Sociedade

Praias de Luanda registam enchentes

Manuela Gomes

Jornalista

As praias de Luanda registaram, na tarde de ontem, Dia do Herói Nacional, um cenário de agitação, pela presença de centenas de banhistas ávidos para "matar" a saudade por um banho da água do mar.

18/09/2021  Última atualização 08H10
Três dias após a abertura das praias, munícipes de Luanda foram, em massa, dar mergulhos © Fotografia por: Vigas da Purificação | Edições Novembro
No Terminal do Museu da Escravatura, o embargue e desembarque de passageiros, que faziam a travessia de Luanda à Ilha do Mussulo e vice-versa, era agitado, desde às primeiras horas da manhã.

Os transportadores, disseram que, anteriormente, não era possível ver mais de dez pessoas a fazer a travessia, mas, desde a abertura das praias, no dia 15, já se regista um panorama acima do habitual. Numa ronda feita a várias praias de Luanda, era possível ver uma moldura humana considerável. Foram os cenários das praias de Cacuaco e Ilha de Luanda, onde o movimento era agitado, mesmo em tempo de pandemia da Covid-19.

Desde abertura oficial das praias, piscinas e outras instâncias balneárias, no passado dia 15 deste mês, assiste-se a uma mudança completa de comportamento das pessoas junto a esses locais, comparativamente há nove meses.

Ontem, era visível a alegria dos banhistas, que aplaudiam a decisão do Governo em autorizar a abertura e o uso das praias. A satisfação era maior entre os jovens que, com os seus pequenos barcos, faziam o transporte de passageiros.
"Agora, com isso, estamos um pouco mais aliviados, porque a sobrevivência da minha família depende do trabalho de transporte de passageiros”, contou satisfeito Tomás Alfredo.

Em Cacuaco, a moldura humana, parece, ter superado a de outras praias que visitamos. Pessoas de quase todos os estratos sociais e idades circulavam à beira da praia, enquanto outras faziam-se á água. Com eles, estavam os comerciantes que, com as suas tendas, sombrinhas e bancadas vendiam de tudo um pouco, desde bebidas alcoólicas, refrigerantes, bolos, bolachas, frango a carne grelhada.

Ao longo da praia, era possível ver grupos de crianças, jovens e adultos ávidos a entrarem na água sentindo o bater das ondas. Além dos banhistas, também se fizeram presente os nadadores salva-vidas, que, incansavelmente, sensibilizavam sobre a necessidade das pessoas estarem somente em zonas seguras e autorizadas.

Juscelino Ferreira levou as duas filhas gémeas, de oito anos, à praia. "Há meses que elas pediam para virem e apreciar as águas do mar”. Na Ilha de Luanda, logo à entrada, havia a presença dos agentes reguladores de trânsito. Esses organizavam o tráfego rodoviário e orientavam o estacionamento de viaturas para desafogar a circulação.

Ali, desde as primeiras horas, várias pessoas, além de aproveitar a água do mar, dedicavam-se à prática de actividades desportivas como voleibol e futebol.

Edith Castanho contou que está feliz, porque já pode voltar à praia e reviver os convívios em família à beira-mar. "Graças a Deus, vamos voltar a visitar o mar e suas águas salgadas, o que vai acabar um sufoco, por poder vir dar um mergulho", confessou.
Como ela, Dulce Serrano, também, mostrou-se feliz, por ter de voltar a entrar em contacto com as ondas do mar. A moradora do Lar do Patriota diz ter piscina em casa, mas não é a mesma coisa que estar com familiares  e amigos pertinho das águas da Kianda.
Hoje, está prevista a abertura oficial da época balnear, numa actividade que será desenvolvida pelos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros.


  Munícipes do Sumbe pedem restrições aos mergulhos

Cidadãos no município do Sumbe, província do Cuanza-Sul, saudaram, ontem, a medida do Executivo em abrir as praias, mas defendem algumas restrições ao banho ou mergulhos, para evitar o aumento de casos de Covid-19.

Por exemplo, na Marginal do Sumbe constatou-se que os munícipes concordam com a permissão de idas às praias, mas pedem que se controle rigidamente os banhistas e outros frequentadores.

É o que defende a jovem Sandra Augusto, moradora do bairro Quissala. "Por mim, era necessário impedir, numa primeira fase, os banhos e mergulhos, deixando que as pessoas fizessem apenas aquilo a que chamamos praia seca”.

Pedro Faustino é de opinião que, embora se tenha aberto as praias do país, o Governo deveria, igualmente, estabelecer regras de mergulho e o uso de serviços próximos de mares e rios.

 Victor Pedro | Sumbe

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