Economia

Portugal pode ter um “papel-chave” na diversificação da economia angolana

O ministro dos Transportes, Ricardo Viegas d'Abreu, considerou, em Lisboa, que Portugal pode dar resposta aos desafios da diversificação da economia que vão marcar os próximos anos em Angola.

21/06/2024  Última atualização 12H55
O país tem condições sustentáveis para tornar o sector da Agro-Indústria mais rentável © Fotografia por: DR

O ministro Ricardo Viegas d'Abreu, que encerrou a conferência "Doing Business Angola 2024", uma organização conjunta do Jornal Económico e da Forbes África Lusófona, evento que decorreu na terça-feira, em Lisboa, afirmou que os dois países continuam uma "relação estratégica muito importante”.

"Temos aí um bom caminho para podermos acelerar estas relações, eventualmente num formato diferente, com outro potencial e, obviamente, com capacidade para poder dar resposta àquilo que são os nossos desafios, como o da diversificação”, afirmou.

Aposta nos Transportes

O sector dos Transportes foi especialmente focado no "Doing Business Angola 2024” (DBA), tendo sido o potencial do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto e do Corredor do Lobito apresentado a investidores, empresários e gestores.

Ricardo Viegas d'Abreu defendeu que as relações comerciais entre Angola e Portugal devem ter como suporte o investimento privado português no país africano, com possível expressão no Corredor do Lobito.

"As relações entre Angola e Portugal deviam ser suportadas no investimento privado português em Angola, por exemplo, no Corredor do Lobito, é algo que se pode discutir na próxima visita do Governo de Portugal a Luanda. Temos 30 anos de história neste percurso empresarial com Portugal", destacou.

Integração económica

Em entrevista ao Jornal Económico, o ministro destacou que no segmento ferroviário, para além de estar a conseguir garantir a integração da economia e das infra-estruturas no contexto do comércio internacional e do transporte de carga, "estamos a conseguir também desenvolver aquilo que diz respeito ao sector marítimo doméstico, principalmente os projectos de cabotagem".

"A cabotagem doméstica é um segmento muito importante para a dinamização também da economia. E, isso já está a acontecer, particularmente na área Norte do nosso país, com o projecto de cabotagem Norte onde operamos, Luanda, Sul e Cabinda, e que está a ter um impacto muito significativo para as comunidades da província de Cabinda", disse.

Portugal também está presente na gestão do Corredor do Lobito, com a participação da Mota Engil, que se associou à Trafigura e a Vecturis.

Nos próximos 30 anos, as empresas vão cuidar de proporcionar o melhor ao estratégico Corredor do Lobito, que de Angola vai para a Zâmbia até à RDC (ponto de partida).

AIPEX capta investimentos para alavancar sector produtivo

O presidente do Conselho de Administração da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX), Arlindo Chagas Rangel,  disse, em Lisboa, Portugal, que a internacionalização e diversificação da economia angolana passa pela captação de investimento, apontando, aos sectores agro-alimentar e farmacêutico.

Durante a conferência "Doing Business Angola 2024" organizada pelo Jornal Económico e Forbes África Lusófona, na terça-feira, o PCA da AIPEX apontou os sectores agro-alimentar e farmacêutico como aqueles com  maior potencial para ajudar na diversificação de um país ainda muito dependente de matérias-primas, sobretudo as energéticas.

"Angola é hoje um país aberto ao exterior. Estamos disponíveis e abertos para receber investidores e turistas. Recentemente, isentamos 98 países de vistos, incluindo Portugal. Somos um país politicamente estável, com uma força de trabalho jovem e um exemplo de sustentabilidade no sector energético”, destacou o presidente da AIPEX, apontando ainda o "processo contínuo de reformas legislativas” para melhorar o ambiente de negócios.

Segundo noticia a Forbes África Lusófona, o gestor frisou que as reformas que promovem um ambiente de negócios favorável e a juventude da população são factores-chave de atracção e Portugal, pela proximidade cultural e económica, é a porta de entrada ideal.

Arlindo Chagas Rangel sublinhou as vantagens competitivas angolanas e a evolução do país para um destino cada vez mais atractivo para investimentos de capital estrangeiro, lembrando o potencial de crescimento da economia.

Incentivos

Além destas reformas, que incluem a Lei do Investimento Privado, Arlindo Chagas Rangel salientou o pacote de "incentivos fiscais e aduaneiros” disponíveis para os empresários que decidam investir em Angola, que incluem reduções "de 20 a 25 por cento das taxas de imposto por dois a 15 anos, de acordo com o tipo de projecto e localização”.

"Há muito mais para explorar em Angola”, continuou, admitindo ainda "os muitos desafios” que afectam o país. Um deles será "garantir a segurança alimentar da população”, o que passa por "reduzir o volume de importações alimentares”, que chega a 200 milhões de dólares por mês.

"Convidamos os empresários presentes a abraçarem este desafio”, lançou, recordando também a vontade de desenvolver uma indústria farmacêutica no país "que permita ter uma oferta de medicamentos mais disponível e competitiva”.

"Pretendemos que Portugal seja a porta de entrada das exportações angolanas para o continente europeu”, afirmou o PCA da AIPEX, vendo no know-how português "um factor diferenciador.

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