Política

Portugal agradece esforços de Angola na reabilitação de talhões militares

António Gaspar |

Jornalista

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, agradeceu, sábado, em Luanda, os esforços do Governo angolano para a reabilitação dos talhões dos cemitérios de Santa Ana e do Alto das Cruzes, onde se encontram os restos mortais de mais de 450 soldados portugueses, tombados em Angola durante a guerra colonial.

23/06/2024  Última atualização 07H19
Ministro Paulo Rangel (segundo à esq.) concluíu ontem a visita de trabalho três dias em Luanda © Fotografia por: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Em declarações à imprensa, após visita à empreitada de requalificação do talhão do cemitério de Santa Ana, Paulo Rangel, que se fez acompanhar por uma delegação da Embaixada portuguesa no país, disse que a acção de Angola demonstra "um verdadeiro espírito de reconciliação" para com aqueles que morreram ao serviço de Portugal, "independentemente de estarem numa guerra injusta, como depois de veio a reconhecer".

"Obviamente que os soldados cumpriam o seu dever moral e, também, deram a sua vida pelo seu país. O que vemos representa a capacidade, vontade, generosidade e um tratamento digno aos portugueses que estão sepultados no cemitério de Santa Ana, por exemplo. É um facto de grande delicadeza, muito sensível”, disse reconhecido Paulo Rangel.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal reafirmou que "não é por acaso que Angola é hoje considerada, pela comunidade internacional, um grande promotor da paz".

"São gestos desta dimensão que, obviamente, essa mediação de paz se credibiliza em tantos conflitos que estão agora, como no passado, a afligir o mundo e em particular o continente africano", aplaudiu Paulo Rangel.

O diplomata sublinhou, igualmente, que a visita aos talhões dos soldados portugueses assinala os 50 anos do 25 de Abril de 1974 e, para além dos anos de independência da República de Angola.

"É um momento sensível e comovente para todos os envolvidos. Em ser comovente, sobretudo, para os militares das Forças Armadas dos dois países, porque os combatentes, melhor que ninguém, são sempre aqueles que, mesmo perante alguém contra quem lutaram, têm aquela dignidade e aquele sentido de respeitar aqueles que estiveram no campo de batalha ou nas frentes de guerra. Há aqui, de facto, um acto de enorme dignidade", realçou.

Face a isso, reiterou haver uma obrigação de homenagear todos os que contribuíram para os dois países terem hoje relações "excelentes" e de "respeito mútuo", sem qualquer tipo de complexo em partilhar a amizade e a fraternidade.

"Angola e Portugal respeitam-se justamente como Estados independentes de igual para igual", frisou.

Para Paulo Rangel, este sinal de reconciliação reforça a relação bilateral, de igual para igual, e, neste caso, sendo uma ligação entre ambos os Estados, "é evidente que estes gestos se multiplicam".

"Estamos a acumular duas datas tão importantes. Não devemos esquecer que o 25 de Abril não foi a causa da independência apenas. Havia uma luta pela emancipação, que também foi o motor do 25 de Abril em Portugal”, referiu.

Ao fazer uma curta incursão ao passado, Paulo Rangel recordou que a democracia e a liberdade em Portugal foram conseguidas também porque houve povos em África, em particular em Angola, que lutaram pela sua liberdade e que isso permitiu que houvesse também uma libertação em Portugal.

Por último, Paulo Rangel agradeceu à comunidade portuguesa e à empresa encarregada da requalificação dos talhões militares portugueses.

Paulo Rangel, que regressou ontem a Portugal, depois de uma visita de trabalho de três dias na capital angolana, deixou uma palavra de gratidão aos angolanos, que "demonstram uma generosidade que é um exemplo para o mundo".

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