Política

População no município de Mavinga aplaude terraplanagem das estradas

Lourenço Bule| Menongue

Jornalista

A população da aldeia do Licua, província do Cuando Cubango, mostrou-se satisfeita com o início das obras de construção do troço rodoviário de cerca de 245 quilómetros até à sede municipal de Mavinga, que já permitiu a terraplanagem de quase 20 quilómetros de estrada que estão a deixar as comunidades locais com muita expectativa.

29/09/2022  Última atualização 07H10
Ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República presenciou o acto no Licua © Fotografia por: Lourenço Bule | Edições Novembro | Menongue
O regedor da aldeia comunal do Licua, Manuel Samba, ao intervir na apresentação da obra ao ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Furtado, explicou que a população tem mil motivos para dançar de alegria, porque desde que Angola alcançou a Independência "o troço nunca foi intervencionado”.

Referiu que o Licua é, neste momento, um dos maiores produtores de alho, milho, massambala, massango, mandioca, batata-doce, entre outros, que para encurtar a distância a população era forçada a comercializar tais produtos na República da Namíbia e a custo muito baixo, mas agora, com a reabilitação da estrada até à sede municipal de Mavinga e depois para o Cuito Cuanavale, a produção agrícola será mais valorizada. 

Na ocasião, a autoridade tradicional louvou a iniciativa do Governo Central e pediu ao ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Furtado, para dar todo o apoio necessário ao governador do Cuando Cubango, no sentido deste trabalhar, sobretudo, nas vias de acesso das localidades da zona Leste e Sul da província.

Por seu turno, Francisco Furtado, acompanhado dos ministros da Defesa e Veteranos da Pátria, João Ernesto dos Santos, das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos Alberto, e do governador do Cuando Cubango, José Martins, percorreram os 20 quilómetros já reabilitados e constataram com agrado a remoção total do areal espesso, substituído por solos granulados, apropriados para os trabalhos de terraplanagem.

A comitiva auscultou atentamente os problemas das populações do Licua, principalmente a falta de energia, água potável, telefonia móvel, tractores para o fomento agrícola, escolas do segundo ciclo e centros de saúde, inquietações para as quais Francisco Furtado prometeu levar à consideração superior para que as zonas recônditas da província do Cuando Cubango sejam bem servidas.

"Vamos trabalhar com todos os gabinetes ministeriais no sentido de se encontrar soluções exequíveis para dar respostas às preocupações das populações do Licua e de outras localidades circunvizinhas. Vamos também reabilitar o aeródromo da sede do município de Mavinga para facilitar as trocas comerciais e a livre circulação de pessoas e bens com o resto do país”, reforçou. 

Obras em curso

No final da visita, o ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, depois de percorrer os cerca de 20 quilómetros já terraplanados, disse que a Brigada de Construção Militar (BCOM) está a executar os trabalhos com um sentido de responsabilidade muito grande, a julgar pela qualidade das obras e espera-se que a mesma esteja concluída dentro dos prazos estabelecidos.

Francisco Furtado disse que a maior parte do território do Leste é arenoso e argiloso, nalguns casos, para a substituição os técnicos da Brigada Militar de Construção estão a buscar os solos apropriados a uma distância de mais de 20 quilómetros e a medida que a obra progride as dificuldades, também, aumentam, mas ainda assim está esperançado num bom desfecho.

Explicou que estão envolvidos no projecto 50 especialistas da Brigada de Construção Militar (BCOM) e 28 máquinas e meios que serão reforçados nos próximos dias para que os trabalhos possam ganhar mais celeridade, porque o objectivo é terraplanar desde Licua até à vila do Cuito Cuanavale.

Fez saber que, para além do processo de terraplanagem, um grupo de especialistas em desminagem das Forças Armadas Angolanas (FAA) trabalha no troço Cuito Cuanavale-Mavinga, para evitar acidentes com minas, tendo em atenção que este corredor é considerado um dos mais minados da província e do país, em geral.

Francisco Furtado disse que, enquanto se espera pelos grandes projectos estruturantes de construção de estradas em todo o país, incluindo asfaltagem, as Brigadas de Construção Militar estarão engajadas neste processo de terraplanagem, para depois tornar mais facilitada a aplicação de betão betuminoso.

"O nosso objectivo é termos duas brigadas de terraplanagem a trabalhar no troço Cuito Cuanavale-Mavinga e Mavinga-Licua, para que em curto espaço de tempo possamos melhorar a vida destas populações”, disse, acrescentando que o Governo Central tem ainda em carteira a terraplanagem do troço Mavinga-Rivungo até ao Bico de Angola, enquanto se espera pela mobilização de mais recursos para serem asfaltadas.

Maior benefício 

O governador do Cuando Cubango, José Martins, disse que desde o tempo colonial que a circulação de pessoas e bens entre a aldeia comunal do Licua e a sede municipal de Mavinga é feita com dificuldades.

Frisou que a circulação de pessoas e bens nestas localidades, depois de concluídos os trabalhos, as populações poderão finalmente efectuar as trocas comerciais em melhores condições a um preço justo, evitando o território da Namíbia, onde praticamente os camponeses não obtinham lucros por causa dos moldes em que vendiam os produtos no dólar namibiano.

"A infra-estrutura que o povo do Cuando Cubango ganhou é um grande feito do Executivo angolano, liderado pelo Presidente João Lourenço, tendo em conta que iria tirar os municípios de Mavinga e Rivungo do isolamento. As localidades do Dirico, Calai e Cuangar também vivem problemas semelhantes”, aclarou.

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