Especial

Portugueses elegem os representantes na Assembleia da República

Os portugueses voltam hoje às urnas para eleger os representantes na Assembleia da República, na segunda jornada das legislativas, iniciadas, sábado (29), com a votação dos eleitores residentes no estrangeiro.

30/01/2022  Última atualização 10H23
© Fotografia por: DR
Mais de 10,8 milhões de eleitores são chamados a votar nestas legislativas, antecipadas, após o chumbo do Orçamento do Estado, para eleger 230 deputados à Assembleia da República.

Esta é a 16ª vez, desde 1976, que os portugueses votam para eleições parlamentares, em democracia.
O Partido Socialista (PS), do Primeiro-Ministro em exercício, António Costa, e o PSD, liderado por Rui Rio, concorrem ao pleito como favoritos  para formar o Executivo.

De acordo com as autoridades eleitorais portuguesas, as urnas para a votação abrem às 8h00 locais e encerram as 19h00 (uma hora a menos do que em Angola).

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) garantiu que o voto nas legislativas, antecipadas de hoje, "é seguro” e defendeu que todos os eleitores "devem votar, independentemente de estarem em isolamento” devido à Covid-19.

"Apesar de estas eleições ainda se realizarem no contexto da pandemia de Covid-19, estão reunidas todas as condições para que o voto seja exercido em absoluta segurança”, afirmou, ontem, a substituta do presidente da Comissão Nacional de Eleições, Vera Penedo, sublinhando que "os locais de votação foram preparados de modo a não existirem condições favoráveis ao contágio”.

Numa conferência de imprensa, realizada no auditório Almeida Santos, na Assembleia da República, em Lisboa, destacou que "foram fornecidos aos membros de mesa e demais pessoas envolvidas no processo os equipamentos de protecção individual” e apelou aos cidadãos a respeitarem as recomendações das autoridades de Saúde, notando, ainda, que "estarão disponíveis máscaras para as pessoas que as solicitem” nas assembleias e secções de voto. "As votações antecipadas decorreram de forma tranquila. Sublinha-se, também, que a campanha eleitoral se desenrolou sem incidentes, tendo as candidaturas tido a oportunidade de apresentarem as propostas e programas num quadro de normalidade democrática”, referiu a dirigente da CNE, acompanhada pelo porta-voz do organismo, João Tiago Machado, e pelo secretário da comissão, João Almeida.


  Urnas em Angola abriram no sábado

Os cidadãos portugueses residentes em Angola começaram a votar na manhã de sábado (29), em vários pontos do país, para as eleições legislativas, cujo ponto alto acontece neste domingo (30). No Consulado geral, em Luanda, a movimentação de eleitores, no período da manhã, foi literalmente fraca.


No espaço de meia hora apenas cinco pessoas se dirigiram às urnas, no interior das instalações. Todo o esforço do Jornal de Angola fez, junto do Consulado, para apurar o número de eleitores registados em Angola, e outros pormenores ligados ao processo, foi em vão.

Muitos eleitores portugueses, espalhados pelo mundo, que  acompanham as diversas sondagens, que colocam o Partido Socialista (PS) como vencedor e o Partido Social Democrata (PSD) no lugar imediato, acabaram por ficar confusos quanto ao desfecho do pleito, depois de ouvirem, sábado (29) , Francisco Louçã, o fundador e antigo coordenador do Bloco de Esquerda (BE), a lançar um aviso, na SIC Notícias, de que "todas as sondagens podem estar erradas”,  alegadamente "por não reflectirem, ainda, a tomada de posição dos indecisos”.
  Presidente faz apelo ao voto "em consciência e segurança”
O Presidente da República de Portugal apelou, ontem, aos seus concidadãos que votem "em consciência e segurança” nas legislativas e digam o que pensam do futuro pós-pandemia de um país a precisar de "urgente reconstrução da economia”.

Numa declaração ao país de apelo ao voto, através da televisão e rádio, Marcelo Rebelo de Sousa fez um balanço da campanha eleitoral, avisando para as dificuldades em sair da crise causada pela pandemia, pedindo aos portugueses que vençam o cansaço e o conformismo e votem "sem temores, nem inibições”.

"Amanhã (hoje) eu lá estarei, como sempre, com o meu (voto), um em milhões, a dizer o que penso sobre os próximos anos para Portugal. Anos de saída de uma penosa pandemia, de urgente reconstrução da economia, da sociedade, do ambiente, da vida das pessoas, de difíceis desafios europeus, e de tensão mundial como já não existia há quase 20 anos”, afirmou.

Marcelo admitiu que "pandemia, cansaço, conformismo, e outras razões do foro íntimo, são, para muitos, argumentos para escolher não escolher”.

"Mas, nestas eleições tão diferentes, num tempo tão diferente e tão exigente, votar é também uma maneira de dizermos que estamos vivos e bem vivos, e que nada, nem ninguém, cala a nossa voz”, pediu, dando o exemplo da participação nas eleições autárquicas, em Setembro, e até nas presidenciais de há um ano, durante o qual se registavam "mais de 300 mortos por dia, mais de 800 em cuidados intensivos e mais de seis mil internados” e "sem vacinas”.
Resta, então, "votar em consciência e em segurança” e "a pensar em Portugal”.
Antes do apelo à participação dos portugueses na votação, fez uma análise à campanha destas "eleições diferentes”, durante a qual a sua agenda foi reduzida ao mínimo, e aos temas que a marcaram.


São eleições diferentes, porque nelas se confirma, sublinhou, que "o choque da pandemia tem sido tão abrupto e prolongado que recuperar economia e mitigar pobreza e desigualdades sem mudanças de fundo, corre o risco de ser como encharcar com milhões as areias de um deserto”.

E foi uma campanha em que, segundo apontou, se tornaram evidentes três temas – "a própria pandemia e a saúde, a urgente melhoria das condições de vida, a próxima fórmula governativa, por cada qual preconizada”.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou, ainda, outras diferenças, sugerindo uma reflexão sobre a revisão da "rígida” lei eleitoral, que exclui a votação fora dos domingos e dias feriados, e não permite horários flexíveis, sublinhando a importância do voto antecipado em mobilidade.

Destacou, igualmente, a forma como decorreu a campanha, com uma "audiência sem precedente nos numerosos e mobilizadores debates e entrevistas, em clássicos e novos meios digitais, a testemunhar o elevado empenhamento de partidos e seus dirigentes e o profissionalismo de jornalistas, e a aconselhar cuidado acrescido àqueles que pensam regressar, no futuro, a poucos e selectivos debates audiovisuais”.

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