Mundo

Por que é seguro viver em Hiroshima e Nagasaki, mas não em Chernobyl?

O domínio da energia nuclear é uma das grandes conquistas científicas da humanidade, mas também desencadeou duas tragédias que marcaram a história. A primeira dessas catástrofes foi um ataque premeditado. Em 6 e 9 de Agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram duas bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão.

15/08/2020  Última atualização 22H50
DR

As estimativas mais conservadoras apontam que, até Dezembro de 1945, cerca de 110 mil pessoas morreram em ambas as cidades, como resultado da explosão e da radiação, enquanto outros estudos afirmam que podem ter morrido até 210 mil. A isso se somam os sobreviventes, que sofreram intoxicação radioactiva e desenvolveram doenças como cancro ou leucemia.

Desde então, nenhum outro país lançou um ataque nuclear. O segundo desastre foi um acidente. Na madrugada de 26 de Abril de 1986, um dos reactores do complexo nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, rebentou. A explosão inicial matou duas pessoas e 134 membros das equipas de emergência tiveram uma síndrome de radiação aguda: 28 morreram nos meses seguintes e outros 19 depois. Os sobreviventes ainda sofrem com lesões na pele e nos olhos devido à exposição ao material radioactivo.

Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou que até 4.000 pessoas podem morrer com a radiação a que foram expostas em decorrência do acidente. Este foi o maior vazamento acidental de radiação na história da energia nuclear. Após o desastre, os moradores da cidade de Prypiat, perto da fábrica, foram evacuados e uma zona de exclusão de 30 quilómetros foi estabelecida ao redor da central nuclear.

Hiroshima, Nagasaki e Chernobyl sofreram as consequências da radiação. No entanto, hoje, o quadro é muito diferente entre as cidades japonesas e a central nuclear. Embora a vida em Hiroshima e Nagasaki prossiga normalmente, muitas áreas de Chernobyl permanecem desabitadas e outras com acesso restrito devido ao risco latente de radiação.

Qual é a razão desse contraste?

A chave está no tipo de reacções que ocorreram em cada local, a quantidade de material envolvido em cada explosão e a altura em que as detonações ocorreram.

O tipo de reação

Ocorreram fenómenos diferentes: as bombas foram o resultado da fissão de cadeia rápida, enquanto o reactor foi uma fissão de cadeia lenta.

"A bomba foi projectada para que a fissão ocorresse numa fracção de segundo e em grande intensidade", disse John Luxat, especialista em segurança nuclear da Universidade McMaster, no Canadá, à BBC Mundo.

"Dessa forma, uma grande quantidade de energia é libertada em milissegundos", acrescenta Luxat. Em Chernobyl, ao contrário, ocorreu uma reacção lenta. Dentro do reactor, o combustível nuclear estava a superaquecer e o vapor se acumulava, o que exercia enorme pressão sobre o tanque.
"É como se uma panela de pressão tivesse explodido", diz Luxat.

Partículas radioactivas liberadas numa bomba atómica são altamente tóxicas, mas têm uma vida útil curta. Ao contrário, os materiais libertados do reactor são inicialmente menos tóxicos, mas têm uma vida útil mais longa.

"Os produtos que surgem da fissão lenta são muito mais tóxicos para os humanos", disse Michael Gordin, historiador, especialista em ciências físicas na Universidade de Princeton, à BBC Mundo.

Material radioactivo

A bomba de Hiroshima continha 64 kg de urânio enriquecido, dos quais apenas 1 kg foi fissionado. Em outras palavras, esse quilo de urânio foi o que realmente emitiu material radioactivo. O reactor de Chernobyl, por outro lado, continha toneladas de urânio enriquecido.

"Isso significa que, provavelmente, tinha várias centenas de quilos de materiais físseis dentro dela", explica à BBC Mundo Alex Wellerstein, historiador especialista em armas nucleares do Stevens Institute of Technology, nos Estados Unidos. Estima-se que pelo menos 100 vezes mais radiação foi libertada em Chernobyl do que nas bombas de Hiroshima e Nagasaki.

A altura

Em Hiroshima e Nagasaki, as bombas explodiram no ar, a mais de 500 metros acima do solo. Isso significa que o material radioactivo dissipou-se no ar, reduzindo as partículas tóxicas no solo.

Em contraste, a explosão de Chernobyl foi no nível do solo e o incêndio que irrompeu continha material radioactivo. A temperatura do fogo foi muito mais baixa do que a da explosão das bombas atômicas, de modo que as partículas tóxicas não subiram e se dispersaram na atmosfera, mas circularam constantemente no mesmo local e impregnaram o solo ao seu redor.

"Nessa situação, o que temos é muita contaminação numa área relativamente local, no caso, o chão", explica Wellerstein.

Segundo Wellerstein, se a bomba de Hiroshima tivesse explodido no solo, haveria mais contaminação, mas ainda assim seria mais limitada do que a bomba de Chernobyl, porque havia muito menos material para contaminar.


Chernobyl hoje

Hiroshima e Nagasaki são actualmente cidades prósperas e importantes portos japoneses. Chernobyl, por seu lado, permanece uma zona altamente restrita.

Mesmo assim, há pessoas que trabalham perto da zona de exclusão e outras que voltaram a morar ao redor. Somente em 2019, cerca de 60 mil turistas visitaram Pripyat, a cidade fantasma no norte da Ucrânia, que foi evacuada após a explosão.

Segundo Wellerstein, hoje existem produtos da fissão e outras toxinas na área, mas não é um local extremamente radioactivo. A radioactividade é apenas "ligeiramente maior do que em qualquer outro lugar", diz ele.

"Em pequenos grupos de pessoas podemos não notar qualquer dano", mas "um grande número de pessoas com famílias não deveriam viver ali".

"Num grande número de pessoas, especialmente em populações vulneráveis, como crianças e mulheres grávidas, seria de esperar um risco maior de cancro e defeitos de nascença". Em qualquer caso, ainda faltam anos de pesquisa para entender mais precisamente os efeitos da radiação em Chernobyl.


ENCONTRAR NOTAS É A ESPECIALIDADE DO ANIMAL

“Aki”, a cadela que farejou mais de 247 mil euros no aeroporto de Frankfurt

Dinheiro não tem cheiro", diz um ditado, mas para Aki, uma cadela do aeroporto de Frankfurt, esta velha máxima não deve ser tida em consideração. O seu olfacto apurado já permitiu detectar quase um quarto de milhão de euros entre os pertences de passageiros em poucos dias.

Entre o final de Junho e início de Julho, uma dúzia de viajantes suspeitos foram farejados por esta pastora-belga-malinois de 9 anos, o que permitiu a apreensão de 247. 280 euros não declarados, informou a alfândega do maior aeroporto da Alemanha. O dinheiro estava em carteiras, mochilas e bolsos internos de casacos, entre outros.

A cadela, treinada para farejar apenas notas de dinheiro, detectou em particular quase 52 mil euros na bolsa de um viajante.

"Com o seu nariz afiado, Aki apoia os funcionários alfandegários na luta contra a evasão fiscal, lavagem de dinheiro e terrorismo internacional", disse Isabell Gillmann, porta-voz da alfândega em Frankfurt, capital dos negócios da Alemanha. Os passageiros devem declarar o dinheiro vivo quando entram ou saem da União Europeia (UE), caso o valor ultrapasse os dez mil euros. Desta forma, uma dúzia de passageiros foi multada por tentar sair da UE sem ter declarado devidamente o dinheiro que levava consigo. Em 2019, os funcionários da alfândega em Frankfurt apanharam passageiros que carregavam um total de cerca de 23,6 milhões de euros em dinheiro não declarado.

Covid-19

Os cães farejadores alemães também podem ser usados na batalha contra o coronavírus. Investigadores da Universidade de Medicina Veterinária de Hanôver descobriram em Julho que “o melhor amigo do homem” pode detectar Covid-19 em amostras humanas, sugerindo que, no futuro, podem ser colocados em centros de transporte ou eventos desportivos.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo