Política

PR defende soluções africanas para desenvolver o continente

Garrido Fragoso | Accra

O Presidente da República, João Lourenço, defendeu, ontem, em Accra, República do Ghana, soluções internas para o desenvolvimento económico e social dos Estados africanos. "Queremos encontrar no continente africano muitas das soluções que muitas vezes procuramos fora do continente", afirmou o Chefe de Estado à imprensa, no final da cerimónia de assinatura do Memorando de Intenções rubricado pelos dois Governos, no Palácio Presidencial.

03/08/2021  Última atualização 09H09
© Fotografia por: CIPRA
Segundo João Lourenço, África deve confiar em si própria, nas suas capacidades e recursos materiais e humanos, para deixar de depender do exterior ou ser mero exportador de matérias-primas.

O Chefe de Estado referiu, a propósito, que com a aprovação  e ratificação do Acordo que cria a Zona de Comércio Livre Continental, cuja sede está em Accra,  pretende-se garantir a integração económica dos Estados africanos.
O Presidente João Lourenço disse ter  concluído, durante o encontro privado com o  homólogo ghanense, Nana Akufo-Addo, que os propósitos da Zona de Co-mércio Livre Continental  podem ser alcançados com o engajamento de todos os Estados africanos.


"Criamos a organização porque queremos, efectivamente, mudar o estado de coisas no continente", declarou o Presidente da República, que defendeu a interligação dos Estados africanos pelas mais diferentes formas de comunicação, nomeadamente, auto-estradas, linhas de caminho-de-ferro, aérea e marítimas.

João Lourenço considerou mesmo de "absurdo" o facto dos cidadãos africanos terem de se deslocar primeiro para a Europa, em trânsito, para visitarem um país do continente.

Defendeu, por isso, o desenvolvimento do "grande potencial económico adormecido" do continente, "que se gaba" ter as maiores reservas mundiais de recursos minerais. "Não queremos continuar apenas a dizer que somos potencialmente ricos. Queremos passar a ser efectivamente ricos", referiu o Chefe de Estado, salientado que a concretização deste passo depende, apenas, dos próprios africanos, alertando que "ninguém nos vai oferecer de borla".

"Ou conseguimos a proeza de darmos o salto de países potencialmente ricos para países efectivamente ricos ou ninguém fará isso por nós", alertou o Presidente.

Para João Lourenço, a Zona de Comércio Livre Continental Africana, que vigora desde Janeiro deste ano, vai proporcionar a possibilidade de transição  de países exportadores de matérias-primas para Estados que criam riqueza nas suas próprias terras.

Golfo da Guiné
O Chefe de Estado defendeu maior atenção à segurança do Golfo da Guiné, salientando ser uma rota marítima da qual depende o "bom desempenho" do comércio internacional.

Sublinhou ser responsabilidade dos africanos defenderem os seus interesses  nacionais e regionais, referindo que sem a referida rota marítima, a comunidade internacional também pode ver as suas economias afectadas.
"Estamos preocupados e comprometemo-nos, na medida do possível, a fazer tudo para dar outra dinâmica  a essa importante organização", referiu o Presidente da República.

Hoje, João Lourenço tem agendado um encontro com o secretário-geral da Zona de Comércio Livre Continental Africana, o sul-africano Wamkele Mene. De seguida, participa num Fórum Económico e no período da tarde discursa no Parlamento do Ghana.
 Memorando destaca cooperação nos Petróleos, Turismo e Agricultura

Os Governos  de Angola e do Ghana assinaram, ontem, em Accra, o Memorando de Intenções, no qual manifestam  interesse de cooperar em vários  sectores, como o dos Petróleos, Turismo, Agricultura, Comércio, Pescas e Minas.
O documento foi rubricado pelos ministros angolano e ghanense das Relações  Exteriores, Téte António, e Sherley Botchwey, na presença dos  Presidentes João Lourenço e Nana Akufo-Addo.

A assinatura do referido instrumento foi antecedido do encontro privado entre os dois Chefes de Estado e das conversações entre  delegações ministeriais dos dois países, que culminaram, também,  com a aprovação  do comunicado final das conversações. Segundo o Presidente João Lourenço, a visita "está a decorrer com sucesso".
O Chefe de Estado disse que foi ao Ghana para "manter a chama" da amizade que une os dois povos desde os primórdios da luta de libertação.

Sublinhou que a visita ao país de Kwame N'krumah visa encontrar "os melhores caminhos" para o reforço da cooperação bilateral.

O ministro das Relações Exteriores, Téte António, de-clarou, domingo, que Angola está interessada em formar quadros no Centro de Formação "Koffi Annan",  aproveitando a experiência do Ghana nas questões de  manutenção de paz das Nações Unidas.

A República do  Ghana é dos poucos países africanos que,  desde os anos 1960, participa e fornece  forças às Nações Unidas em operações de paz.


Téte António referiu, a propósito, que o país está interessado em cooperar na Agricultura, salientando que o Ghana e a Côte d'Ivoire são os únicos países no continente  que  ditam as regras do comércio mundial do cacau
Esclareceu que o Ghana quer a experiência de Angola no sector petrolífero e pretende, também, incluir o en-sino da língua portuguesa no currículo escolar.

 
João Lourenço  homenageia Nkwame N’krumah

O Presidente João Lourenço percorreu, ontem, em Accra, o Memorial dedicado ao líder fundador da nação ghanense e panafricanista convicto, Nkwame N’krumah, no quadro da visita de Estado que efectua ao Ghana.


Depois de depositar uma coroa de flores na tumba do histórico político, o Chefe de Estado angolano escreveu, no livro de honra, que as ideias de Nkwame N’krumah "se tornaram fonte de inspiração para os povos de África se lançarem à luta contra a dominação colonial".

"Na minha primeira visita ao Ghana, na qualidade de Chefe de Estado, rendo homenagem à memória de Nkwame N’krumah, cujas ideias revolucionárias se tornaram fonte de inspiração para os povos de África se lançarem à luta contra a dominação colonial, pelo resgate da sua dignidade, pela liberdade e Independência", sublinhou.


Acrescentou que "Nkwame N’krumah, estadista de dimensão universal e precursor do pan-africanismo, colocou de forma abnegada o seu saber, a sua visão política e coragem ao serviço das causas nobres da auto-determinação e soberania do Ghana, deixando um legado que perdura no tempo e atravessa gerações que se orgulham dos feitos desta grandiosa figura da História contemporânea africana".
 
Presidente do Ghana valoriza Memorando

O Presidente do Ghana considerou a assinatura do Memorando de Intenções como um "passo importante" para o  estabelecimento efectivo de relações de cooperação  com Angola.
Nana Akufo-Addo valorizou a visita ao país do homólogo angolano, salientando que a mesma é "um forte indicador" da vontade  do povo e Governo angolanos em desenvolver a cooperação com o Ghana.
Falou da "frutuosa" visita que efectuou a Angola em 2019, bem como da longa história que une os dois povos, ao mesmo tempo que defendeu maior aproximação entre os dois Governos, com vista a promoção  da cooperação, em prol do bem-estar dos cidadãos.
Nana Akufo-Addo defendeu, também, medidas para conter  as ameaças no Golfo da Guiné e solicitou maior união e apoio dos Estados membros da organização para o combate cerrado à pirataria, tráfico de armas e seres humanos ao longo da referida rota marítima internacional.

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