Desporto

Prémio de apuramento opõe jogadores e direcção da FAF

António Cristóvão

Jornalista

A falta de esclarecimento, por parte da Federação Angolana de Futebol, sobre o prémio de 600 mil dólares dados a cada uma das 24 selecções apura-das para a 32ª edição do CAN, a ter lugar de 21 de Junho a 19 de Julho, no Egipto, fez estalar o verniz nos Palancas Negras.

11/06/2019  Última atualização 17H04
Dombele Bernardo | Edições Novembro © Fotografia por: Jogadores da selecção exigem pagamento do prémio de qualificação e das ajudas de custo

Por indisponibilidade para o diálogo do presidente da FAF, Artur Almeida e Silva, os jogadores às ordens do sérvio Srdjan Vasiljevic, liderados pelos capitães Mateus Galiano e Djalma Campos, decidiram paralisar os trabalhos na segunda-feira, sem garantia de regresso ontem.
O Jornal de Angola apurou de fonte próxima aos atletas, que o líder do organismo federativo recusou-se a sair da cidade do Porto para abordar a questão com o grupo em Aveiro. Teve de ser o seleccionador nacional, diante do quadro de insatisfação dos pupilos, a ir ao encontro do dirigente.
A tranquilidade até então reinante no balneário, apesar das notícias de falta de dinheiro, começou a esfumar-se no sábado, durante o amistoso frente aos Djurtus da Guiné-Bissau, que os Palancas Negras venceram por 2-0. De acordo com os relatos, os jogadores angolanos ouviram dos colegas guineenses a informação de que receberam 15 mil dólares cada um, premiação suportada pela CAF.
O nosso jornal apurou ainda que os atletas pretendiam tratar com Artur Almeida o pagamento das diárias, visto não terem recebido qualquer subsídio desde a concentra-ção a 31 de Maio, no Algarve. Diante do quadro de carência financeira, propuseram o valor de mil euros para cada um, de modo a acudir necessidades básicas, como a compra de produtos de higiene pessoal, recargas telefónicas e viagens de táxi nos dias livres.
Foram infrutíferas todas as tentativas de contactar o presidente da Federação, cujo regresso ao país esteve previsto para ontem, bem como o vice para as Selecções Nacionais, Adão Costa, que chefia a comitiva em Portugal.
Aventa-se a possibilidade de o secretário de Estado para o Desporto, Carlos Almeida, viajar de urgência com o propósito de serenar os ânimos no balneário. Antigo desportista de eleição, com vários títulos africanos de basquetebol e presença em mundiais e Jogos Olímpicos no currículo, é apontado como a pessoa capaz de trazer de volta a harmonia, depois de instalado o ambiente de desconfiança.
Os jogadores contestam o facto de o “número um” da FAF alegadamente questionar o patriotismo do grupo. Chegaram mesmo a lembrar a última peripécia passada em Outubro à chegada a No-uakchott, capital da Mauritânia, em que foram obriga-
dos a dormir no chão, duran-te as oito horas de espera no aeroporto.
No regresso à maior montra do futebol continental, a equipa nacional, emparceirada no Grupo E, ao lado da Tunísia, Mauritânia e Mali, ambiciona a superação da barreira da primeira fase, na edição de estreia dos oitavos-de-final, face ao alargamento da competição de 16 para 24 países.

Srdjan Vasiljevic defende coesão do balneário

Comprometido com o trabalho à frente da Selecção Nacional, Vasiljevic tem sido inexcedível na defesa do grupo de trabalho, sobretudo no pedido de criação das mínimas condições, pela confiança na qualidade inata do futebolista angolano.
Vencedor do Grupo I de qualificação, com os mesmos 12 pontos da surpreendente Mauritânia, que deixou de fora do CAN o cotado Burkina Faso, o treinador acredita no sucesso da equi-pa, apesar de afastar promessas de resultados. O seu foco é a preparação sem sobressalto da equipa.
Os indicadores extraídos do teste de sábado deixaram satisfeito o seleccionador, que para o CAN privilegiou a manutenção do núcleo duro do grupo que disputou o apuramento. Dos rostos novos, somente Bruno Gaspar, do Sporting de Portugal, e à última hora Evandro Brandão, do Leixões, também do futebol luso, vão à prova continental, já que pelo caminho ficaram Clinton da Mata (lesionado), Jérèmie Bela e Jonas Ramalho, por problemas administrativos. A lista definitiva dos 23 convocados deu entrada ontem na CAF. Show, Bastos e Freddy eram os casos clínicos registados na enfermaria dos Palancas Negras, preparados para discutir a primazia na fase preliminar.
Até à estreia dia 24, em Suez, diante da Tunísia, a Selecção tem agendado mais um amistoso frente aos Bafana Bafana da África do Sul, dia 19, já no Egipto. O elenco fe-derativo trabalha no sentido de proporcionar um terceiro jogo de preparação.

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