro para escolher o Presidente e parlamentares. Muhammadu Buhari, que concorre a um segundo mandato, tem sido fortemente criticado pelas decisões sobre segurança, economia e o combate à corrupção.

Tentativa de fraude
eleitoral
O antigo Chefe do Estado-Maior do Exército da Nigéria, general Theophilus Yakubu Danjuma, admitiu estar em preparação um plano de fraude nas eleições gerais  previstas para 16 de Fevereiro, indicou a “Africanews” no site.
Segundo a Africanews, Theophilus Yakubu Danjuma, actualmente na reforma, não precisou  quem aproveitaria esta fraude, mas revelou que havia um plano “sinistro” de deturpação dos resultados dos escrutínios.
Cerca de 84 milhões de nigerianos, registados pela Comissão Eleitoral  “INEC” (sigla em inglês), vão às urnas a 16 de Fevereiro deste ano.
Os eleitores deverão escolher os conselheiros municipais ou regionais, deputados e sobretudo o sucessor de Muhammadu Buhari, candidato à sua própria sucessão na Presidência da República Federativa da Nigéria.
As eleições vão decorrer num período em que as forças de segurança continuam a sentir reconhecidas dificuldades para travar a crescente onda de instabilidade criada pela multiplicação das acções "terroristas" dos grupos do Boko Haram e outros que reclamam ligação ao Estado Islâmico.
Para agravar a situação, têm também aumentado os conflitos étnicos geradores de numerosas mortes e deslocação de populações das suas  zonas de origem.

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