Economia

Portos de Luanda e Soyo cobrem 70% do movimento de cargas importadas

Os portos movimentaram 2.403.279 toneladas entre Março e Junho últimos, um acumulado de 472 embarcações e o envolvimento de 13.535 pessoas, segundo um relatório de balanço do Ministério dos Transportes.

07/08/2020  Última atualização 15H50
Samy Manuel | Edições Novembro

Em dados solicitados pelo Jornal de Angola, a fonte estatal assegura que os Portos de Luanda e Soyo asseguraram aproximadamente 70% das embarcações e carga operada, representando, em grande medida, as necessidades de bens alimentares importados e o resultado da actividade petrolífera.

Durante o período em que vigora a Situação de Calamidade, que decorre desde 27 de Maio, com data de corte até ao dia 24 de Junho, entraram nos Portos do país mais 129 embarcações, tendo sido movimentadas 958.225 toneladas de carga e participado na operação 4.297pessoas.
Já no período em que vigorou o Estado de Emergência, ou seja, entre 26 de Março a 26 de Maio, entraram nos portos de Angola 343 embarcações com movimento de 1.445.054 toneladas de carga com 9.238 pessoas envolvidas.
O Ministério dos Transportes avança que antes da pandemia de Covid-19, a importação de mercadorias tem vindo a reduzir desde 2014, comparados somente aos exercícios de 2019 e 2020, em termos homólogos, registando uma redução em média de 17%.
A natureza das mercadorias que entram em Angola varia em função do tipo de porto, do seu nível de especialização e das necessidades concretas das províncias em que se encontram. Nos terminais portuários entraram mercadoria a granel sólida e líquida, nomeadamente, arroz, farinha de milho, carga congelada, peixe, carnes e outros, no que se refere a granéis sólidos.

Por outro lado, foram descarregados combustível, carga contentorizada, viaturas, máquinas e animais vivos. Além disso, entraram, essencialmente, produtos que compõem a cesta básica, bem como fertilizantes para agricultura e bens alimentares e material de construção civil, assim como bigbags, tubos, granel líquidos e carga geral e contentorizada (mercadoria diversa).
No Estado de Emergência em Março, houve uma preocupação em assegurar o abastecimento do mercado, por forma a não criar qualquer tipo de ruptura, tendo dado prioridade à importação de produtos alimentares e a produtos hospitalares, realça o relatório do Ministério dos Transportes.

Actividades portuárias

De acordo com a tutela, foi feito um reforço das medidas e acções de controlo sanitário, em particular, nos fluxos de entrada de tripulantes, cargas e mercadorias.
De Abril a Maio de 2020, o Porto de Luanda movimentou um total de 971.670,69 toneladas, o que representou um aumento de 1.075,95 toneladas, face ao mês de Abril. Relativamente ao período de Situação de Calamidade, a produção geral no Porto de Luanda foi de 396.729,70 toneladas, com uma média diária de 18.033,17 toneladas nos primeiros 22 dias.
Quanto ao Porto do Lobito, teve uma redução na ordem dos 55,80 toneladas de Janeiro a Maio de 2020, na importação de mercadorias, que passaram diariamente pelas suas instalações e serviços.
No Porto do Namibe registou-se uma redução de 62.481 toneladas e no Porto de Cabinda e Soyo igualmente uma redução na importação de mercadorias.

Nos períodos referenciados, os diferentes Agentes de Navegação operam no nosso mercado, entre os quais a Niledutch, a Maersk-SAF, a CMA, a CGM, a MSC, aOrey-Cosco, a Bolloré-PIL/HSD, a Naiber, a Sharaf-HLC e a Grimaldi.
Na operação referente ao Porto de Luanda é de realçar uma subida de 14% no movimento no mês de Maio de 2020 de 3.870 contentores, face ao mês de Abril.
Sobre o Porto do Lobito, notou-se uma diminuição na ordem dos 58,73%, comparativamente ao Iº Semestre de 2019 e na operação referente ao Porto de Cabinda, o movimento por agente de navegação foi de 2 a 3 navios por mês, abaixo dos números registados em 2019.
Em relação aos Portos do Soyo e do Namibe, registou-se igualmente uma redução da actividade decorrente do contexto, assim como na operação do Porto Amboim, que se encontra sem operação relevante, dado o estado avançado de degradação a que está exposto, controlando somente o movimento de descarga de combustíveis, por pipeline, de petroleiros, para o Terminal Oceânico de Porto Amboim (TOPA).
O processo de formalização da área de domínio portuário encontra-se no caminho crítico para a retoma e especialização da actividade deste porto.

Proveniência de mercadorias

As mercadorias quem entraram no Porto de Luanda saíram maioritariamente da China, Holanda, África do Sul, Dinamarca, Bélgica, Brasil, Espanha, Tchad, Portugal e Mauritânia.
No Porto do Lobito, os bens tiveram origem no Panamá, Bahamas, Singapura, Malta, enquanto para o Porto do Namibe, da África do Sul, Brasil, Portugal e Holanda.No Porto de Cabinda, os produtos tiveram origem, predominantemente, da Ásia (China, Dubaí e Turquia), América (USA), Europa (Portugal), assim como da Guiné Equatorial, República Democrática do Congo, Namíbia, Togo e Congo-Brazzaville, estes últimos por via do Porto do Soyo.
Quanto aos navios ligados à actividade petrolífera e que também procedeu ao carregamento do Gás Natural Liquefeito (LNG), destinou-se à China, Grécia, França, Espanha, Portugal, Brasil, África do Sul, Bélgica e Estados Unidos de América, no âmbito das nossas exportações.

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