Mundo

Presidente Assoumani reeleito à primeira volta

A Comissão Eleitoral das Comores anunciou ontem a reeleição, logo à primeira volta, do Presidente Azali Assoumani e declarou-o vencedor do pleito de domingo com 60,77 por cento dos votos válidos. O adversário, Mahammoudou Ahamada, obteve 14,62 por cento das preferências de voto.

28/03/2019  Última atualização 10H29
DR © Fotografia por: Azali Assoumani venceu o pleito de domingo passado com 60,77 por cento de votos válidos

Apesar da substancial diferença do número de votos dos dois candidatos, Mahammoudou Ahamada já anunciou que vai recorrer para as instâncias superiores de mo-do a conseguir uma recontagem dos boletins depositados nas urnas e para denunciar o que diz serem “graves irregularidades”.
No poder desde 2016, Azali Assoumani já comemorou a vitória com os principais aliados, na sua maioria militares, e houve várias manifestações de regozijo pelo anúncio feito pela Comissão Eleitoral. Os apoiantes de Mahammoudou Ahmada, por sua vez, rejeitaram os resultados e falam em “golpe de Estado militar desencadeado através de uma fraudulenta eleição presidencial”, e apelam à comunidade internacional para não reconhecer o triunfo do Presidente por considerarem que foi obtido através de “numerosas irregularidades”.
No próprio dia das eleições, no domingo passado, a oposição e algumas organizações da sociedade civil denunciaram a existência de urnas que foram confiscadas pela Polícia e levadas para lugares incertos, e alegaram que se tratava de uma manobra para “substituir os boletins de votos, trocando os que foram inseridos pelos eleitores por outros manipulados para reeleger o Presidente”.
Na altura, elementos da oposição acusaram também a Polícia de ter impedido que os seus delegados efectuassem o trabalho de fiscalização das mesas de voto.

Todos contra o Presidente

Já depois das eleições, mas ainda antes do anúncio ontem feito pela Comissão Eleitoral, os doze adversários de Azali Assoumani juntaram-se para assinar uma declaração na qual se comprometem a usar “todos os meios legais para denunciar as irregularidades registadas no dia da votação”.
O coronel Soilihi Mohamed, eleito porta-voz dos doze candidatos da oposição, garantiu que a contestação será pacífica e feita de acordo com a lei, mas não vai deixar de ser enérgica.
No próprio dia das eleições, os observadores da União Africana e da Organização do Mercado Comum da África Oriental emitiram um documento conjunto onde deploravam os incidentes registados que, no seu entender, “não permitiram uma participação massiva de eleitores para o exercício dos seus direitos cívicos com a necessária serenidade”.
As duas organizações referiram que, por essas razões, ainda “não estavam em condições de se pronunciar, com objectividade, sobre e a transparência e credibilidade das eleições”.
Na segunda-feira, ou seja um dia depois das eleições, a Polícia dispersou uma manifestação convocada por diferentes partidos da oposição durante a qual uma centena de pessoas tentava desfilar nas ruas da capital para denunciar o que disseram ser uma “fraude eleitoral”.
Na altura, o ministro do Interior, Mohamed Daoudo, justificou a intervenção musculada da Polícia com a neces-
sidade de “manter a ordem pública”.
Os aliados do Presidente reeleito, por seu turno, rejeitam todas as acusações e sublinham que “nunca umas eleições nas Comores decorreram com tanta transparência, como estas”, afirmou o ministro do Interior num encontro com os jornalistas no qual referiu: “Nós somos um país soberano e não vamos admitir que um país estrangeiro nos venha impor o que quer que seja”.
Azali Assoumani, de 60 anos de idade e que esteve no poder entre 1999 e 2006, tendo sido depois reeleito em 2016, está a ser acusado pela oposição de ter multiplicado recentemente as manifestações de força para permanecer no poder. Há um ano, propôs um referendo para adoptar uma reforma constitucional que lhe permitirá estar no poder até 2029.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo